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Questão de Medicina — Dermatologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaDermatologia
Código
qg726639
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Dermatologista (Cirurgia Micrográfica)
A respeito da genética do carcinoma basocelular (CBC), assinale a alternativa correta.
  1. AA via de sinalização sonic hedgehog é parte da inicial com uma mutação em molécula nessa via de desenvolvimento da doença.
  2. BDuas mutações somáticas na mesma célula são necessárias para os casos esporádicos de CBC.
  3. CMutações induzidas por RUV no gene supressor de tumor p53 são um evento esporádico no desenvolvimento do CBC.
  4. DMutações no gene PTCH1 estão presentes em aproximadamente 5% dos CBCs familiares.
  5. ECBCs familiares surgem de queratinócitos do infundíbulo inferior que sofrem mutagênese.
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GabaritoB — Duas mutações somáticas na mesma célula são necessárias para os casos esporádicos de CBC.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Genética do carcinoma basocelular (CBC)

Gabarito: letra B. No CBC esporádico, o modelo clássico de carcinogênese exige duas mutações somáticas na mesma célula (modelo dos "dois hits" de Knudson) para inativar ambas as cópias de um gene supressor de tumor — no caso, o gene PTCH1, que reprime a via de sinalização sonic hedgehog (SHH). É essa dupla inativação que desencadeia a proliferação descontrolada dos queratinócitos basais. As demais alternativas distorcem elementos centrais dessa via: a mutação inicial não é na molécula da via SHH em si, as mutações no p53 não são evento esporádico, o PTCH1 está alterado na grande maioria dos CBCs familiares (não em 5%), e a origem dos CBCs familiares não é o infundíbulo inferior do folículo piloso.

O carcinoma basocelular é o tumor maligno de pele mais comum, e sua genética é um dos exemplos mais didáticos de como a carcinogênese segue um modelo de múltiplos eventos. O ponto de partida é a via de sinalização sonic hedgehog (SHH), uma via de desenvolvimento embrionário que controla a proliferação e a diferenciação celular. No adulto, essa via está silenciada na pele; quando é reativada de forma inadequada, os queratinócitos basais proliferam sem controle, originando o CBC.

O gene central dessa via é o PTCH1 (patched 1), que codifica o receptor da proteína sonic hedgehog. O PTCH1 é um gene supressor de tumor: ele reprime a via quando não há ligante presente. Quando o PTCH1 é inativado por mutação, a via SHH fica constitutivamente ativa — mesmo sem o estímulo do ligante — e a célula prolifera. É aqui que entra o modelo dos "dois hits": como o PTCH1 é um gene supressor, ambas as cópias (alelos) precisam ser inativadas para que a função de supressão se perca. Uma única mutação não basta; é necessária uma segunda mutação somática na mesma célula para inativar o alelo remanescente. Esse é exatamente o raciocínio da alternativa B.

Na prática, o que ocorre é o seguinte: a exposição à radiação ultravioleta (RUV) gera mutações no DNA dos queratinócitos basais. A primeira mutação inativa um alelo do PTCH1 (ou de outro gene da via, como o SMO). A célula ainda tem o segundo alelo funcional, então a via permanece controlada. Porém, se uma segunda mutação somática atingir o alelo remanescente na mesma célula, a função supressora se perde por completo e a via SHH é ativada de forma descontrolada — é o início do CBC. Esse modelo explica por que o CBC é tão frequente em áreas fotoexpostas e por que lesões levam anos para se desenvolver: são necessários múltiplos eventos mutacionais acumulados ao longo do tempo.

A distinção que importa aqui é entre CBC esporádico e CBC familiar (síndrome de Gorlin). No esporádico, as duas mutações são somáticas (adquiridas na célula da pele, não herdadas). No familiar, o paciente já nasce com uma mutação germinativa em um alelo do PTCH1 — ou seja, todas as células do corpo já têm o primeiro "hit". Basta uma única mutação somática adicional em uma célula da pele para que o segundo alelo seja inativado e o tumor se desenvolva. Por isso, os portadores da síndrome de Gorlin desenvolvem múltiplos CBCs desde jovens, muitas vezes em áreas não fotoexpostas. A alternativa D erra ao afirmar que mutações no PTCH1 estão presentes em apenas 5% dos CBCs familiares — na verdade, estão presentes na grande maioria deles (cerca de 70–90% dos casos familiares).

A pegadinha que a banca explora nesta questão é a inversão de papéis entre os genes da via SHH e os genes supressores de tumor. O candidato que decora que "a via SHH está envolvida no CBC" pode marcar a alternativa A, que afirma que a mutação inicial ocorre em uma molécula da própria via. Mas o correto é que a mutação inicial ocorre em um gene supressor (PTCH1), que é um regulador negativo da via — não em um componente ativo dela. Da mesma forma, a alternativa C inverte o papel do p53: mutações no p53 são um evento frequente e precoce na carcinogênese do CBC (não esporádico), e a alternativa E atribui uma origem anatômica incorreta (o infundíbulo inferior) aos CBCs familiares.

Guarde a fronteira entre mutação inicial em gene supressor (PTCH1) e ativação da via SHH como consequência: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Carcinogênese do CBC
  • 1Via sonic hedgehog (SHH)
    • Silenciada no adulto
    • Reativação → proliferação
  • 2Gene PTCH1 (supressor)
    • Reprime a via SHH
    • Inativação → via ativa
  • 3Modelo dos "dois hits"
    • 1ª mutação somática (inativa 1 alelo)
    • 2ª mutação somática (inativa o outro)
    • Perda total da supressão
  • 4Tipos
    • Esporádico
      • Duas mutações somáticas
      • Relacionado à RUV
    • Familiar (Gorlin)
      • Mutação germinativa (1º hit)
      • Basta 1 mutação somática
      • Múltiplos CBCs precoces
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a via sonic hedgehog é "parte da inicial com uma mutação em molécula nessa via". O erro está em localizar a mutação inicial em uma molécula da própria via SHH. Na realidade, a mutação inicial ocorre no gene supressor de tumor PTCH1, que é um regulador negativo da via — ou seja, a via SHH é ativada como consequência da perda de função do PTCH1, não porque uma molécula da via sofreu mutação diretamente. A via SHH é o mecanismo efetor da proliferação, mas o gatilho é a inativação do gene supressor.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a alternativa correta. No CBC esporádico, aplica-se o modelo dos "dois hits" de Knudson: são necessárias duas mutações somáticas na mesma célula para inativar ambas as cópias do gene supressor PTCH1. A primeira mutação inativa um alelo; a segunda, o alelo remanescente. Só então a via SHH é ativada de forma descontrolada e o tumor se desenvolve. Esse modelo explica por que o CBC esporádico é um tumor de aparecimento tardio e relacionado à exposição cumulativa à radiação ultravioleta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que mutações no gene supressor p53 são um "evento esporádico" no desenvolvimento do CBC. O erro está no adjetivo: mutações no p53 são um evento frequente e precoce na carcinogênese do CBC, não esporádico. O p53 é um dos genes supressores de tumor mais comumente mutados em neoplasias humanas, e no CBC sua inativação contribui para a instabilidade genômica e a progressão tumoral. A banca troca "frequente" por "esporádico" para confundir o candidato.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que mutações no gene PTCH1 estão presentes em aproximadamente 5% dos CBCs familiares. O erro é o percentual: na síndrome de Gorlin (CBC familiar), mutações no PTCH1 estão presentes na grande maioria dos casos (cerca de 70–90%), não em apenas 5%. O valor de 5% não corresponde a nenhuma estatística relevante da literatura — é um distrator numérico puro. A alternativa inverte a frequência real para induzir o erro.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que CBCs familiares surgem de queratinócitos do infundíbulo inferior que sofrem mutagênese. O erro está na origem anatômica: os CBCs (familiares ou esporádicos) originam-se de células basais da epiderme ou de células-tronco do folículo piloso, não especificamente do infundíbulo inferior. Além disso, a mutagênese por RUV é o mecanismo típico do CBC esporádico; no familiar, o paciente já nasce com a mutação germinativa no PTCH1, e a mutação somática adicional pode ocorrer mesmo sem exposição solar intensa. A alternativa mistura conceitos de origem celular e de mecanismo mutacional de forma incorreta.

Gabarito: letra B — a única alternativa que descreve corretamente o modelo de carcinogênese do CBC esporádico: duas mutações somáticas na mesma célula, inativando ambas as cópias do gene supressor PTCH1.

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