Questão de Medicina — Dermatologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Dermatologia
Código
qg726576
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Dermatologista
O conceito da terapia fotodinâmica (TFD) é a indução da citotoxicidade das células proliferativas por meio de uma fonte de luz, incluindo nesse processo um agente fotossensibilizante, luz e oxigênio. Com base no exposto, assinale a alternativa correta.
ANa segunda etapa da TFD, o agente fotossensibilizante atravessa as células tumorais após a administração tópica ou sistêmica
BNa primeira etapa da TFD, o tumor sensibilizado é exposto à luz de comprimento de onda colimado com o espectro de absorção do agente fotossensibilizante.
CA presença de luz ativa o agente fotossensibilizante ligado ao tumor, levando-o do estado de ativação chamado singlet, de meia-vida curta, ao estado de repouso.
DAs moléculas podem retornar ao estado de ativação, emitindo energia em forma de fluorescência, ou progredir até atingir o estado triplet de meia-vida mais curta.
EAs moléculas no estado triplet podem sofrer a reação com substratos biológicos para formar radicais livres, ou transferem sua energia diretamente ao oxigênio intracelular, formando o oxigênio singlet.
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GabaritoE — As moléculas no estado triplet podem sofrer a reação com substratos biológicos para formar radicais livres, ou transferem sua energia diretamente ao oxigênio intracelular, formando o oxigênio singlet.
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Terapia Fotodinâmica (TFD): mecanismo de ação e estados eletrônicos
Gabarito: letra E. A alternativa correta descreve com precisão o destino das moléculas do fotossensibilizante no estado tripleto: elas podem reagir com substratos biológicos formando radicais livres (reação do Tipo I) ou transferir energia diretamente ao oxigênio molecular, gerando oxigênio singleto (reação do Tipo II) — este último considerado o principal mecanismo citotóxico da TFD. As demais alternativas invertem a ordem das etapas, confundem os estados eletrônicos (singlet/triplet) ou erram a meia-vida relativa de cada um.
A terapia fotodinâmica é uma modalidade terapêutica que combina três elementos essenciais: um agente fotossensibilizante, uma fonte de luz com comprimento de onda adequado e oxigênio molecular. O princípio fundamental é que o fotossensibilizante, ao ser ativado pela luz, desencadeia reações que geram espécies reativas de oxigênio, levando à morte celular seletiva das células tumorais. O processo ocorre em duas etapas principais: na primeira, o fotossensibilizante é administrado (topicamente ou sistemicamente) e se acumula preferencialmente no tecido-alvo; na segunda, o tumor sensibilizado é exposto à luz, cujo comprimento de onda deve coincidir com o espectro de absorção do agente.
O mecanismo molecular envolve a absorção de fótons pelo fotossensibilizante, que passa do estado fundamental (singleto) para um estado excitado singleto de meia-vida muito curta. Desse estado, a molécula pode retornar ao estado fundamental emitindo fluorescência, ou sofrer um cruzamento intersistema para o estado tripleto, que possui meia-vida mais longa. É a partir do estado tripleto que ocorrem as reações fotodinâmicas: na reação do Tipo I, há transferência de elétrons ou prótons para substratos biológicos, formando radicais livres; na reação do Tipo II, há transferência de energia diretamente ao oxigênio molecular, formando oxigênio singleto, espécie altamente reativa que danifica membranas, proteínas e DNA.
A distinção entre os estados eletrônicos é crucial: o estado singleto excitado tem meia-vida de nanossegundos, enquanto o estado tripleto tem meia-vida de microssegundos a milissegundos — ou seja, o tripleto é mais duradouro, permitindo que as reações ocorram. A banca explora exatamente essa inversão: afirmar que o tripleto tem meia-vida mais curta que o singleto é um erro clássico. Além disso, a ordem das etapas da TFD é frequentemente invertida: primeiro ocorre a administração do fotossensibilizante e sua captação pelo tumor, e só depois a exposição à luz.
Guarde o fluxo completo: administração do fotossensibilizante → captação tumoral → exposição à luz → absorção de fótons → estado singleto excitado (curta duração) → cruzamento intersistema → estado tripleto (longa duração) → reações Tipo I (radicais livres) e Tipo II (oxigênio singleto) → morte celular. É exatamente nessa sequência e nas características dos estados eletrônicos que as alternativas se dividem.
1Administração do fotossensibilizante
2Captação tumoral
3Exposição à luz
4Estado singleto excitado (curto)
5Cruzamento intersistema
6Estado tripleto (longo)
7Tipo I: radicais livres
8Tipo II: oxigênio singleto
9Morte celular
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que "na segunda etapa da TFD, o agente fotossensibilizante atravessa as células tumorais após a administração tópica ou sistêmica". O erro está na ordem: a administração do fotossensibilizante e sua captação pelas células tumorais constituem a primeira etapa da TFD, não a segunda. A segunda etapa é a exposição do tumor sensibilizado à luz. A alternativa inverte a sequência correta do procedimento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que "na primeira etapa da TFD, o tumor sensibilizado é exposto à luz de comprimento de onda colimado com o espectro de absorção do agente fotossensibilizante". Novamente, a ordem está invertida: a exposição à luz é a segunda etapa, pois pressupõe que o tumor já esteja sensibilizado (ou seja, que o fotossensibilizante já tenha sido administrado e captado). A primeira etapa é justamente a administração e a captação do agente. Além disso, o termo "colimado" é inadequado — o correto seria "coincidente" ou "compatível" com o espectro de absorção.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que "a presença de luz ativa o agente fotossensibilizante ligado ao tumor, levando-o do estado de ativação chamado singlet, de meia-vida curta, ao estado de repouso". O erro está na direção da transição: a luz leva a molécula do estado fundamental (singleto) para o estado excitado singleto, e não do estado de ativação para o repouso. Além disso, o estado singleto excitado tem meia-vida curta, mas a alternativa sugere que ele é o estado de "ativação" inicial e que a luz o leva ao repouso — o que é o oposto do que ocorre. A luz excita a molécula, não a relaxa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que "as moléculas podem retornar ao estado de ativação, emitindo energia em forma de fluorescência, ou progredir até atingir o estado triplet de meia-vida mais curta". Há dois erros: primeiro, as moléculas retornam ao estado fundamental (não ao estado de ativação) emitindo fluorescência; segundo, o estado tripleto tem meia-vida mais longa, não mais curta, que o estado singleto excitado. A alternativa inverte as meias-vidas relativas dos dois estados.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que "as moléculas no estado triplet podem sofrer a reação com substratos biológicos para formar radicais livres, ou transferem sua energia diretamente ao oxigênio intracelular, formando o oxigênio singlet". Esta é a descrição correta das reações do Tipo I e do Tipo II da TFD, respectivamente. No estado tripleto, o fotossensibilizante pode reagir por transferência de elétrons/prótons com substratos biológicos (gerando radicais livres — Tipo I) ou transferir energia diretamente ao oxigênio molecular (gerando oxigênio singleto — Tipo II). A alternativa espelha com precisão o mecanismo fotoquímico da terapia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter as meias-vidas dos estados eletrônicos e a ordem das etapas da TFD. Nas alternativas C e D, ela troca o estado singleto pelo tripleto e afirma que o tripleto tem meia-vida mais curta — quando na verdade é o singleto excitado que dura nanossegundos e o tripleto que dura microssegundos a milissegundos. Nas alternativas A e B, inverte a sequência: a administração do fotossensibilizante é a primeira etapa, e a exposição à luz é a segunda. Com treino, você identifica essas inversões de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, memorize o fluxo: administração → captação → luz → singleto excitado (curto) → tripleto (longo) → Tipo I (radicais) / Tipo II (oxigênio singleto). Na prova, desconfie de qualquer alternativa que inverta a ordem das etapas ou que atribua meia-vida mais curta ao tripleto — são os dois erros mais cobrados neste tema.