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Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaOtorrinolaringologia
Código
qg726505
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Pediátrica
Recém-nascido apresenta estridor inspiratório desde os primeiros dias de vida, exacerbado durante a alimentação e em posição supina. O exame por fibrolaringoscopia demonstra colapso das estruturas supraglóticas durante a inspiração. Não há outras malformações associadas e o ganho ponderal é adequado. Com base nas evidências atuais sobre anomalias congênitas das vias aéreas, a conduta mais apropriada nesse caso é
  1. Aindicar traqueostomia precoce, devido ao risco de obstrução progressiva da via aérea.
  2. Brealizar correção cirúrgica imediata por via aberta, independentemente da gravidade clínica.
  3. Cadotar conduta conservadora, com acompanhamento clínico e tratamento dos fatores agravantes, reservando cirurgia para casos graves.
  4. Dindicar ressecção das cartilagens supraglóticas como tratamento de primeira linha.
  5. Eprogramar correção cirúrgica eletiva após os 6 meses de idade em todos os casos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — adotar conduta conservadora, com acompanhamento clínico e tratamento dos fatores agravantes, reservando cirurgia para casos graves.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Laringomalácia: conduta conservadora no recém-nascido

Gabarito: letra C. O quadro descrito — estridor inspiratório desde os primeiros dias, exacerbado na alimentação e em decúbito dorsal, com colapso das estruturas supraglóticas à fibrolaringoscopia — é a apresentação clássica da laringomalácia, a causa mais comum de estridor congênito. Como o ganho ponderal está adequado e não há outras malformações, a conduta é conservadora, com acompanhamento clínico e manejo dos fatores agravantes, reservando a cirurgia (supraglotoplastia) para os casos graves com repercussão respiratória ou alimentar significativa.

A laringomalácia é uma anomalia congênita caracterizada por flacidez e colapso das estruturas supraglóticas (epiglote em forma de Ω, aritenoides redundantes e pregas ariepiglóticas curtas) durante a inspiração. Esse colapso gera obstrução parcial da via aérea, manifestada como estridor inspiratório, que tipicamente surge nas primeiras semanas de vida, piora com o choro, alimentação e posição supina, e melhora em pronação. A fisiopatologia envolve imaturidade neuromuscular e cartilaginosa da laringe, que tende a melhorar espontaneamente com o crescimento.

A história natural da doença é de resolução espontânea na grande maioria dos casos, geralmente entre 12 e 24 meses de vida. Por isso, o tratamento de primeira linha é conservador: orientação aos pais, acompanhamento do ganho ponderal e do padrão respiratório, e tratamento de fatores que agravam o refluxo gastroesofágico (frequentemente associado) e a obstrução nasal. A cirurgia — supraglotoplastia, que consiste na ressecção das pregas ariepiglóticas e de tecido redundante das aritenoides — fica reservada para cerca de 10-20% dos casos com indicação formal: estridor grave com retrações torácicas importantes, apneia, cianose, dificuldade alimentar com baixo ganho ponderal, ou cor pulmonale.

A distinção que importa aqui é entre a laringomalácia leve/moderada (conduta expectante) e a forma grave (cirúrgica). Os critérios de gravidade são clínicos: desconforto respiratório significativo, hipoxemia, falha de crescimento, episódios de apneia ou cianose. No caso apresentado, o ganho ponderal adequado e a ausência de outras malformações indicam forma leve, tornando a cirurgia desnecessária neste momento. A pegadinha da banca é justamente a tentação de indicar cirurgia precoce em todo estridor congênito, quando a evidência atual é clara: a maioria resolve espontaneamente e a cirurgia tem indicação seletiva.

Guarde o critério decisivo: laringomalácia sem repercussão clínica significativa = conduta conservadora; laringomalácia grave (baixo ganho ponderal, apneia, cianose, cor pulmonale) = supraglotoplastia. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Laringomalácia
  • 1Forma leve/moderada
    • Conduta conservadora
    • Acompanhamento clínico
    • Tratar fatores agravantes (RGE, obstrução nasal)
  • 2Forma grave
    • Critérios
      • baixo ganho ponderal, apneia, cianose, cor pulmonale
    • Supraglotoplastia (cirurgia endoscópica)
  • 3Evolução
    • Resolução espontânea (12-24 meses)
    • Traqueostomia: excepcional
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A traqueostomia é uma medida extrema, reservada para obstrução grave da via aérea que não pode ser manejada por outros meios. Na laringomalácia, mesmo nos casos graves, a supraglotoplastia é o procedimento de escolha, e a traqueostomia fica para situações excepcionais (falha da cirurgia, comorbidades graves). Indicá-la precocemente em um caso com ganho ponderal adequado e sem desconforto respiratório significativo é totalmente desproporcional e contrário à conduta baseada em evidências.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A correção cirúrgica imediata por via aberta não é indicada em nenhum cenário de laringomalácia. A cirurgia de escolha é a supraglotoplastia, realizada por via endoscópica (transoral), não por via aberta. Além disso, a indicação cirúrgica é seletiva, baseada na gravidade clínica, e nunca "independentemente da gravidade". A alternativa erra tanto na via de acesso quanto na ausência de critério de indicação.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta correta. A laringomalácia leve, sem repercussão no ganho ponderal e sem desconforto respiratório significativo, deve ser manejada de forma conservadora: acompanhamento clínico regular, orientação aos pais sobre a evolução benigna e tratamento dos fatores agravantes (refluxo gastroesofágico, obstrução nasal, posicionamento). A cirurgia fica reservada para os casos graves, com critérios bem definidos. A alternativa espelha exatamente a recomendação das evidências atuais.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A ressecção das cartilagens supraglóticas (supraglotoplastia) é o tratamento cirúrgico da laringomalácia, mas não é tratamento de primeira linha. É indicada apenas nos casos graves, após falha do manejo conservador ou quando há critérios de gravidade. A alternativa erra ao colocar a cirurgia como primeira opção, ignorando a alta taxa de resolução espontânea.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A cirurgia eletiva após os 6 meses "em todos os casos" é incorreta por dois motivos: (1) a maioria dos casos não precisa de cirurgia, pois resolve espontaneamente; (2) a indicação cirúrgica é baseada na gravidade clínica, não em idade fixa. Programar cirurgia para todos os pacientes, independentemente da evolução, é conduta inadequada e contrária à prática baseada em evidências.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a ansiedade do candidato em indicar intervenção precoce diante de um estridor congênito. A armadilha está em tratar a laringomalácia como uma emergência cirúrgica, quando a regra é o oposto: a maioria resolve espontaneamente, e a cirurgia (supraglotoplastia) é reservada para os casos graves com repercussão clínica. O enunciado entrega os dados que apontam para a forma leve — ganho ponderal adequado e ausência de outras malformações —, e o candidato que não conecta esses dados à conduta conservadora cai nas alternativas cirúrgicas.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, ao se deparar com estridor inspiratório no recém-nascido, monte o raciocínio em etapas: (1) reconheça a apresentação clássica da laringomalácia (estridor desde os primeiros dias, piora na alimentação e supino, melhora em pronação); (2) avalie os sinais de gravidade (ganho ponderal, desconforto respiratório, apneia, cianose); (3) se não houver gravidade, a conduta é conservadora. A cirurgia só entra nos casos graves. Essa sequência resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra C

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