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Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaAlergia e Imunologia
Código
qg726591
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Dermatologista
A vitamina D parece exercer uma série de amplos efeitos, como reguladores sobre a imunidade inata e adaptativa. A respeito do exposto, assinale a alternativa correta.
  1. AA doença renal altera as concentrações da Vitamina D, pois a enzima 25(OH)D-1-a-hidroxilase é responsável pela produção da maior parte da 1,25(OH)D circulante dentro dos túbulos proximais dos rins.
  2. BA conversão da 1,25(OH) Vitamina D para sua forma ativa 25(OH)D ocorre fora de células do sistema imune que possuam a enzima 1-a-hidroxilase: células dendríticas, macrófagos, células T e B.
  3. CA imunidade inata não se altera pelos níveis da vitamina D, de forma que seus níveis plasmáticos elevados não diminuem a expressão de TLR-2 e TLR-4.
  4. DNíveis aumentados de 25(OH) Vitamina D são associados com estado inflamatório, intolerância à glicose, resistência à insulina, síndrome metabólica e risco maior de diabete mellitus tipo 2.
  5. ENas células dendríticas imunes, a Vitamina D tem efeito de diminuir os níveis da interleucina pró-inflamatória 10 (IL-10) e aumenta a liberação de citocinas inflamatórias, como o TNF-a, interferon-y (IFN-y) e interleucina 12 (IL-12).
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GabaritoA — A doença renal altera as concentrações da Vitamina D, pois a enzima 25(OH)D-1-a-hidroxilase é responsável pela produção da maior parte da 1,25(OH)D circulante dentro dos túbulos proximais dos rins.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vitamina D e o sistema imune: metabolismo e efeitos imunomoduladores

Gabarito: letra A. A doença renal altera as concentrações de vitamina D porque a enzima 25(OH)D-1-α-hidroxilase, responsável pela produção da maior parte da 1,25(OH)₂D circulante, está localizada nos túbulos proximais dos rins — é exatamente essa localização que a alternativa correta descreve. As demais alternativas invertem o metabolismo da vitamina D, confundem imunidade inata com adaptativa ou trocam os efeitos anti-inflamatórios por pró-inflamatórios.

A vitamina D é um hormônio esteroide com papel central no metabolismo do cálcio e do fósforo, mas também exerce importantes funções imunomoduladoras. Para entender a questão, é preciso dominar o metabolismo da vitamina D. A vitamina D obtida pela dieta ou pela síntese cutânea (colecalciferol) é inicialmente hidroxilada no fígado pela enzima 25-hidroxilase, formando a 25(OH)D — o principal metabólito circulante e o marcador utilizado para avaliar o status de vitamina D. Em seguida, a 25(OH)D é convertida em sua forma biologicamente ativa, a 1,25(OH)₂D (calcitriol), pela enzima 25(OH)D-1-α-hidroxilase (CYP27B1). Essa conversão ocorre predominantemente nos túbulos proximais dos rins, sob regulação do PTH, do cálcio e do fósforo. Por isso, a doença renal crônica leva à redução da produção de calcitriol, contribuindo para o hiperparatireoidismo secundário e as alterações ósseas características.

Além da produção renal, a 1-α-hidroxilase também é expressa em células do sistema imune, como macrófagos, células dendríticas e linfócitos T e B. Essa expressão extra-renal permite a produção local de calcitriol, que atua de forma autócrina e parácrina na regulação da resposta imune. A vitamina D exerce efeitos predominantemente imunossupressores e anti-inflamatórios: inibe a diferenciação e a maturação de células dendríticas, reduz a expressão de moléculas do MHC classe II e de coestimuladores, diminui a produção de citocinas pró-inflamatórias (como TNF-α, IFN-γ e IL-12) e aumenta a produção de citocinas anti-inflamatórias, como a IL-10. Além disso, a vitamina D modula a imunidade inata, aumentando a expressão de peptídeos antimicrobianos (catelicidina e β-defensinas) e influenciando a expressão de receptores Toll-like (TLR).

A deficiência de vitamina D tem sido associada a maior suscetibilidade a infecções e a doenças autoimunes, enquanto níveis adequados estão relacionados a menor risco de doenças cardiometabólicas. Estudos observacionais mostram que níveis baixos de 25(OH)D se associam a maior prevalência de síndrome metabólica, resistência à insulina, intolerância à glicose e diabetes mellitus tipo 2 — relação inversa à descrita na alternativa D. A compreensão desses mecanismos é essencial para a prática clínica, especialmente em pacientes com doença renal crônica, nos quais a suplementação com análogos ativos da vitamina D (calcitriol, paricalcitol) é frequentemente necessária.

A pegadinha central desta questão está na inversão do metabolismo da vitamina D: a banca troca a forma ativa pela inativa, inverte a localização da enzima e inverte os efeitos imunológicos. Guarde a sequência metabólica — fígado (25-hidroxilação) → rim (1-α-hidroxilação) → forma ativa — e os efeitos anti-inflamatórios da vitamina D: é exatamente nesses dois eixos que as alternativas se dividem.

Alternativa

Afirmação central

Metabolismo/enzima

Efeito imunológico

Veredito

A

Doença renal altera vitamina D

1-α-hidroxilase nos túbulos proximais renais produz 1,25(OH)₂D

✅ Correta

B

Conversão da forma ativa para inativa fora das células imunes

Inverte substrato/produto e localização

❌ Incorreta

C

Imunidade inata não se altera; níveis altos não diminuem TLR-2/4

Inverte efeito (vitamina D diminui TLR)

❌ Incorreta

D

Níveis aumentados associados a estado inflamatório e DM2

Inverte associação (deficiência é o risco)

❌ Incorreta

E

Diminui IL-10 e aumenta TNF-α, IFN-γ, IL-12

Inverte perfil (vitamina D é anti-inflamatória)

❌ Incorreta

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao afirmar que a doença renal altera as concentrações de vitamina D, pois a enzima 25(OH)D-1-α-hidroxilase é responsável pela produção da maior parte da 1,25(OH)₂D circulante nos túbulos proximais dos rins. A doença renal crônica reduz a massa de néfrons funcionantes e, consequentemente, a atividade dessa enzima, levando à diminuição dos níveis de calcitriol. Essa é a base fisiopatológica do hiperparatireoidismo secundário na doença renal crônica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa inverte o metabolismo da vitamina D. A conversão descrita está ao contrário: a 25(OH)D é convertida em 1,25(OH)₂D (forma ativa), e não o contrário. Além disso, a conversão ocorre dentro de células do sistema imune que possuem a enzima 1-α-hidroxilase (células dendríticas, macrófagos, células T e B), e não fora delas. A banca trocou o substrato pelo produto e a localização da enzima.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta ao afirmar que a imunidade inata não se altera pelos níveis de vitamina D. A vitamina D modula a imunidade inata, e níveis elevados de 1,25(OH)₂D diminuem a expressão de TLR-2 e TLR-4 em monócitos e macrófagos, reduzindo a resposta inflamatória. A banca inverteu o efeito: em vez de diminuir, a alternativa afirma que não há alteração.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa inverte a associação epidemiológica. Níveis baixos de 25(OH)D estão associados a estado inflamatório, intolerância à glicose, resistência à insulina, síndrome metabólica e maior risco de diabetes mellitus tipo 2. A alternativa afirma que níveis aumentados estão associados a essas condições, o que contraria a literatura. A deficiência de vitamina D é o fator de risco, não o excesso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa inverte os efeitos da vitamina D sobre as células dendríticas. A vitamina D tem efeito de aumentar os níveis da interleucina anti-inflamatória IL-10 e diminuir a liberação de citocinas pró-inflamatórias, como TNF-α, IFN-γ e IL-12. A alternativa afirma exatamente o oposto, trocando o perfil anti-inflamatório pelo pró-inflamatório.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter os efeitos da vitamina D e o seu metabolismo. Nesta questão, as alternativas B, C, D e E contêm inversões: a conversão metabólica (B), o efeito sobre TLR (C), a associação com síndrome metabólica (D) e o perfil de citocinas (E). Memorize o fluxo: fígado → 25(OH)D → rim (1-α-hidroxilase) → 1,25(OH)₂D, e os efeitos anti-inflamatórios (↑ IL-10, ↓ TNF-α, ↓ IFN-γ, ↓ IL-12). Com esse mapa, você elimina as inversões de longe 💪.

Gabarito: letra A

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