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Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaOncologia
Código
qg726548
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Torácica
Paciente masculino de 61 anos, ex-tabagista (parou há 14 anos) com carga tabágica de 20 anos/maço, faz acompanhamento com pneumologista por causa de DPOC. TC de tórax de controle mostra surgimento de nódulo semissólido no segmento posterior do lobo superior esquerdo com diâmetro total de 1,1 cm e parte sólida de 5 mm. Diante desse achado, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta para esse caso.
  1. APET-CT para completar avaliação do nódulo.
  2. BBiopsia transtorácica para diagnóstico preciso.
  3. CBroncoscopia com coleta de lavado broncoalveolar para diagnóstico diferencial de doenças infecciosas.
  4. DPor se tratar de lesão semissólida, está indicada ressecção anatômica para diagnóstico e tratamento definitivo.
  5. ERepetir a tomografia em 3 meses para seguimento da lesão.
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GabaritoE — Repetir a tomografia em 3 meses para seguimento da lesão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Nódulo pulmonar semissólido: conduta baseada nas diretrizes de rastreamento

Gabarito: letra E. O nódulo semissólido de 1,1 cm com componente sólido de 5 mm, em paciente de 61 anos com carga tabágica relevante, enquadra-se na categoria de risco intermediário das diretrizes de rastreamento (Fleischner), que recomendam repetir a TC em 3 meses para avaliar crescimento ou resolução — conduta de seguimento, não de intervenção imediata. A conduta correta é a letra E, pois o nódulo não atinge os critérios de tamanho do componente sólido (≥ 6 mm) que indicariam investigação mais agressiva, e o seguimento precoce é a estratégia recomendada para lesões semissólidas nessa faixa de risco.

O nódulo pulmonar é um achado cada vez mais frequente com o uso disseminado da tomografia computadorizada, e a conduta diante dele segue algoritmos baseados em risco, que consideram o tamanho, a morfologia (sólido, subsólido, semissólido) e o perfil do paciente (idade, tabagismo, história familiar). A classificação de Fleischner, amplamente adotada, estratifica os nódulos em categorias de risco e define o intervalo de seguimento — que pode ser de 3, 6 ou 12 meses, ou a indicação de exames mais avançados como PET-CT ou biópsia, dependendo do tamanho e da morfologia.

No caso apresentado, o nódulo é semissólido (parte sólida + parte em vidro fosco), com diâmetro total de 1,1 cm e componente sólido de 5 mm. As diretrizes de Fleischner para nódulos subsólidos recomendam, para nódulos semissólidos com componente sólido < 6 mm, o seguimento com TC em 3 meses para avaliar persistência e crescimento. Isso porque uma parcela significativa dessas lesões corresponde a processos inflamatórios ou infecciosos transitórios que regridem espontaneamente, e o seguimento precoce permite identificar essa regressão sem submeter o paciente a procedimentos invasivos desnecessários.

A alternativa E é a conduta correta porque o nódulo não preenche critérios para intervenção imediata: o componente sólido de 5 mm está abaixo do limiar de 6 mm que indicaria investigação mais agressiva, e o diâmetro total de 1,1 cm, embora relevante, não é, por si só, indicação de biópsia ou ressecção. O seguimento em 3 meses é a recomendação das diretrizes para essa categoria, permitindo avaliar a evolução da lesão e decidir os próximos passos com base em dados objetivos de crescimento.

A pegadinha central desta questão é a tentação de tratar o nódulo semissólido como uma lesão que exige diagnóstico imediato, quando as diretrizes recomendam justamente o contrário: o seguimento precoce. O candidato que associa automaticamente "nódulo em ex-tabagista" a "câncer" tende a escolher PET-CT ou biópsia, mas a conduta baseada em evidências prioriza a observação em 3 meses para lesões semissólidas com componente sólido pequeno, evitando procedimentos invasivos em lesões que podem ser benignas e transitórias.

  1. 1TC em 3 meses
  2. 2Persistiu/cresceu?
  3. 3Sim → investigação (PET/biópsia)
  4. 4Não → seguimento prolongado
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O PET-CT não é a primeira conduta para nódulos semissólidos de risco intermediário. Ele é reservado para lesões com maior suspeita de malignidade, como nódulos sólidos ≥ 8 mm ou componentes sólidos maiores, e não substitui o seguimento tomográfico inicial. Além disso, o PET-CT tem limitações em lesões com componente em vidro fosco, que podem apresentar baixa captação mesmo quando malignas, gerando falsos negativos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A biópsia transtorácica é um procedimento invasivo com riscos (pneumotórax, hemorragia) e não está indicada como primeira conduta para nódulos semissólidos com componente sólido de 5 mm. As diretrizes recomendam o seguimento com TC antes de qualquer procedimento invasivo, justamente para evitar biópsias desnecessárias em lesões que podem regredir espontaneamente. A biópsia seria considerada se o nódulo crescesse no seguimento ou se o componente sólido fosse maior.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A broncoscopia com lavado broncoalveolar é um exame indicado para suspeita de doenças infecciosas ou inflamatórias difusas, não para avaliação de nódulo pulmonar periférico semissólido. O rendimento diagnóstico da broncoscopia para nódulos periféricos pequenos é baixo, e o procedimento não é a conduta recomendada pelas diretrizes para essa situação. O seguimento com TC é a abordagem inicial correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A ressecção anatômica (lobectomia ou segmentectomia) é um tratamento cirúrgico definitivo para neoplasias pulmonares confirmadas, não uma conduta diagnóstica inicial. Indicar ressecção para um nódulo semissólido de 1,1 cm com componente sólido de 5 mm, sem confirmação diagnóstica e sem seguimento prévio, é conduta agressiva e contrária às diretrizes. O diagnóstico de malignidade deve ser confirmado antes de qualquer ressecção, e o seguimento em 3 meses é o primeiro passo para essa avaliação.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A repetição da TC em 3 meses é a conduta recomendada pelas diretrizes de Fleischner para nódulos semissólidos com componente sólido < 6 mm. Esse intervalo permite avaliar se a lesão persiste, cresce ou regride, orientando os próximos passos: se houver crescimento do componente sólido, indica-se investigação mais agressiva (PET-CT, biópsia); se houver regressão ou estabilidade, o seguimento pode ser prolongado. Essa abordagem evita procedimentos invasivos desnecessários e é a mais adequada para o caso.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de nódulo pulmonar, memorize os limiares de Fleischner: nódulos sólidos < 6 mm em baixo risco → seguimento em 12 meses; nódulos sólidos ≥ 8 mm → PET-CT ou biópsia; nódulos semissólidos com componente sólido < 6 mm → TC em 3 meses; nódulos semissólidos com componente sólido ≥ 6 mm → TC em 3-6 meses ou investigação mais agressiva. Esses limiares são os mais cobrados em provas de oncologia e pneumologia.

Gabarito: letra E

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