Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oncologia
Código
qg726545
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Torácica
Em relação ao câncer de pulmão em pacientes não fumantes, assinale a alternativa correta.
AOs tumores apresentam número de mutações somáticas (TMB) mais elevado.
BHá uma tendência à melhor resposta terapêutica com uso de imunoterapia.
CSempre tem indicação de estadiamento mediastinal invasivo independente do descritor T, uma vez que há maior chance de metástases ocultas.
DTem incidência menor do que em fumantes, apesar de manter a mesma proporcionalidade em homens e mulheres.
EA incidência de mutações acionáveis é maior do que nos tumores de pacientes tabagistas.
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GabaritoE — A incidência de mutações acionáveis é maior do que nos tumores de pacientes tabagistas.
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Câncer de pulmão em não fumantes: perfil molecular e implicações terapêuticas
Gabarito: letra E. O câncer de pulmão em pacientes não fumantes apresenta maior incidência de mutações acionáveis (como EGFR, ALK, ROS1, HER2) em comparação aos tumores de tabagistas, que são mais frequentemente associados a mutações como KRAS e maior carga mutacional (TMB). Essa diferença molecular é decisiva para a escolha da terapia-alvo, conforme reconhecido na literatura oncológica atual.
O câncer de pulmão em não fumantes é uma entidade clinicamente e molecularmente distinta da doença em tabagistas. Enquanto o tabagismo é o principal fator de risco, responsável por cerca de 87% dos casos, uma parcela significativa (até 15% dos CPNPC) ocorre em indivíduos que nunca fumaram, predominantemente adenocarcinomas. Esses tumores apresentam um perfil genômico peculiar: menor carga mutacional (TMB), maior frequência de alterações oncogênicas "acionáveis" (EGFR, ALK, ROS1, HER2, RET, NTRK, MET) e, consequentemente, melhor resposta a terapias-alvo específicas. Por outro lado, os tumores de tabagistas tendem a ter maior TMB, maior resposta à imunoterapia, mas menor incidência de mutações acionáveis clássicas.
A compreensão dessas diferenças é fundamental na prática clínica, pois orienta a testagem molecular e a seleção terapêutica. Em pacientes não fumantes com adenocarcinoma metastático, a probabilidade de encontrar uma mutação acionável é alta, justificando a realização de painéis genômicos abrangentes. Já em tabagistas, a imunoterapia pode ser mais eficaz devido à maior imunogenicidade tumoral, embora a testagem molecular também seja recomendada.
A alternativa E captura exatamente essa distinção: a incidência de mutações acionáveis é maior em não fumantes. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou generalizações indevidas, como veremos a seguir.
Característica
Não fumantes
Tabagistas
Carga mutacional (TMB)
Baixa
Alta
Mutações acionáveis (EGFR, ALK, ROS1, HER2)
Frequentes
Menos frequentes
Mutações comuns (ex.: KRAS)
Menos frequentes
Frequentes
Resposta à imunoterapia
Menor
Maior
Estratégia terapêutica principal
Terapia-alvo
Imunoterapia
Câncer de pulmão em não fumantes: Perfil molecular (TMB baixa, Mutações acionáveis (EGFR, ALK, ROS1, HER2)); Terapêutica (Terapia-alvo (melhor resposta), Imunoterapia (menos eficaz)); Epidemiologia (Mais comum em mulheres, Predomínio de adenocarcinoma)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que os tumores em não fumantes apresentam TMB mais elevado. Na realidade, ocorre o oposto: tumores de não fumantes têm menor carga mutacional (TMB) em comparação aos de tabagistas, que acumulam mais mutações devido à exposição prolongada a carcinógenos do tabaco. A TMB elevada está associada ao tabagismo e à melhor resposta à imunoterapia, não ao perfil de não fumantes.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sugere tendência à melhor resposta à imunoterapia em não fumantes. Na verdade, a resposta à imunoterapia é geralmente menor em tumores de não fumantes, justamente por apresentarem menor TMB e menor imunogenicidade. A imunoterapia tende a ser mais eficaz em tumores com alta TMB, como os de tabagistas. A melhor estratégia para não fumantes costuma ser a terapia-alvo, quando há mutação acionável.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que "sempre" há indicação de estadiamento mediastinal invasivo independente do descritor T. Essa é uma generalização indevida. A indicação de estadiamento mediastinal invasivo (como mediastinoscopia ou EBUS-TBNA) depende do estádio clínico, do tamanho do tumor (T), da presença de linfonodos suspeitos (N) e da viabilidade do procedimento. Não é uma regra absoluta para todos os casos, e a decisão é individualizada conforme as diretrizes de estadiamento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Diz que a incidência é menor em não fumantes, mas mantém a mesma proporcionalidade entre homens e mulheres. Embora a incidência seja de fato menor em não fumantes, a proporcionalidade entre sexos não é a mesma: o câncer de pulmão em não fumantes é mais comum em mulheres, especialmente no subtipo adenocarcinoma. A afirmação de que a proporcionalidade se mantém é incorreta.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A incidência de mutações acionáveis é maior em tumores de não fumantes. Isso é amplamente reconhecido: alterações em EGFR, ALK, ROS1, HER2, RET, NTRK e MET são mais frequentes em não fumantes, especialmente em adenocarcinomas. Essas mutações permitem o uso de terapias-alvo específicas, como inibidores de EGFR (osimertinibe), inibidores de ALK (alectinibe, lorlatinibe) e outros, proporcionando melhor resposta e sobrevida. Em contraste, tumores de tabagistas têm maior frequência de mutações KRAS e maior TMB, com menor incidência de alvos acionáveis clássicos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação automática entre "não fumante" e "melhor resposta à imunoterapia" (alternativa B), quando na verdade a imunoterapia tende a ser menos eficaz nesse grupo. O candidato pode confundir TMB elevada (tabagistas) com maior número de mutações acionáveis (não fumantes). Lembre-se: TMB alta ≠ mutação acionável. Em não fumantes, o caminho é a testagem molecular para terapia-alvo.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre câncer de pulmão, monte um quadro mental: Tabagista → TMB alta, KRAS, imunoterapia; Não fumante → TMB baixa, EGFR/ALK/ROS1/HER2, terapia-alvo. Essa dicotomia resolve a maioria das questões sobre o tema.