Questão de Medicina — Cirurgia Geral — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg726523
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Torácica
Assinale a alternativa que apresenta critérios de ressecabilidade e de favorabilidade biológica para metastasectomia pulmonar.
AControle do tumor primário, ausência de sítios extratorácicos de metástase, boa reserva pulmonar.
BIdade menor que 70 anos, prognóstico de vida maior que 6 meses, ausência de outro tratamento eficaz não invasivo.
CTumor indolente, intervalo livre de doença maior que 12 meses, pouca quantidade de nódulos pulmonares.
DNódulos menores que 2cm, ausência de linfonodomegalias, tumor primário de origem epitelial.
ENódulos completamente ressecáveis, tumor indolente, alternativa terapêutica eficaz no pósoperatório.
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GabaritoE — Nódulos completamente ressecáveis, tumor indolente, alternativa terapêutica eficaz no pósoperatório.
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Metastasectomia pulmonar: critérios de ressecabilidade e favorabilidade biológica
Gabarito: letra E. A metastasectomia pulmonar é indicada quando há nódulos completamente ressecáveis, tumor indolente (com crescimento lento e longo intervalo livre de doença) e alternativa terapêutica eficaz no pós-operatório — critérios que, juntos, definem tanto a possibilidade técnica quanto a favorabilidade biológica do procedimento. A alternativa E é a única que contempla integralmente esses três pilares, sendo a resposta correta.
A metastasectomia pulmonar é um procedimento cirúrgico que visa à ressecção de metástases pulmonares, geralmente oriundas de tumores primários como sarcomas, carcinomas colorretais, renais e de cabeça e pescoço. O racional do procedimento é que, em um grupo selecionado de pacientes, a remoção completa das metástases pulmonares pode proporcionar sobrevida prolongada e até cura, desde que a doença seja biologicamente favorável. Por isso, a seleção criteriosa dos pacientes é fundamental: operar quem não se beneficia expõe o paciente a morbidade sem ganho, enquanto deixar de operar quem poderia se beneficiar perde uma janela de oportunidade.
Os critérios de ressecabilidade e favorabilidade biológica são tradicionalmente agrupados em três eixos principais. O primeiro é o controle do tumor primário: a cirurgia só faz sentido se o tumor de origem estiver controlado ou for controlável, pois a metastasectomia não trata a doença primária ativa. O segundo é a ausência de doença extratorácica: metástases em outros órgãos (fígado, ossos, cérebro) indicam doença sistêmica disseminada, na qual a cirurgia pulmonar isolada tem pouco ou nenhum benefício. O terceiro é a capacidade de ressecção completa (R0): todos os nódulos devem ser passíveis de ressecção com margens livres, preservando função pulmonar suficiente. A esses critérios somam-se fatores de favorabilidade biológica, como o intervalo livre de doença (ILD) prolongado (geralmente > 12 meses), o tempo de duplicação tumoral lento (tumor indolente) e o número limitado de nódulos.
Na prática, o cirurgião avalia o paciente com base em exames de imagem (TC de tórax de alta resolução, PET-CT) e na história clínica. Por exemplo, um paciente com sarcoma de partes moles, tratado há 3 anos, que apresenta 2 nódulos pulmonares únicos, com crescimento lento documentado, e sem outras metástases, é um candidato ideal. Já um paciente com múltiplos nódulos bilaterais, intervalo livre de doença curto e tumor primário ativo provavelmente não se beneficiará da cirurgia. A decisão é sempre multidisciplinar, envolvendo cirurgião torácico, oncologista e radiologista.
A distinção crucial que a banca explora é entre critérios de ressecabilidade (o que é tecnicamente possível e seguro) e critérios de favorabilidade biológica (o que indica que a doença se comporta de forma menos agressiva e, portanto, o paciente tende a se beneficiar). A alternativa correta precisa contemplar ambos os aspectos. As alternativas incorretas misturam critérios incompletos, irrelevantes ou até contraindicações, como idade avançada ou ausência de tratamento pós-operatório.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar critérios de favorabilidade biológica por critérios genéricos de oncologia ou por contraindicações. Por exemplo, a alternativa B menciona "idade menor que 70 anos" e "prognóstico de vida maior que 6 meses" — a idade não é critério absoluto, e a expectativa de vida curta é justamente uma contraindicação relativa, não um critério de favorabilidade. A alternativa D cita "nódulos menores que 2cm" e "tumor primário de origem epitelial" — o tamanho isolado não define ressecabilidade, e a origem epitelial não é fator decisivo. Fique atento: o que define a indicação é a combinação de ressecabilidade completa, doença indolente e possibilidade de tratamento adjuvante eficaz.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Embora "controle do tumor primário" e "ausência de sítios extratorácicos" sejam critérios clássicos e corretos, a alternativa falha ao incluir apenas "boa reserva pulmonar" como terceiro critério. A reserva pulmonar é um requisito para a cirurgia, mas não é um critério de favorabilidade biológica — ela avalia a segurança funcional do procedimento, não a biologia do tumor. Além disso, a alternativa omite critérios essenciais como o intervalo livre de doença e a possibilidade de ressecção completa, que são centrais na decisão. A ausência desses elementos torna a alternativa incompleta e, portanto, incorreta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Esta alternativa traz critérios que não são aceitos como indicação para metastasectomia. A "idade menor que 70 anos" não é um critério absoluto — pacientes idosos com boa performance status podem ser candidatos. O "prognóstico de vida maior que 6 meses" é um limiar arbitrário e, na prática, a expectativa de vida curta é uma contraindicação relativa, não um critério de favorabilidade. A "ausência de outro tratamento eficaz não invasivo" é um conceito invertido: a metastasectomia é indicada justamente quando há benefício potencial, e a existência de alternativas não invasivas (como radioterapia ablativa) não exclui a cirurgia, mas é um fator a considerar. A alternativa confunde critérios de seleção com contraindicações e não aborda a biologia tumoral.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C acerta ao mencionar "tumor indolente" e "intervalo livre de doença maior que 12 meses", que são critérios de favorabilidade biológica. No entanto, "pouca quantidade de nódulos pulmonares" é um critério vago e incompleto — o número de nódulos é relevante, mas o que importa é a possibilidade de ressecção completa de todos eles, não apenas a quantidade. Além disso, a alternativa omite completamente os critérios de ressecabilidade (como controle do tumor primário e ausência de doença extratorácica) e a necessidade de tratamento adjuvante eficaz. A ausência desses elementos torna a alternativa parcialmente correta, mas insuficiente para ser a resposta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Esta alternativa apresenta critérios que não são determinantes. "Nódulos menores que 2cm" — o tamanho isolado não define ressecabilidade; nódulos maiores podem ser ressecados se houver função pulmonar adequada. "Ausência de linfonodomegalias" — a presença de linfonodos mediastinais comprometidos é um fator de pior prognóstico, mas sua ausência não é um critério de favorabilidade biológica em si. "Tumor primário de origem epitelial" — a origem histológica influencia o prognóstico, mas não é um critério de seleção para metastasectomia; sarcomas, por exemplo, também são candidatos. A alternativa mistura fatores prognósticos com critérios de indicação e não aborda a ressecabilidade completa nem a biologia tumoral.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa E é a única que apresenta, de forma completa e correta, os critérios de ressecabilidade e favorabilidade biológica. "Nódulos completamente ressecáveis" é o critério central de ressecabilidade — a cirurgia só é indicada se for possível remover todas as lesões com margens livres. "Tumor indolente" é um critério de favorabilidade biológica — tumores de crescimento lento, com longo intervalo livre de doença, têm melhor prognóstico e maior benefício da cirurgia. "Alternativa terapêutica eficaz no pós-operatório" é um critério que reflete a possibilidade de tratamento adjuvante (quimioterapia, terapia-alvo, imunoterapia), que aumenta as chances de controle da doença. A combinação desses três elementos define o paciente ideal para metastasectomia pulmonar.
A regra de ouro para a prova: a metastasectomia pulmonar é indicada quando a doença é tecnicamente ressecável (nódulos completamente ressecáveis), biologicamente favorável (tumor indolente, longo intervalo livre de doença) e clinicamente manejável (controle do tumor primário, ausência de doença extratorácica e possibilidade de tratamento adjuvante). Guarde esses três pilares e você acertará qualquer questão sobre o tema.