Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg726499
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Pediátrica
Lactente de 9 meses é levado à emergência com história de episódios intermitentes de choro intenso, palidez súbita e vômitos. A mãe relata fezes com muco e estrias de sangue. Ao exame físico, o paciente encontra-se hemodinamicamente estável, sem sinais de peritonite. Ultrassonografia abdominal evidencia imagem em “alvo” compatível com invaginação ileocólica. Diante desse cenário, qual é a conduta inicial mais adequada?
ALaparotomia imediata para redução manual da invaginação.
BAntibioticoterapia profilática seguida de observação clínica.
CAdministração de laxativos para facilitar a redução espontânea.
DApendicectomia laparoscópica devido à sobreposição clínica com apendicite.
ERedução não cirúrgica guiada por imagem, após adequada ressuscitação volêmica.
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GabaritoE — Redução não cirúrgica guiada por imagem, após adequada ressuscitação volêmica.
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Invaginação intestinal no lactente: conduta inicial
Gabarito: letra E. Em lactente com invaginação ileocólica, hemodinamicamente estável e sem sinais de peritonite, a conduta inicial é a redução não cirúrgica guiada por imagem (enema hidrostático ou pneumático), após adequada ressuscitação volêmica. A cirurgia fica reservada para falha da redução não cirúrgica, instabilidade hemodinâmica ou sinais de peritonite/perfuração.
A invaginação intestinal (intussuscepção) é a causa mais comum de obstrução intestinal em lactentes entre 3 meses e 3 anos, com pico entre 5 e 9 meses. Ocorre quando um segmento proximal do intestino "invagina" (entra) no segmento distal, como um telescópio, levando a obstrução e, se não tratada, isquemia e necrose intestinal. O quadro clássico é a tríade de dor abdominal em cólica (choro intenso e intermitente), vômitos e fezes com sangue em "geleia de groselha" — embora a tríade completa esteja presente em menos de 50% dos casos. No caso descrito, o lactente apresenta choro intenso, palidez, vômitos e fezes com muco e sangue, e a ultrassonografia confirma o diagnóstico com o sinal do "alvo" (ou "rosquinha").
O tratamento de primeira linha é a redução não cirúrgica, realizada por enema (hidrostático com contraste ou pneumático) sob controle fluoroscópico ou ultrassonográfico. O procedimento utiliza a pressão do líquido ou ar para "desinvaginar" o intestino, com taxa de sucesso de 80-90% quando realizado precocemente. A contraindicação absoluta é a presença de peritonite, perfuração ou choque; a relativa inclui sinais de sofrimento intestinal avançado (sangramento importante, distensão abdominal acentuada). Por isso, a estabilização clínica com ressuscitação volêmica é essencial antes do procedimento.
A cirurgia (laparotomia com redução manual ou ressecção intestinal) é indicada quando: (1) há falha da redução não cirúrgica; (2) há contraindicação ao enema (peritonite, perfuração, instabilidade hemodinâmica); ou (3) há suspeita de causa patológica (pólipo, divertículo de Meckel, tumor) como ponto de partida da invaginação. No paciente do enunciado, que está estável e sem peritonite, a cirurgia imediata seria precipitada e não é a conduta inicial.
A grande pegadinha desta questão é confundir o manejo da invaginação com o de outras emergências abdominais (apendicite, obstrução por outras causas) ou aplicar condutas inadequadas como laxativos ou apenas observação. O ponto-chave é reconhecer que, na invaginação sem complicações, a redução por enema é o padrão-ouro inicial, e a cirurgia é reservada para os casos complicados ou refratários.
1Estabilizar (ressuscitação volêmica)
2Avaliar peritonite/perfuração
3Sem contraindicação → enema redutor
4Falha/contraindicação → cirurgia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A laparotomia imediata não é a conduta inicial em paciente estável, sem peritonite. A cirurgia é reservada para falha da redução não cirúrgica, contraindicação ao enema (peritonite, perfuração, choque) ou suspeita de causa patológica. Realizar cirurgia de imediato expõe o paciente a riscos desnecessários quando há método menos invasivo e eficaz disponível.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Antibioticoterapia profilática seguida de observação clínica não trata a invaginação. A invaginação é uma obstrução mecânica que requer redução do segmento invaginado; antibióticos não têm papel na resolução do quadro e a observação clínica sem intervenção pode levar à progressão para isquemia e necrose intestinal. Antibióticos seriam indicados apenas em caso de peritonite ou após intervenção cirúrgica, não como conduta inicial.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Administrar laxativos é contraindicado e perigoso na invaginação. A obstrução intestinal mecânica não é resolvida com laxativos; pelo contrário, aumentam o peristaltismo e podem agravar a invaginação, além de mascarar a evolução clínica. O tratamento exige a redução mecânica do segmento invaginado, não estímulo do trânsito intestinal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Apendicectomia laparoscópica é completamente inadequada. O diagnóstico de invaginação foi confirmado por ultrassonografia (imagem em "alvo"), não havendo indicação de apendicectomia. Embora a apendicite possa fazer parte do diagnóstico diferencial de dor abdominal, o quadro clínico e o exame de imagem apontam claramente para invaginação ileocólica. A conduta deve ser direcionada à redução da invaginação, não à remoção do apêndice.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A redução não cirúrgica guiada por imagem (enema hidrostático ou pneumático) é a conduta inicial de escolha para invaginação intestinal em lactente estável, sem sinais de peritonite. A ressuscitação volêmica prévia é fundamental para garantir estabilidade hemodinâmica durante o procedimento. Este é o padrão-ouro de tratamento, com alta taxa de sucesso e menor morbidade comparado à cirurgia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o manejo da invaginação e o de outras emergências abdominais. O candidato pode ser tentado a escolher a laparotomia imediata (alternativa A) por pensar em obstrução intestinal, mas a presença de estabilidade hemodinâmica e ausência de peritonite são os critérios que indicam a tentativa de redução não cirúrgica primeiro. Lembre-se: cirurgia é para os casos complicados ou refratários, não para o paciente estável.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de invaginação intestinal, avalie sempre: (1) estabilidade hemodinâmica; (2) presença de peritonite/perfuração. Se estável e sem peritonite → redução não cirúrgica (enema). Se instável, com peritonite ou falha do enema → cirurgia. Essa sequência lógica resolve a maioria das questões sobre o tema.