Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg726640
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Dermatologista (Cirurgia Micrográfica)
Paciente de 65 anos, com lesão vulvar, antecedente de câncer de reto, placa eritematosa, descamativa, com prurido e escoriação com bordas bem definidas. Sobre a doença de Paget Extramamária (DPE), assinale a alternativa correta.
AA lesão não evolui com ulceração.
BAs áreas mais acometidas são: escroto, axila e vulva.
CPermanece in situ na epiderme e no epitélio anexial em 65% dos casos.
DBiópsias da vulva devem ser realizadas se o prurido for persistente por 6 meses.
EMesmo sem neoplasia subjacente, a taxa de recorrência é baixa após excisão.
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GabaritoC — Permanece in situ na epiderme e no epitélio anexial em 65% dos casos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Doença de Paget Extramamária (DPE)
Gabarito: letra C. A doença de Paget extramamária (DPE) é uma neoplasia intraepitelial rara que, na maioria dos casos, permanece confinada à epiderme e ao epitélio anexial — em cerca de 65% dos casos —, sendo essa a característica que a alternativa C corretamente descreve. As demais alternativas trazem erros conceituais sobre a evolução, a localização, o diagnóstico e a recorrência da doença.
A DPE é uma neoplasia maligna intraepitelial (carcinoma in situ) que se origina de células glandulares (células de Paget) que migram para a epiderme. Ela é chamada de "extramamária" por ocorrer fora da mama, sendo a vulva o sítio mais comum, seguida da região perianal, escroto, axila e outras áreas com glândulas apócrinas. A lesão típica é uma placa eritematosa, descamativa, com bordas bem definidas, frequentemente associada a prurido intenso e escoriações — exatamente o quadro descrito no enunciado.
O ponto central para entender a DPE é sua natureza in situ: as células de Paget proliferam dentro da epiderme e podem se estender ao epitélio dos anexos (folículos pilosos, glândulas sudoríparas), mas, na maioria dos casos, não invadem a derme. Essa característica explica por que a doença permanece confinada à epiderme e ao epitélio anexial em cerca de 65% dos casos. Quando há invasão dérmica, o prognóstico piora e o risco de metástase aumenta.
A associação com neoplasias subjacentes é um aspecto crucial: a DPE vulvar está associada a adenocarcinoma subjacente (de glândulas anexiais ou de órgãos pélvicos, como reto, bexiga ou endométrio) em uma parcela significativa dos casos. No caso da paciente do enunciado, o antecedente de câncer de reto reforça essa possibilidade. Por isso, a investigação deve incluir não apenas a biópsia da lesão, mas também a pesquisa de neoplasias associadas.
O diagnóstico é feito por biópsia, que deve ser realizada diante de qualquer lesão vulvar suspeita, especialmente quando o prurido é persistente e não responde ao tratamento clínico. Não há um prazo fixo de 6 meses para indicar a biópsia — a indicação é baseada na suspeita clínica, e não no tempo de evolução. O tratamento de escolha é a excisão cirúrgica ampla, mas a taxa de recorrência é alta, mesmo com margens cirúrgicas livres, devido à extensão subclínica das células de Paget.
A pegadinha desta questão está em inverter características da DPE: a banca troca a localização mais comum (vulva, não escroto/axila), nega a ulceração (que pode ocorrer em lesões avançadas), cria um prazo arbitrário para biópsia e inverte a taxa de recorrência (que é alta, não baixa). A alternativa C, ao afirmar que a doença permanece in situ em 65% dos casos, espelha corretamente o comportamento biológico da doença.
Guarde a fronteira entre o que é verdadeiro e o que é distrator: a DPE é uma neoplasia in situ na maioria dos casos, com predileção pela vulva, pode ulcerar, exige biópsia precoce diante de suspeita e tem alta recorrência após excisão. É exatamente nesses pontos que as alternativas se dividem.
Característica
Descrição correta (DPE)
Distrator na questão
Comportamento histológico
Permanece in situ na epiderme e epitélio anexial em ~65% dos casos (C)
—
Localização mais comum
Vulva (mais comum), seguida de região perianal
Escroto, axila e vulva (B)
Evolução da lesão
Pode ulcerar, especialmente em casos avançados
"Não evolui com ulceração" (A)
Indicação de biópsia
Qualquer lesão suspeita, sem prazo fixo
"Biópsia se prurido persistir por 6 meses" (D)
Recorrência após excisão
Alta, mesmo com margens livres (30–40%)
"Taxa de recorrência é baixa" (E)
Doença de Paget Extramamária: Comportamento (In situ na epiderme (65%), Pode invadir derme, Pode ulcerar); Localização (Vulva (mais comum), Perianal, Escroto, axila); Diagnóstico (Biópsia precoce, Sem prazo fixo); Tratamento (Excisão ampla, Alta recorrência)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a lesão não evolui com ulceração. Isso é falso: a DPE pode evoluir com ulceração, especialmente em lesões avançadas ou quando há invasão dérmica. A ulceração é uma complicação possível e indica progressão da doença. A banca explora a confusão entre a apresentação inicial (placa eritematosa descamativa) e a evolução natural da doença, que pode incluir erosões e ulcerações.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que as áreas mais acometidas são escroto, axila e vulva. Embora essas sejam áreas possíveis, a ordem de frequência está errada: a vulva é, de longe, o sítio mais comum da DPE, seguida da região perianal. O escroto e a axila são menos frequentes. A banca troca a hierarquia de localização, colocando o escroto e a axila em posição de destaque que não corresponde à realidade epidemiológica.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a DPE permanece in situ na epiderme e no epitélio anexial em 65% dos casos. Isso está correto: a DPE é uma neoplasia intraepitelial que, na maioria dos casos, não invade a derme, permanecendo confinada à epiderme e ao epitélio dos anexos. Esse é o comportamento biológico característico da doença e o que define seu prognóstico relativamente favorável quando diagnosticada precocemente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que biópsias da vulva devem ser realizadas se o prurido for persistente por 6 meses. Não há um prazo fixo de 6 meses para indicar a biópsia. A indicação é baseada na suspeita clínica: qualquer lesão vulvar suspeita (placa eritematosa, descamativa, com bordas bem definidas, prurido intenso) deve ser biopsiada independentemente do tempo de evolução. O prazo de 6 meses é um distrator numérico sem fundamento na prática clínica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que, mesmo sem neoplasia subjacente, a taxa de recorrência é baixa após excisão. Isso é falso: a taxa de recorrência da DPE é alta, mesmo com margens cirúrgicas livres, devido à extensão subclínica das células de Paget na epiderme. A recorrência pode ocorrer em até 30-40% dos casos, mesmo após excisão ampla. A banca inverte a realidade: a recorrência é alta, não baixa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter as características da DPE para confundir. Nesta questão, ela troca a localização mais comum (vulva → escroto/axila), nega a ulceração (que pode ocorrer), cria um prazo arbitrário para biópsia (6 meses) e inverte a taxa de recorrência (alta → baixa). A única alternativa que espelha o comportamento biológico real é a C. Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪