Questão de Medicina — Pneumologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pneumologia
Código
qg726547
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Torácica
Qual é a conduta a ser dada para um paciente masculino de 62 anos, tabagista ativo 30 anos/maço – sem outras comorbidades importantes – com queixa de tosse oligoprodutiva há 3 semanas e que deseja avaliar a possibilidade de estar com câncer de pulmão?
ASolicitar raio-X de tórax e espirometria para avaliação inicial.
BSolicitar espirometria para definir necessidade do uso de broncodilatador; orientar ativamente a cessação do tabagismo.
CSolicitar TC de tórax para rastreamento e encaminhar para avaliação de terapia cognitivo comportamental; orientar ativamente cessação do tabagismo e oferecer terapia de reposição de nicotina.
DSolicitar TC de tórax e espirometria; encaminhar para broncoscopia para propedêutica da tosse.
ESolicitar PET-CT para rastreamento e iniciar broncodilatador para tratamento de DPOC presumido.
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GabaritoC — Solicitar TC de tórax para rastreamento e encaminhar para avaliação de terapia cognitivo comportamental; orientar ativamente cessação do tabagismo e oferecer terapia de reposição de nicotina.
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Câncer de pulmão: rastreamento e conduta no tabagista sintomático
Gabarito: letra C. O paciente de 62 anos, tabagista ativo com carga de 30 maços-ano, preenche os critérios da USPSTF para rastreamento de câncer de pulmão com TC de tórax de baixa dose anual (idade entre 55 e 80 anos, carga tabágica ≥ 30 maços-ano). Além disso, a conduta correta inclui orientar ativamente a cessação do tabagismo e oferecer terapia de reposição de nicotina (TRN) — a estratégia de prevenção mais efetiva do câncer de pulmão é o abandono do tabagismo, e a abordagem do tabagista deve combinar intervenção não medicamentosa (aconselhamento) e medicamentosa (TRN). A alternativa C é a única que contempla simultaneamente o rastreamento adequado e o tratamento da dependência de nicotina.
O câncer de pulmão é a neoplasia mais letal, e o tabagismo é seu principal fator de risco. A carga tabágica é medida em maços-ano (número de maços por dia × anos de tabagismo). O paciente do enunciado tem 30 maços-ano (1 maço/dia × 30 anos), o que o coloca exatamente no limiar de risco para o rastreamento. A USPSTF (United States Preventive Services Task Force) recomenda o rastreamento anual com TC de tórax sem contraste e de baixa dose para adultos de 55 a 80 anos, fumantes atuais ou ex-fumantes que pararam há menos de 15 anos, com histórico de ≥ 30 maços-ano. Essa recomendação se baseia em ensaio clínico que demonstrou redução de 20% na mortalidade específica por câncer de pulmão nessa população.
A tosse oligoprodutiva há 3 semanas, isoladamente, não é indicação de rastreamento — mas o perfil do paciente (idade + carga tabágica) é. O que a questão testa é o conhecimento de que, diante de um tabagista de alto risco, a conduta é dupla: (1) rastrear com TC de baixa dose e (2) tratar o tabagismo, que é a medida preventiva mais eficaz. A cessação do tabagismo reduz o risco de câncer de pulmão, melhora a resposta ao tratamento e aumenta a sobrevida. O tratamento da dependência de nicotina combina aconselhamento estruturado (terapia cognitivo-comportamental) com farmacoterapia (TRN, bupropiona, vareniclina) — a associação é mais eficaz que qualquer intervenção isolada.
A espirometria, por sua vez, é o exame para diagnóstico funcional de DPOC, não para rastreamento de câncer. O paciente pode ter DPOC (tabagista de longa data), mas o sintoma atual (tosse oligoprodutiva) e o desejo de avaliar câncer direcionam a investigação para imagem. A broncoscopia é um método diagnóstico para massas centrais já identificadas, não um exame de rastreamento. O PET-CT é usado para estadiamento, não para rastreamento. O raio-X de tórax tem sensibilidade limitada para nódulos pequenos e não é o exame recomendado para rastreamento.
A pegadinha central é a confusão entre rastreamento (população assintomática de alto risco → TC de baixa dose) e investigação diagnóstica (paciente sintomático com suspeita → TC contrastada, broncoscopia, biópsia). O paciente tem tosse, mas o que ele deseja é "avaliar a possibilidade de estar com câncer" — e, por ser elegível para rastreamento, a TC de baixa dose é o exame inicial apropriado. Além disso, a banca explora a tendência de solicitar espirometria (exame de DPOC) em todo tabagista, quando o foco aqui é o rastreamento oncológico e a cessação do tabagismo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o exame de rastreamento (TC de baixa dose, em fumantes de alto risco) pelo exame de investigação diagnóstica (broncoscopia, PET-CT) e pelo exame de DPOC (espirometria). O candidato que associa "tabagista + tosse" a DPOC cai na espirometria; o que pensa em câncer já estabelecido cai na broncoscopia. O critério é: paciente elegível para rastreamento (idade + carga tabágica) → TC de baixa dose anual + cessação do tabagismo com suporte farmacológico.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Solicitar raio-X de tórax e espirometria para avaliação inicial. O raio-X de tórax tem sensibilidade limitada para nódulos pulmonares pequenos e não é o exame recomendado para rastreamento de câncer de pulmão — a USPSTF preconiza a TC de baixa dose. A espirometria avalia função pulmonar (DPOC), não rastreia neoplasia. A alternativa ignora o rastreamento adequado e a abordagem do tabagismo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Solicitar espirometria para definir necessidade do uso de broncodilatador; orientar ativamente a cessação do tabagismo. A espirometria é o exame para diagnóstico de DPOC, mas não é o exame de rastreamento de câncer de pulmão. O paciente tem indicação de TC de baixa dose (idade + 30 maços-ano). A alternativa acerta ao orientar a cessação do tabagismo, mas omite o rastreamento oncológico, que é o desejo explícito do paciente.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Solicitar TC de tórax para rastreamento e encaminhar para avaliação de terapia cognitivo comportamental; orientar ativamente cessação do tabagismo e oferecer terapia de reposição de nicotina. A alternativa contempla os dois pilares da conduta: (1) rastreamento com TC de tórax de baixa dose (critérios USPSTF: 55–80 anos, ≥ 30 maços-ano) e (2) tratamento do tabagismo com associação de aconselhamento (terapia cognitivo-comportamental) e farmacoterapia (TRN). É a conduta mais completa e alinhada às diretrizes.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Solicitar TC de tórax e espirometria; encaminhar para broncoscopia para propedêutica da tosse. A broncoscopia é um método diagnóstico invasivo para massas centrais já identificadas, não um exame de rastreamento. Solicitar broncoscopia sem lesão identificada é conduta inadequada e iatrogênica. A TC de tórax aqui seria de baixa dose para rastreamento, não contrastada para investigação. A alternativa também omite a abordagem do tabagismo, que é essencial.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Solicitar PET-CT para rastreamento e iniciar broncodilatador para tratamento de DPOC presumido. O PET-CT é exame de estadiamento, não de rastreamento — não é recomendado para população assintomática de alto risco. Iniciar broncodilatador para "DPOC presumido" sem confirmação espirométrica é conduta inadequada. A alternativa ignora o rastreamento correto (TC de baixa dose) e a cessação do tabagismo.
Gabarito: letra C — a única que combina rastreamento adequado (TC de baixa dose) com tratamento integral do tabagismo (terapia cognitivo-comportamental + TRN).