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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg726556
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Torácica
Em relação à função cardiorrespiratória em pacientes submetidos à ressecção pulmonar para tratamento do câncer de pulmão, assinale a alternativa INCORRETA.
  1. APacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica, a despeito da maior vulnerabilidade aos impactos de uma ressecção pulmonar por neoplasia, normalmente exprimem menores declínios no VEF1 após lobectomia do que aqueles sem DPOC.
  2. BAs intervenções cardíacas mais invasivas (angioplastias percutâneas ou revascularizacões cirúrgicas) devem ser reservadas apenas aos pacientes que delas necessitarem, independentemente da perspectiva da cirurgia oncológica, visto que, quando indicadas especificamente para o período pré-operatório, têm benefício limitado, não reduzindo a mortalidade nem a incidência de eventos cardiovasculares maiores.
  3. CPacientes submetidos a lobectomias apresentam um período razoavelmente longo de recuperação funcional, que normalmente se estabiliza aproximadamente seis meses após a cirurgia.
  4. DNos pacientes que se submetem a pneumonectomias, a recuperação geralmente é limitada ao fim de três meses.
  5. EA perda funcional pulmonar não está relacionada com a localização da ressecção e heterogeneidade regional do acometimento pulmonar por algumas doenças.
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GabaritoE — A perda funcional pulmonar não está relacionada com a localização da ressecção e heterogeneidade regional do acometimento pulmonar por algumas doenças.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função cardiorrespiratória após ressecção pulmonar no câncer de pulmão

Gabarito: letra E. A alternativa incorreta afirma que a perda funcional pulmonar não está relacionada com a localização da ressecção e a heterogeneidade regional do acometimento pulmonar — o que contraria a fisiopatologia e a prática clínica: a perda funcional depende diretamente da quantidade e da qualidade do parênquima ressecado, sendo maior em ressecções de lobos com maior contribuição funcional e em pulmões com doença heterogênea (como enfisema predominante em ápices). As demais alternativas (A, B, C e D) estão corretas e refletem o conhecimento atual sobre o tema.

A avaliação da função cardiorrespiratória é etapa obrigatória no preparo de pacientes candidatos à ressecção pulmonar por câncer. O objetivo é estimar o risco cirúrgico e prever a função pulmonar pós-operatória, evitando morbimortalidade por insuficiência respiratória. A perda funcional após a cirurgia não é uniforme: ela depende da extensão da ressecção (segmentectomia < lobectomia < pneumonectomia), da localização (lobos superiores contribuem mais para o VEF1 que o lobo médio e a língula) e da qualidade do parênquima remanescente (doenças heterogêneas, como o enfisema, fazem com que a ressecção de áreas não funcionais poupe função).

Pacientes com DPOC, apesar da maior vulnerabilidade, frequentemente apresentam menores declínios no VEF1 após lobectomia quando comparados a pacientes sem DPOC. Isso ocorre porque a doença obstrutiva costuma acometer de forma heterogênea o parênquima, e a ressecção de áreas mais comprometidas (e menos funcionais) preserva relativamente o tecido sadio remanescente. Esse fenômeno é bem documentado na literatura e explica a alternativa A.

As intervenções cardíacas mais invasivas (angioplastia percutânea ou revascularização cirúrgica) não devem ser realizadas rotineiramente apenas para otimizar o risco cirúrgico da ressecção pulmonar. Estudos mostram que a revascularização pré-operatória, quando indicada especificamente para reduzir o risco da cirurgia oncológica, não reduz mortalidade nem eventos cardiovasculares maiores — o benefício é limitado. Por isso, a alternativa B está correta: essas intervenções devem ser reservadas aos pacientes que delas necessitam por indicação cardiológica própria, independentemente da perspectiva da cirurgia oncológica.

A recuperação funcional após lobectomia é gradual e costuma se estabilizar em torno de seis meses (alternativa C). Já após pneumonectomia, a recuperação funcional é mais limitada e geralmente se completa ao redor de três meses (alternativa D). Esses prazos refletem a capacidade de compensação do pulmão remanescente e a adaptação ventilatória e hemodinâmica do paciente.

A alternativa E, por sua vez, é a incorreta, pois a perda funcional está sim relacionada à localização da ressecção e à heterogeneidade regional do acometimento pulmonar. Por exemplo, a ressecção de um lobo superior (que contribui mais para o VEF1) causa maior perda funcional do que a ressecção de um lobo médio ou da língula. Além disso, em doenças heterogêneas como o enfisema, a ressecção de áreas mais destruídas (menos funcionais) resulta em menor perda funcional do que a ressecção de áreas relativamente preservadas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a extensão da ressecção (que é o fator mais óbvio) e a localização + heterogeneidade (que são fatores menos intuitivos, mas igualmente determinantes). O candidato que só pensa em "quanto foi ressecado" tende a marcar a alternativa E como correta, pois ela nega justamente esses fatores menos óbvios. Lembre-se: a perda funcional é multifatorial — extensão, localização e qualidade do parênquima remanescente importam.

Alternativa A — ✅ Correta

Afirma que pacientes com DPOC, apesar da maior vulnerabilidade, normalmente exprimem menores declínios no VEF1 após lobectomia do que aqueles sem DPOC. Isso é verdadeiro: a DPOC acomete o parênquima de forma heterogênea, e a ressecção de áreas mais comprometidas (menos funcionais) preserva relativamente o tecido sadio. O declínio funcional pós-operatório é, portanto, menor nesses pacientes.

Alternativa B — ✅ Correta

Afirma que intervenções cardíacas mais invasivas (angioplastia ou revascularização) devem ser reservadas apenas aos pacientes que delas necessitarem, independentemente da perspectiva da cirurgia oncológica, pois, quando indicadas especificamente para o pré-operatório, têm benefício limitado — não reduzindo mortalidade nem eventos cardiovasculares maiores. Isso está correto: a revascularização pré-operatória não é recomendada rotineiramente apenas para otimizar o risco cirúrgico da ressecção pulmonar.

Alternativa C — ✅ Correta

Afirma que pacientes submetidos a lobectomias apresentam um período razoavelmente longo de recuperação funcional, que normalmente se estabiliza aproximadamente seis meses após a cirurgia. Isso é verdadeiro: a recuperação funcional após lobectomia é gradual e costuma atingir um platô em torno de seis meses.

Alternativa D — ✅ Correta

Afirma que, nos pacientes que se submetem a pneumonectomias, a recuperação geralmente é limitada ao fim de três meses. Isso está correto: após pneumonectomia, a recuperação funcional é mais rápida (em termos de estabilização) e geralmente se completa ao redor de três meses, embora a perda funcional seja maior que na lobectomia.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

Afirma que a perda funcional pulmonar não está relacionada com a localização da ressecção e a heterogeneidade regional do acometimento pulmonar. Isso é falso: a perda funcional depende diretamente da localização (lobos superiores contribuem mais para o VEF1) e da heterogeneidade (em doenças como enfisema, ressecar áreas mais destruídas poupa função). A alternativa inverte a realidade clínica.

Gabarito: letra E — a única alternativa incorreta, pois nega a relação entre perda funcional, localização da ressecção e heterogeneidade do acometimento pulmonar.

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