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Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaOncologia
Código
qg726561
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Torácica
Em relação às recomendações sobre cessação do tabagismo em pacientes com câncer de pulmão que serão submetidos ao tratamento operatório, assinale a alternativa correta.
  1. AÉ imprescindível que o paciente tabagista abandone o hábito antes do procedimento, pelo maior risco de complicações no pós-operatório.
  2. BNão há diferença na incidência de complicações cirúrgicas em tabagistas ativos ou abstêmios, e a cessação deve ser recomendada após o tratamento operatório.
  3. CA cessação do tabagismo deve ser ativa e estimulada em todos os momentos do tratamento e não afeta a indicação cirúrgica.
  4. DSó há benefício de diminuição de complicações pós-operatórias se o paciente parar de fumar até duas semanas antes da cirurgia. Após esse período, a cessação pode complicar mais o procedimento pelo excesso de secreção na via aérea.
  5. EHá indicação de esperar até 12 semanas para que o paciente encerre o hábito tabágico antes de realizar a cirurgia. Após esse período, o risco de progressão da doença é maior do que o de complicações pós-operatórias decorrentes do tabagismo.
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GabaritoC — A cessação do tabagismo deve ser ativa e estimulada em todos os momentos do tratamento e não afeta a indicação cirúrgica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cessação do tabagismo no perioperatório de câncer de pulmão

Gabarito: letra C. A cessação do tabagismo deve ser ativamente estimulada em todas as fases do tratamento oncológico, incluindo o período perioperatório, e não contraindica nem adia a cirurgia — pelo contrário, parar de fumar reduz complicações pós-operatórias e melhora desfechos. Essa conduta está alinhada às diretrizes de assistência oncológica e ao manejo perioperatório, que recomendam o abandono do tabaco semanas antes de procedimentos eletivos.

O tabagismo é o principal fator de risco para o câncer de pulmão, estando presente em cerca de 87% dos casos. No paciente oncológico, a cessação do tabagismo não é apenas uma medida de prevenção primária: ela integra o próprio tratamento. Parar de fumar diminui os riscos de complicações pós-operatórias, aumenta a eficácia da quimioterapia, reduz complicações da radioterapia e aumenta a sobrevida e a qualidade de vida. Por isso, a identificação do tabagismo e as intervenções para cessação são recomendadas como parte essencial da assistência oncológica, devendo ser iniciadas o mais breve possível, com associação de intervenções não medicamentosas (aconselhamento estruturado) e medicamentosas (terapia de reposição de nicotina, bupropiona).

No contexto perioperatório, o abandono do tabagismo reduz as complicações pulmonares e deve ser encorajado várias semanas antes de procedimentos eletivos planejados. Não há evidência de que a cessação próxima à cirurgia aumente o risco de complicações por "excesso de secreção" — essa é uma crença antiga e superada. O benefício da cessação é claro e não depende de um prazo mínimo rígido; quanto antes o paciente parar, melhor, mas parar em qualquer momento é melhor do que continuar fumando. A cirurgia para câncer de pulmão não deve ser adiada indefinidamente para aguardar a cessação completa, pois o risco de progressão da doença pode superar o benefício de esperar. A conduta ideal é iniciar a abordagem de cessação imediatamente, oferecer suporte intensivo e operar no momento em que a cirurgia estiver indicada, sem condicionar a operação à abstinência total.

A pegadinha central desta questão é a tentativa de condicionar a cirurgia à cessação do tabagismo, seja exigindo abstinência prévia obrigatória, seja estabelecendo prazos rígidos (2 semanas, 12 semanas) ou afirmando que a cessação pode piorar o prognóstico. Todas essas ideias contrariam a recomendação atual: a cessação deve ser estimulada em todos os momentos, mas não é pré-requisito para a indicação cirúrgica — o tratamento oncológico não pode ser postergado por causa do tabagismo. Guarde essa distinção: estimular ativamente ≠ condicionar a cirurgia. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Cessação do tabagismo no perioperatório
  • 1Recomendação atual
    • Estimular em todos os momentos
    • Reduz complicações pós-operatórias
    • Melhora desfechos oncológicos
    • Não condiciona a cirurgia
  • 2Condutas incorretas
    • Exigir abstinência prévia obrigatória
    • Estabelecer prazo rígido (2 ou 12 semanas)
    • Adiar cirurgia para aguardar cessação
    • Cessação recente piora prognóstico (mito)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que é "imprescindível" o abandono do hábito antes do procedimento. O erro está no termo imprescindível: a cessação é altamente recomendada e deve ser estimulada, mas não é condição obrigatória para a realização da cirurgia. Exigir abstinência total prévia poderia atrasar o tratamento oncológico, o que é inaceitável. A recomendação é iniciar a abordagem de cessação o quanto antes, mas a cirurgia não fica condicionada a ela.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que "não há diferença na incidência de complicações cirúrgicas em tabagistas ativos ou abstêmios" e que a cessação deve ser recomendada após o tratamento operatório. Há dois erros: (1) há diferença sim — tabagistas ativos têm maior risco de complicações pós-operatórias, e a cessação reduz esse risco; (2) a cessação deve ser recomendada em todos os momentos do tratamento, não apenas após a cirurgia. A alternativa inverte completamente a recomendação.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa está correta ao afirmar que a cessação do tabagismo deve ser ativa e estimulada em todos os momentos do tratamento e que não afeta a indicação cirúrgica. Isso reflete exatamente a recomendação das diretrizes: a cessação é parte essencial da assistência oncológica, deve ser iniciada o mais breve possível, e a cirurgia não deve ser condicionada à abstinência. O tabagismo não contraindica a operação; ao contrário, parar de fumar melhora os desfechos cirúrgicos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que só há benefício se o paciente parar até duas semanas antes e que, após esse período, a cessação pode complicar o procedimento por "excesso de secreção na via aérea". Isso é mito: não há evidência de que parar de fumar próximo à cirurgia aumente complicações. O benefício da cessação existe em qualquer momento, e parar algumas semanas antes é justamente o recomendado. A ideia de que a cessação recente piora o prognóstico é uma crença superada e não tem respaldo científico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que há indicação de esperar até 12 semanas para o paciente parar de fumar antes da cirurgia. Isso é inaceitável no contexto oncológico: adiar a cirurgia por 12 semanas pode permitir progressão tumoral, e o risco de complicações pós-operatórias decorrentes do tabagismo não justifica esse atraso. A conduta correta é operar no momento indicado e iniciar a cessação imediatamente, sem condicionar a cirurgia a um prazo arbitrário.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer você acreditar que a cirurgia depende da cessação do tabagismo, usando termos como "imprescindível", "esperar 12 semanas" ou "cessação pode complicar". Na verdade, a regra é oposta: a cessação é sempre benéfica e nunca contraindica a cirurgia — o tratamento oncológico não pode ser adiado por causa do tabagismo. Se a alternativa condicionar a cirurgia à abstinência, ela está errada.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, desconfie de alternativas que usam palavras absolutas como "imprescindível", "só há benefício se", "esperar até X semanas" ou "pode complicar mais". A recomendação atual é clara: estimular a cessação em todos os momentos, sem condicionar o tratamento. Se a alternativa diz que a cirurgia deve esperar o paciente parar de fumar, marque como errada.

Gabarito: letra C

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