Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Dermatologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaDermatologia
Código
qg726580
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Dermatologista
Paciente masculino, 67 anos, apresenta tinea cruris crônica e extensa, refratária ao tratamento tópico. Considerando a possibilidade de antifúngico oral, você decide pela terbinafina, pois é o único agente sistêmico disponível do grupo das alilaminas e age inibindo a enzima esqualeno-epoxidase. Considerando as informações mencionadas, assinale a alternativa correta.
  1. AA terbinafina oral é fungistática para Candida parapsilosis, fungicida para C. albicans.
  2. BA terbinafina aumenta a síntese de erogosterol da membrana fúngica, acumulando esqualeno e aumentando a permeabilidade da membrana
  3. CA sensibilidade à terbinafina pode ocorrer por degradação do antifúngico pela salicilato 1-mono-oxidase.
  4. DA deficiência de ergosterol e o acúmulo de esqualeno explicam a ação fungicida para dermatófitos.
  5. EA terbinafina tem atividade contra Malassezia spp., se administrada de forma sistêmica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — A deficiência de ergosterol e o acúmulo de esqualeno explicam a ação fungicida para dermatófitos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Terbinafina: mecanismo de ação e espectro antifúngico

Gabarito: letra D. A terbinafina, única alilamina sistêmica disponível, exerce ação fungicida contra dermatófitos ao inibir a enzima esqualeno-epoxidase, bloqueando a síntese de ergosterol e causando acúmulo de esqualeno — é exatamente essa dupla consequência (deficiência de ergosterol + toxicidade do esqualeno acumulado) que explica sua atividade fungicida, conforme descrito na alternativa correta.

A terbinafina pertence ao grupo das alilaminas, classe distinta dos azóis e da griseofulvina. Seu mecanismo de ação é preciso: inibe a esqualeno-epoxidase, enzima que converte esqualeno em lanosterol na via de biossíntese do ergosterol, o principal esterol da membrana celular fúngica. Com a enzima bloqueada, ocorrem dois fenômenos simultâneos: (1) depleção de ergosterol, comprometendo a integridade e fluidez da membrana; e (2) acúmulo intracelular de esqualeno, que é tóxico para o fungo. Essa combinação é o que confere à terbinafina seu caráter fungicida contra dermatófitos — diferentemente dos azóis, que são predominantemente fungistáticos por inibirem outra enzima (lanosterol 14α-desmetilase) sem causar acúmulo de um metabólito tóxico.

Na prática clínica, a terbinafina oral (250 mg/dia) é amplamente utilizada para dermatofitoses extensas, como a tinea cruris crônica do caso, e para onicomicoses, com duração de 1 a 2 meses para pele e 3 a 6 meses para unhas. Sua eficácia é comparável à do itraconazol e superior à da griseofulvina em diversos estudos. Contudo, seu espectro é limitado: é apenas fungistática para Candida spp., não sendo indicada para candidíases, e tem atividade variável contra Malassezia — quando usada topicamente, pode ser útil, mas por via sistêmica seu papel é restrito.

A pegadinha central desta questão está em inverter o mecanismo de ação (aumento em vez de inibição da síntese de ergosterol) e em atribuir à terbinafina espectro que ela não possui (fungicida para C. albicans, atividade sistêmica contra Malassezia). O candidato que decora apenas "terbinafina inibe esqualeno-epoxidase" pode cair na alternativa B, que troca a inibição por aumento da síntese. Guarde o par inibição da esqualeno-epoxidase → depleção de ergosterol + acúmulo de esqualeno → fungicida para dermatófitos: é exatamente esse raciocínio que separa as alternativas.

Característica

Terbinafina (Alilamina)

Azóis (ex.: Itraconazol)

Enzima inibida

Esqualeno-epoxidase

Lanosterol 14α-desmetilase

Efeito sobre o ergosterol

Inibe sua síntese (depleção)

Inibe sua síntese (depleção)

Metabólito tóxico acumulado

Esqualeno (acúmulo tóxico)

Não há acúmulo de metabólito tóxico

Ação sobre dermatófitos

Fungicida

Fungistático

Ação sobre Candida spp.

Fungistática

Fungicida/Fungistática (depende do agente)

1Mecanismo de ação
Inibe esqualeno-epoxidase
Depleção de ergosterol
Acúmulo tóxico de esqualeno
2Espectro
Dermatófitos: fungicida
Candida spp.: fungistática
Malassezia: só tópica
3Comparação com azóis
Azóis: lanosterol 14α-desmetilase
Azóis: fungistáticos
Terbinafina (alilamina)
LEVELsoulevel.com.br
Terbinafina (alilamina): Mecanismo de ação (Inibe esqualeno-epoxidase, Depleção de ergosterol, Acúmulo tóxico de esqualeno); Espectro (Dermatófitos: fungicida, Candida spp.: fungistática, Malassezia: só tópica); Comparação com azóis (Azóis: lanosterol 14α-desmetilase, Azóis: fungistáticos)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a terbinafina oral é fungistática para Candida parapsilosis e fungicida para C. albicans. O erro está na segunda parte: a terbinafina é apenas fungistática para Candida spp., incluindo C. albicans — não é fungicida para nenhuma espécie do gênero. O contexto clínico confirma: "A terbinafina é apenas fungistática para Candida e a griseofulvina não é efetiva; portanto, não estão indicadas para esse tipo de infecção fúngica." A alternativa inverte o espectro, atribuindo ação fungicida onde há apenas efeito fungistático.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a terbinafina aumenta a síntese de ergosterol da membrana fúngica, acumulando esqualeno e aumentando a permeabilidade. O erro é duplo: (1) a terbinafina inibe a síntese de ergosterol, não a aumenta — ela bloqueia a esqualeno-epoxidase, enzima-chave na via biossintética; (2) o acúmulo de esqualeno ocorre justamente porque a via está bloqueada, não porque a síntese foi estimulada. A alternativa inverte completamente o mecanismo de ação, transformando um inibidor enzimático em um estimulador da via.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a sensibilidade à terbinafina pode ocorrer por degradação do antifúngico pela salicilato 1-mono-oxidase. Não há qualquer evidência ou mecanismo descrito que relacione essa enzima à resistência à terbinafina. A resistência fúngica a alilaminas está associada a mutações no gene da esqualeno-epoxidase ou a mecanismos de efluxo, não à degradação por essa oxidase. A alternativa inventa um mecanismo bioquímico inexistente, provavelmente para confundir o candidato com um nome de enzima de sonoridade técnica.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a deficiência de ergosterol e o acúmulo de esqualeno explicam a ação fungicida para dermatófitos. É exatamente o mecanismo correto: a terbinafina inibe a esqualeno-epoxidase, bloqueando a conversão de esqualeno em lanosterol e, consequentemente, a produção de ergosterol. A depleção de ergosterol compromete a integridade da membrana fúngica, e o acúmulo de esqualeno exerce efeito tóxico direto — essa combinação é o que torna a terbinafina fungicida contra dermatófitos, ao contrário dos azóis, que são fungistáticos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a terbinafina tem atividade contra Malassezia spp. quando administrada por via sistêmica. Embora a terbinafina tópica possa ter alguma atividade contra Malassezia, seu uso sistêmico não é indicado nem eficaz para infecções por esse gênero (como pitiríase versicolor). O tratamento sistêmico de escolha para Malassezia envolve azóis como itraconazol ou cetoconazol. A alternativa atribui à via sistêmica um espectro que não se sustenta na prática clínica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o mecanismo das alilaminas e o dos azóis. Enquanto os azóis inibem a lanosterol 14α-desmetilase (fungistáticos), a terbinafina inibe a esqualeno-epoxidase (fungicida para dermatófitos). A alternativa B inverte esse mecanismo ao dizer que a terbinafina "aumenta" a síntese de ergosterol — o oposto do que ocorre. Fique atento: se a alternativa falar em "aumento" de síntese de ergosterol, está errada; o correto é sempre "inibição" da via.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de antifúngicos, monte uma tabela mental comparando as classes: azóis (inibem lanosterol 14α-desmetilase, fungistáticos, espectro amplo), alilaminas (inibem esqualeno-epoxidase, fungicidas para dermatófitos, fungistáticos para Candida), e griseofulvina (interfere na mitose, fungistática, apenas dermatófitos). Essa distinção de mecanismo e espectro é o que a banca mais cobra.

Gabarito: letra D — a deficiência de ergosterol e o acúmulo de esqualeno explicam a ação fungicida da terbinafina para dermatófitos.

Link permanente: /questoes/qg726580