Questão de Medicina — Dermatologia — INSTITUTO AOCP 2026
- Código
- qg726634
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- SES-SC
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Dermatologista (Cirurgia Micrográfica)
- ANF1.
- BNF2.
- CNF3
- DNF5.
- ENF6.
GabaritoE — NF6.
Gabarito: letra E (NF6). A neurofibromatose tipo 6 (NF6) é uma variante rara, caracterizada exclusivamente por múltiplas manchas café com leite, sem neurofibromas ou outras manifestações tumorais, o que lhe confere prognóstico benigno. As demais formas (NF1, NF2, NF3 e NF5) apresentam risco de tumores e complicações, sendo a NF1 a mais comum e a NF2 associada a schwannomas vestibulares bilaterais.
A neurofibromatose é um distúrbio neurocutâneo hereditário, de herança autossômica dominante, que afeta a pele e o sistema nervoso central. A classificação em tipos (NF1, NF2, NF3, NF5, NF6) baseia-se em critérios clínicos e genéticos, e cada tipo tem um espectro de manifestações e prognóstico distinto. A banca cobra justamente a diferenciação entre esses tipos, especialmente o reconhecimento de que a NF6 é a forma de evolução mais benigna.
A NF1 é a forma mais comum, causada por mutações no gene NF1 (cromossomo 17), que codifica a neurofibromina, proteína reguladora do crescimento celular. Manifesta-se com manchas café com leite, neurofibromas cutâneos e plexiformes, gliomas do nervo óptico, displasias ósseas e risco de transformação maligna. A NF2, por sua vez, é mais rara, ligada ao gene NF2 (cromossomo 22), e caracteriza-se por schwannomas vestibulares bilaterais e outros tumores do sistema nervoso. Já a NF3 e a NF5 são variantes ainda mais raras, com fenótipos mistos ou incompletos, mas sempre com potencial de complicações.
A NF6, também chamada de neurofibromatose tipo 6 ou síndrome das manchas café com leite isoladas, é definida pela presença de múltiplas manchas café com leite sem outros critérios diagnósticos de NF1 ou NF2. Por não apresentar neurofibromas, gliomas ou outros tumores, seu prognóstico é excelente, com sobrevida normal e sem necessidade de vigilância oncológica intensiva. É essa característica que a torna a resposta correta para a pergunta sobre o tipo com prognóstico benigno.
A pegadinha da questão está em associar "neurofibromatose" automaticamente à NF1, a forma mais prevalente e conhecida. O candidato que não conhece a NF6 tende a marcar NF1, mas esta apresenta risco de malignização e complicações sistêmicas. A distinção crucial é: enquanto NF1, NF2, NF3 e NF5 têm potencial tumoral e morbidade significativa, a NF6 é restrita à pele, sem comprometimento neurológico ou tumoral.
Tipo de NF | Característica principal | Prognóstico |
|---|---|---|
NF1 | Neurofibromas cutâneos e plexiformes, gliomas do nervo óptico, displasias ósseas | Risco de malignização e complicações sistêmicas |
NF2 | Schwannomas vestibulares bilaterais e outros tumores do SNC | Tumores benignos, mas com déficits neurológicos e surdez |
NF3 | Fenótipo misto, sobreposição com NF1 e NF2 | Risco de complicações tumorais |
NF5 | Forma segmentar, restrita a um segmento corporal | Potencial tumoral localizado, risco de malignização |
NF6 | Apenas manchas café com leite, sem tumores | Benigno, sobrevida normal |
A NF1 é a forma clássica e mais comum, mas não tem prognóstico benigno. Cursa com neurofibromas cutâneos e plexiformes, gliomas do nervo óptico, displasias ósseas e risco de transformação maligna dos neurofibromas plexiformes. O gene NF1 (cromossomo 17) codifica a neurofibromina, cuja perda leva ao crescimento tumoral descontrolado. Portanto, exige vigilância multidisciplinar regular e pode ter complicações graves.
A NF2 é uma forma rara, de início no adulto, caracterizada por schwannomas vestibulares bilaterais e outros tumores do sistema nervoso central. O gene NF2 (cromossomo 22) é um supressor tumoral, e sua mutação predispõe à formação de tumores. Embora os tumores sejam geralmente benignos, a localização intracraniana e o crescimento podem causar déficits neurológicos, surdez e compressão de estruturas vitais, o que afasta o prognóstico benigno.
A NF3 é uma variante rara e pouco caracterizada, com fenótipos que se sobrepõem à NF1 e NF2. Não há consenso sobre critérios diagnósticos específicos, mas a presença de tumores e manifestações neurocutâneas confere risco de complicações. Não é considerada de prognóstico benigno, pois pode evoluir com neurofibromas, schwannomas ou outros tumores.
A NF5, também conhecida como neurofibromatose segmentar, é uma forma localizada, geralmente restrita a um segmento corporal. Embora tenha melhor prognóstico que a NF1, pode apresentar neurofibromas e risco de malignização na área afetada. Não é a forma de prognóstico benigno por excelência, pois ainda há potencial tumoral, ainda que localizado.
A NF6 é a forma de neurofibromatose com prognóstico benigno, caracterizada exclusivamente por múltiplas manchas café com leite, sem neurofibromas, gliomas ou outros tumores. Por não haver comprometimento tumoral ou neurológico, a sobrevida é normal e não há necessidade de vigilância oncológica intensiva. É a única variante que se restringe à pele, sem risco de malignização.
Gabarito: letra E
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