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Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaOncologia
Código
qg726492
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Pediátrica
No manejo cirúrgico dos tumores sólidos pediátricos, o papel do cirurgião vai além da ressecção tumoral isolada. Considerando os princípios atuais da oncologia cirúrgica pediátrica, assinale a alternativa correta.
  1. AA cirurgia deve buscar ressecção completa em todos os tumores sólidos pediátricos, independentemente do risco cirúrgico e da resposta esperada à quimioterapia.
  2. BA definição da extensão da cirurgia deve considerar estadiamento, fatores biológicos do tumor e integração com o tratamento multimodal.
  3. CA biópsia incisional aberta é preferível à biópsia percutânea na maioria dos tumores sólidos pediátricos.
  4. DA cirurgia conservadora tem papel restrito aos tumores benignos, não sendo aplicável aos tumores malignos pediátricos.
  5. EO planejamento cirúrgico pode ser definido de forma independente, sem necessidade de discussão em equipe multiprofissional.
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GabaritoB — A definição da extensão da cirurgia deve considerar estadiamento, fatores biológicos do tumor e integração com o tratamento multimodal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oncologia cirúrgica pediátrica: princípios do tratamento multimodal

Gabarito: letra B. A definição da extensão da cirurgia nos tumores sólidos pediátricos deve considerar o estadiamento, os fatores biológicos do tumor e a integração com o tratamento multimodal (quimioterapia, radioterapia), pois a cirurgia é apenas um dos pilares do tratamento oncológico pediátrico. As demais alternativas distorcem esse princípio ao defender ressecção completa incondicional, preferência por biópsia aberta, restrição da cirurgia conservadora a tumores benignos ou planejamento cirúrgico independente da equipe multiprofissional.

A oncologia cirúrgica pediátrica moderna abandonou a visão de que a cirurgia é o único ou o primeiro tratamento para todos os tumores sólidos. O paradigma atual é o tratamento multimodal, no qual cirurgia, quimioterapia e radioterapia se combinam de forma planejada e sequenciada, cada uma com seu papel definido conforme o tipo tumoral, a extensão da doença e a biologia do tumor. O cirurgião pediátrico, portanto, não atua isoladamente: ele integra uma equipe que inclui oncologista clínico, radioterapeuta, patologista, radiologista e outros especialistas, e o planejamento cirúrgico é sempre discutido nesse contexto.

A extensão da cirurgia é definida por múltiplos fatores. O estadiamento (localização, tamanho, invasão local, linfonodos e metástases) determina a ressecabilidade e a necessidade de cirurgias mais ou menos amplas. Os fatores biológicos — como histologia, grau de malignidade, marcadores moleculares e resposta à quimioterapia neoadjuvante — influenciam diretamente a conduta: tumores quimiossensíveis podem ser reduzidos antes da cirurgia, permitindo ressecções mais conservadoras e menos mutilantes. Por isso, a cirurgia pode ser primária (quando o tumor é ressecável de imediato), ou ocorrer após quimioterapia/radioterapia neoadjuvante (cirurgia diferida), ou até ser precedida de biópsia para diagnóstico e planejamento.

Um exemplo prático: no neuroblastoma e no tumor de Wilms, a quimioterapia neoadjuvante pode reduzir tumores volumosos, tornando a ressecção cirúrgica mais segura e menos extensa. Já em tumores como o hepatoblastoma, a resposta à quimioterapia define se a cirurgia será curativa ou se o paciente precisará de transplante hepático. Em todos esses casos, a decisão sobre a extensão da cirurgia é tomada em conjunto, pesando risco cirúrgico, morbidade esperada e benefício oncológico — nunca de forma isolada ou com a meta absoluta de ressecção completa a qualquer custo.

A distinção central que a questão explora é entre a cirurgia como tratamento isolado (visão ultrapassada) e a cirurgia integrada ao tratamento multimodal (visão atual). A banca testa se o candidato compreende que a ressecção completa, embora desejável, não é o único objetivo e nem sempre é possível ou indicada — a cirurgia deve ser planejada para maximizar a cura com o menor dano funcional e estético possível, respeitando a biologia do tumor e a resposta ao tratamento sistêmico. É exatamente esse equilíbrio que separa a alternativa correta das demais.

Cirurgia oncológica pediátrica
  • 1Princípio atual
    • Tratamento multimodal
    • Cirurgia integrada (não isolada)
    • Decisão em equipe multiprofissional
  • 2Fatores que definem a extensão
    • Estadiamento
    • Fatores biológicos do tumor
    • Integração com QT/RT
  • 3Objetivo
    • Curar com menor dano funcional
    • Cirurgia conservadora em malignos
  • 4Visão ultrapassada (errada)
    • Ressecção completa a qualquer custo
    • Cirurgia como tratamento único
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a cirurgia deve buscar ressecção completa em todos os tumores sólidos pediátricos, independentemente do risco cirúrgico e da resposta esperada à quimioterapia. O erro está na absolutização: a ressecção completa é o objetivo ideal, mas não é perseguida a qualquer custo. Em tumores metastáticos ou localmente avançados, a cirurgia pode ser precedida de quimioterapia para reduzir o tumor e tornar a ressecção viável e menos mutilante; em outros casos, o risco cirúrgico pode contraindicar a ressecção imediata. A decisão é sempre individualizada e integrada ao tratamento multimodal, jamais automática.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa espelha exatamente o princípio atual da oncologia cirúrgica pediátrica: a extensão da cirurgia é definida pelo estadiamento (extensão anatômica da doença), pelos fatores biológicos do tumor (histologia, agressividade, perfil molecular) e pela integração com o tratamento multimodal (quimioterapia e radioterapia, que podem preceder ou suceder a cirurgia). Essa é a essência do planejamento cirúrgico moderno: uma decisão compartilhada, baseada em dados objetivos e no contexto terapêutico global, e não uma conduta padronizada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a biópsia incisional aberta é preferível à biópsia percutânea na maioria dos tumores sólidos pediátricos. Na prática atual, a biópsia percutânea guiada por imagem (ultrassom ou tomografia) é frequentemente a primeira escolha por ser menos invasiva, apresentar menor morbidade e permitir diagnóstico com material suficiente para estudos histológicos e moleculares. A biópsia aberta fica reservada para casos específicos em que a percutânea é tecnicamente inviável, inconclusiva ou de alto risco. A alternativa inverte a preferência atual.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a cirurgia conservadora tem papel restrito aos tumores benignos, não se aplicando aos malignos pediátricos. Isso é falso: a cirurgia conservadora (preservação de órgãos e função) é um princípio fundamental na oncologia pediátrica, aplicada justamente em tumores malignos. Exemplos incluem a nefrectomia parcial em tumor de Wilms selecionado, a cirurgia preservadora de membro em sarcomas ósseos e a ressecção limitada em tumores hepáticos. O objetivo é curar com o menor dano funcional e estético possível, especialmente em crianças em desenvolvimento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o planejamento cirúrgico pode ser definido de forma independente, sem discussão em equipe multiprofissional. Isso contraria frontalmente o modelo de tratamento multimodal: a decisão cirúrgica é sempre discutida em equipe, envolvendo oncologista clínico, radioterapeuta, patologista, radiologista e outros. O cirurgião não decide isoladamente — ele contribui com sua expertise dentro de um plano terapêutico conjunto, que considera todas as modalidades disponíveis e a melhor sequência para cada paciente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a visão ultrapassada da cirurgia como tratamento único e absoluto. As alternativas A, C, D e E distorcem princípios atuais: A absolutiza a ressecção completa, C inverte a preferência por biópsia percutânea, D nega a cirurgia conservadora em malignos e E elimina a equipe multiprofissional. A correta (B) é a única que reflete o equilíbrio entre estadiamento, biologia tumoral e tratamento multimodal — o candidato que memorizou a "ressecção completa a qualquer custo" cai na A.

Gabarito: letra B

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