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Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaOncologia
Código
qg726555
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Torácica
Em uma reunião multidisciplinar semanal da equipe de oncologia torácica, foi apresentado o seguinte caso: paciente do sexo feminino, 83 anos, nódulo semissólido no segmento posterior do lobo superior direito com 1,2 cm de maior diâmetro, já presente em exame de um ano antes com 1,0 cm. PET-CT com captação leve (SUV max = 4,3) no nódulo sem outras áreas de captação anômala. Paciente com VEF1 88% do previsto, DLCO 78% do previsto. Obesidade grau II, hipotireoidismo controlado, sem queixas respiratórias específicas. A respeito desse caso, foram apresentadas 4 opiniões de conduta:I. indicação de cirurgia curativa com segmentectomia anatômica S2D e linfadenectomia mediastinal lobo específica;II. biopsia percutânea para diagnóstico diferencial da lesão antes de indicar tratamento invasivo;III. radioterapia estereotáxica para tratamento não invasivo por se tratar de paciente octagenária com várias comorbidades associadas;IV. seguimento radiológico pelo pequeno crescimento em 12 meses;Quanto às condutas indicadas, estão corretas:
  1. Aapenas I e II.
  2. Bapenas II e IV.
  3. Capenas II, III e IV.
  4. Dapenas I, III e IV.
  5. Eapenas III e IV.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — apenas I e II.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Nódulo pulmonar subsólido em paciente idosa: conduta baseada em risco

Gabarito: letra A — estão corretas apenas as condutas I e II. O caso descreve um nódulo pulmonar subsólido de 1,2 cm com crescimento de 1,0 para 1,2 cm em 12 meses, o que configura indicação de biópsia diagnóstica (conduta II) antes de qualquer tratamento definitivo; a cirurgia curativa (conduta I) é apropriada após confirmação diagnóstica, considerando a boa reserva funcional (VEF1 88%, DLCO 78%). As condutas III e IV estão incorretas: a radioterapia estereotáxica não é a primeira escolha sem diagnóstico histológico, e o seguimento radiológico isolado é inadequado diante do crescimento documentado.

O nódulo pulmonar subsólido (que inclui nódulos de vidro fosco puro e nódulos parcialmente sólidos) representa um desafio diagnóstico. A conduta é guiada pelo risco de malignidade, avaliado por características tomográficas (tamanho, densidade, margens) e pelo comportamento evolutivo. No caso apresentado, o nódulo cresceu de 1,0 cm para 1,2 cm em 12 meses — um aumento de 20% no diâmetro maior, que é um sinal de alerta importante. As diretrizes atuais (como as da Fleischner Society e do NCCN) recomendam que nódulos subsólidos com crescimento documentado sejam investigados com biópsia, pois o crescimento é um dos principais preditores de malignidade, especialmente em lesões que já apresentam componente sólido.

A biópsia percutânea (conduta II) é o passo correto para obter diagnóstico histológico antes de qualquer tratamento invasivo. A cirurgia de ressecção pulmonar (conduta I) é o tratamento padrão para câncer de pulmão em estágio inicial, e a segmentectomia anatômica com linfadenectomia é uma opção válida, especialmente em pacientes idosos com boa função pulmonar. A paciente tem VEF1 88% e DLCO 78% do previsto, o que indica reserva funcional adequada para cirurgia. A obesidade grau II e o hipotireoidismo controlado são comorbidades que aumentam o risco cirúrgico, mas não contraindicam a ressecção em estágio inicial, desde que a função pulmonar seja preservada.

A radioterapia estereotáxica (conduta III) é uma alternativa para pacientes inoperáveis ou de alto risco cirúrgico, mas não deve ser indicada sem diagnóstico histológico confirmado. A biópsia é mandatória antes de qualquer tratamento definitivo, seja cirúrgico ou radioterápico, pois lesões benignas (como hamartomas, granulomas ou fibroses) podem mimetizar neoplasias. O seguimento radiológico (conduta IV) seria apropriado apenas para nódulos estáveis ou com crescimento muito lento, mas o crescimento de 0,2 cm em 12 meses, em um nódulo subsólido, já ultrapassa o limiar de segurança para observação — a conduta correta é a investigação diagnóstica.

A pegadinha central desta questão está em associar a idade avançada e as comorbidades à contraindicação cirúrgica automática, quando na verdade a decisão deve ser baseada na função pulmonar e no estadiamento. A paciente tem boa reserva funcional, o que a torna candidata a tratamento curativo. Além disso, a radioterapia estereotáxica não é uma alternativa "não invasiva" sem diagnóstico — ela é um tratamento definitivo que exige confirmação histológica prévia. O crescimento do nódulo é o gatilho para a biópsia, e não para a observação.

  1. 1Avaliar risco (TC + crescimento)
  2. 2Biópsia diagnóstica
  3. 3Estadiar
  4. 4Tratar (cirurgia/SBRT)
LEVEL · soulevel.com.br

Item I — ✅ Correto

A segmentectomia anatômica com linfadenectomia mediastinal é uma opção cirúrgica válida para nódulos pulmonares suspeitos em estágio inicial, especialmente em pacientes com boa função pulmonar. A paciente tem VEF1 88% e DLCO 78%, o que indica reserva funcional adequada para ressecção sublobar. A segmentectomia é particularmente apropriada em idosos, pois preserva mais parênquima pulmonar que a lobectomia, sem comprometer a sobrevida em tumores pequenos (≤ 2 cm). A linfadenectomia mediastinal lobo-específica é parte integrante do estadiamento cirúrgico. A conduta está correta, desde que precedida de confirmação diagnóstica.

Item II — ✅ Correto

A biópsia percutânea é o procedimento indicado para obter diagnóstico histológico antes de qualquer tratamento definitivo. O nódulo subsólido com crescimento documentado (de 1,0 para 1,2 cm em 12 meses) tem risco intermediário-alto de malignidade, e a biópsia é o padrão-ouro para diferenciar lesões benignas de malignas. A biópsia percutânea guiada por TC é uma técnica segura e eficaz para nódulos periféricos, como o descrito (segmento posterior do lobo superior direito). A conduta está correta e é o passo obrigatório antes de cirurgia ou radioterapia.

Item III — ❌ Incorreto

A radioterapia estereotáxica (SBRT) é uma alternativa para pacientes inoperáveis ou de alto risco cirúrgico, mas não deve ser indicada sem diagnóstico histológico. A paciente tem boa função pulmonar (VEF1 88%, DLCO 78%) e não apresenta contraindicação cirúrgica absoluta. Além disso, a SBRT é um tratamento definitivo que exige confirmação de malignidade por biópsia — indicá-la sem diagnóstico seria um erro grave, pois lesões benignas poderiam ser tratadas desnecessariamente. A idade (83 anos) e as comorbidades (obesidade, hipotireoidismo) não contraindicam a cirurgia, desde que a função pulmonar seja preservada.

Item IV — ❌ Incorreto

O seguimento radiológico seria apropriado apenas para nódulos estáveis ou com crescimento muito lento, sem características suspeitas. No caso, o nódulo cresceu de 1,0 para 1,2 cm em 12 meses (aumento de 20%), o que é um sinal de alerta para malignidade. As diretrizes recomendam que nódulos subsólidos com crescimento documentado sejam investigados com biópsia, e não apenas observados. O seguimento isolado atrasaria o diagnóstico e o tratamento de um possível câncer de pulmão em estágio inicial, comprometendo o prognóstico.

Conclusão: corretos apenas os itens I e II, portanto o gabarito é a letra A.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre idade avançada + comorbidades e contraindicação cirúrgica. A paciente tem boa função pulmonar (VEF1 88%, DLCO 78%), o que a torna candidata a tratamento curativo. Além disso, a radioterapia estereotáxica não é uma alternativa "não invasiva" sem diagnóstico — ela exige biópsia prévia. O crescimento do nódulo é o gatilho para a investigação, não para a observação.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de nódulo pulmonar, siga o fluxo: (1) avaliar risco de malignidade por características tomográficas e crescimento; (2) se suspeito, biópsia para diagnóstico; (3) se maligno, estadiar e decidir tratamento (cirurgia, SBRT, etc.) com base na função pulmonar e comorbidades. O crescimento documentado é sempre um sinal de alerta que indica biópsia, não observação.

Gabarito: letra A

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