Questão de Medicina — Urologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Urologia
Código
qg726496
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Pediátrica
Em relação às afecções urológicas e genitais congênitas na infância, considerando hipospádia, epispádia e o complexo extrofia vesical-epispádia, assinale a alternativa correta.
AA hipospádia está frequentemente associada à deficiência primária do colo vesical, cursando com incontinência urinária desde o nascimento.
BA epispádia isolada apresenta maior risco de comprometimento do mecanismo esfincteriano urinário quando comparada à hipospadia.
CA extrofia vesical caracteriza-se por abertura ventral da uretra, associada à fusão incompleta das pregas uretrais.
DA hipospádia proximal raramente se associa a malformações do trato urinário ou a distúrbios da diferenciação sexual.
EA epispádia feminina cursa, na maioria dos casos, com continência urinária preservada.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — A epispádia isolada apresenta maior risco de comprometimento do mecanismo esfincteriano urinário quando comparada à hipospadia.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Afecções urológicas e genitais congênitas: hipospádia, epispádia e extrofia vesical
Gabarito: letra B. A epispádia isolada, por envolver diretamente a face dorsal da uretra e o mecanismo esfincteriano, apresenta maior risco de comprometimento da continência urinária quando comparada à hipospádia, que classicamente preserva o esfíncter. Essa distinção é central na avaliação urológica pediátrica e define a conduta terapêutica.
As afecções congênitas do trato geniturinário inferior — hipospádia, epispádia e o complexo extrofia vesical-epispádia — representam um espectro de anomalias que afetam o desenvolvimento da uretra e da bexiga. A hipospádia é a abertura do meato uretral na face ventral do pênis, resultante da fusão incompleta das pregas uretrais. Ela é a mais comum, ocorrendo em aproximadamente 1 a cada 200-300 nascimentos masculinos. O ponto-chave é que, na hipospádia, o mecanismo esfincteriano permanece íntegro, pois a anomalia se limita à uretra distal — por isso, a continência urinária é preservada. Já a epispádia é a abertura do meato na face dorsal do pênis, uma condição muito mais rara, que frequentemente se associa a defeitos do esfíncter uretral e do colo vesical, podendo cursar com incontinência urinária. O complexo extrofia vesical-epispádia é a forma mais grave do espectro, caracterizado pela exposição da bexiga através de uma falha na parede abdominal anterior, acompanhada de epispádia e separação da sínfise púbica. Nesses casos, a incontinência é total e contínua, pois há comprometimento completo do mecanismo esfincteriano.
A compreensão dessas diferenças é essencial para o diagnóstico e o planejamento cirúrgico. Enquanto a hipospádia é predominantemente um problema estético-funcional da uretra distal, a epispádia e a extrofia vesical envolvem estruturas mais profundas, como o colo vesical e o esfíncter uretral. A incontinência urinária, quando presente, é um marcador de gravidade e indica a necessidade de reconstrução funcional mais complexa. A banca explora exatamente essa fronteira: a associação entre a localização do meato e o comprometimento esfincteriano.
Na prática clínica, o exame físico detalhado é o primeiro passo. Na hipospádia, observa-se o meato ventral, frequentemente associado a curvatura peniana (chordee) e prepúcio em capuz dorsal. Na epispádia, o meato é dorsal e o pênis tende a ser curto e largo, com o prepúcio ventral. Na extrofia vesical, a bexiga é visível na parede abdominal, com a mucosa avermelhada e úmida. A avaliação da continência é crucial: na hipospádia, a criança geralmente é continente; na epispádia, a continência pode ser parcial ou ausente; na extrofia, é sempre ausente. Essa progressão anatômica — da uretra distal para o colo vesical — explica o gradiente de comprometimento funcional.
A pegadinha desta questão está em inverter as características entre hipospádia e epispádia, ou em atribuir à hipospádia complicações que são típicas da epispádia. O candidato que memoriza apenas a localização do meato (ventral vs. dorsal) sem entender a implicação funcional pode cair nos distratores. A regra de ouro é: quanto mais proximal e dorsal a anomalia, maior o risco de comprometimento esfincteriano e de incontinência.
Característica
Hipospádia
Epispádia
Complexo Extrofia Vesical-Epispádia
Localização do meato uretral
Face ventral do pênis
Face dorsal do pênis
Bexiga exposta na parede abdominal + epispádia
Mecanismo esfincteriano
Íntegro (preservado)
Frequentemente comprometido
Comprometimento completo
Continência urinária
Preservada
Pode ser parcial ou ausente
Total e contínua (sempre ausente)
Associação com malformações
Rara nas formas distais; maior nas proximais (criptorquidia, DDS)
Pode haver defeitos do colo vesical
Separação da sínfise púbica, defeitos da parede abdominal
Gravidade funcional
Menor (problema estético-funcional distal)
Intermediária
Máxima (reconstrução funcional complexa)
Espectro das anomalias uretrais
1Hipospádia (meato ventral)
Fusão incompleta das pregas uretrais
Esfíncter íntegro — continência preservada
Proximal: associa-se a DDS e malformações
2Epispádia (meato dorsal)
Compromete esfíncter uretral
Risco de incontinência
Feminina: também incontinente
3Extrofia vesical-epispádia
Bexiga exposta na parede abdominal
Incontinência total e contínua
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a hipospádia está associada à deficiência primária do colo vesical, cursando com incontinência desde o nascimento. Isso é falso: na hipospádia, o colo vesical e o esfíncter uretral são normais, e a continência é preservada. A incontinência desde o nascimento é característica do complexo extrofia vesical-epispádia, não da hipospádia. A banca troca a localização da anomalia (uretra distal) por um comprometimento proximal que não ocorre.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A epispádia isolada, por envolver a face dorsal da uretra e frequentemente o esfíncter uretral, apresenta maior risco de comprometimento do mecanismo esfincteriano quando comparada à hipospádia. Enquanto a hipospádia é uma anomalia distal que preserva a continência, a epispádia pode cursar com incontinência de graus variados, mesmo na ausência de extrofia vesical. Essa é a distinção funcional central entre as duas condições.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Descreve a extrofia vesical como "abertura ventral da uretra, associada à fusão incompleta das pregas uretrais". Isso é uma descrição da hipospádia, não da extrofia vesical. A extrofia vesical é caracterizada pela exposição da bexiga na parede abdominal anterior, com epispádia (abertura dorsal) e separação da sínfise púbica. A banca inverte os termos: "ventral" e "fusão incompleta das pregas uretrais" são próprios da hipospádia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a hipospádia proximal raramente se associa a malformações do trato urinário ou a distúrbios da diferenciação sexual. Na verdade, a hipospádia proximal (formas penoescrotal, escrotal ou perineal) tem maior associação com anomalias do trato urinário superior e com distúrbios da diferenciação sexual, como a deficiência de 5-alfa-redutase ou a síndrome de insensibilidade androgênica. A avaliação desses pacientes deve incluir investigação de criptorquidia, ambiguidade genital e malformações renais. A banca inverte a relação: quanto mais proximal a hipospádia, maior a chance de associações.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a epispádia feminina cursa, na maioria dos casos, com continência urinária preservada. Isso é falso: a epispádia feminina, embora rara, frequentemente compromete o mecanismo esfincteriano, cursando com incontinência urinária. A epispádia, em ambos os sexos, está associada a defeitos do colo vesical e do esfíncter uretral, sendo a continência a exceção, não a regra. A banca generaliza a preservação da continência, que é típica da hipospádia, para a epispádia.