Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qg726642
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Dermatologista (Cirurgia Micrográfica)
Homem apresenta pápulas verrucosas no genital, consideradas possíveis manifestações de Papulose Bowenoide (PB). Sobre a PB, assinale a alternativa correta.
AO tratamento da PB é recomendado com baixa resposta à terapêutica local e recorrência comum.
BNo exame histopatológico, a epiderme é geralmente hiperplásica com atipias, figuras mitóticas e queratinócitos disqueratóticos
CO curso da PB é de persistência das lesões até CEC invasivo.
DA taxa de transformação maligna é alta, estimada entre 21% e 36%
ESe a doença for persistente, é necessário investigar alterações virais e não imunológicas.
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GabaritoB — No exame histopatológico, a epiderme é geralmente hiperplásica com atipias, figuras mitóticas e queratinócitos disqueratóticos
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Papulose Bowenoide (PB): uma neoplasia intraepitelial de baixo risco
Gabarito: letra B. A Papulose Bowenoide (PB) é uma neoplasia intraepitelial escamosa de alto grau (NIC III / VIN III) associada ao HPV, sobretudo os tipos 16 e 18, que se manifesta como pápulas verrucosas ou pigmentadas na região anogenital. O diagnóstico é histopatológico, e o achado típico é o que a alternativa B descreve: epiderme hiperplásica com atipias, figuras mitóticas e queratinócitos disqueratóticos — um padrão que lembra a doença de Bowen, mas com lesões menores e múltiplas. As demais alternativas invertem o comportamento clínico da doença: a PB tem curso benigno e autolimitado na maioria dos casos, com baixa taxa de transformação maligna (muito inferior aos 21–36% citados) e excelente resposta ao tratamento local, embora a recorrência seja possível.
A Papulose Bowenoide é uma entidade que confunde por estar na fronteira entre uma verruga viral benigna e um carcinoma in situ. Ela é causada pelo papilomavírus humano (HPV), principalmente os genótipos de alto risco oncogênico (16, 18, 31, 33), e acomete adultos jovens sexualmente ativos, em ambos os sexos. Clinicamente, apresenta-se como pápulas eritematosas, acastanhadas ou violáceas, isoladas ou múltiplas, na glande, prepúcio, vulva, região perianal ou períneo — daí a confusão inicial com condilomas acuminados (verrugas genitais), que são causados por HPV de baixo risco (6 e 11).
A importância do diagnóstico correto está justamente na histologia: enquanto o condiloma mostra coilócitos (células com halo perinuclear) sem atipia significativa, a PB exibe displasia de alto grau em toda a espessura da epiderme, com perda da maturação normal, núcleos hipercromáticos, mitoses atípicas e células disqueratóticas (queratinização prematura e individual). Esse quadro é indistinguível da doença de Bowen (carcinoma in situ clássico) — a diferença é clínica: a PB é multifocal, ocorre em pacientes mais jovens e tem comportamento muito mais indolente.
O prognóstico é o ponto que a banca explora. A PB é considerada uma neoplasia intraepitelial de baixo potencial de progressão: a maioria dos casos regride espontaneamente ou responde bem ao tratamento, e a taxa de transformação para carcinoma espinocelular (CEC) invasivo é baixa, estimada em torno de 1–3% (alguns estudos citam até 5% em casos não tratados e persistentes). Isso contrasta fortemente com a doença de Bowen clássica, que tem risco de progressão maior (cerca de 3–5% também, mas em população mais idosa) e com o eritroplasia de Queyrat, que tem risco de até 30%.
O tratamento da PB é variado e, ao contrário do que afirma a alternativa A, tem alta taxa de resposta: pode ser feito com podofilina tópica, imiquimode, 5-fluorouracil, crioterapia, eletrocauterização, laser ou excisão cirúrgica. A recorrência é possível (em torno de 10–30%), mas não é a regra, e a resposta à terapêutica local é boa. A investigação de imunossupressão (como HIV) é recomendada em casos persistentes ou extensos, mas não se limita a "alterações virais e não imunológicas" — a alternativa E inverte a lógica: o que se investiga é justamente a imunidade do paciente, não a ausência dela.
Guarde o contraste central: PB = histologia de carcinoma in situ + comportamento clínico benigno. É exatamente essa dualidade que as alternativas tentam desmontar — umas exageram a malignidade (C e D), outras erram o tratamento (A) e outras confundem a investigação (E). A única que acerta é a que descreve o achado histopatológico, que é o que define o diagnóstico.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o tratamento da PB tem "baixa resposta à terapêutica local e recorrência comum". É o oposto do que ocorre: a PB responde bem ao tratamento local (podofilina, imiquimode, crioterapia, laser, excisão), com taxas de cura elevadas. A recorrência pode ocorrer, mas não é "comum" a ponto de caracterizar baixa resposta — a maioria dos pacientes resolve as lesões com uma ou poucas sessões. A banca troca o perfil de resposta da PB pelo de lesões mais recalcitrantes, como verrugas extensas ou imunossuprimidos.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve com precisão o achado histopatológico da PB: epiderme hiperplásica (acantose, espessamento), atipias (displasia de alto grau, perda da maturação), figuras mitóticas (mitoses atípicas, inclusive na camada granular) e queratinócitos disqueratóticos (queratinização individual prematura). Esse conjunto é o padrão-ouro diagnóstico e o distingue do condiloma acuminado, que não apresenta atipia significativa. É a literalidade do que se espera ver ao microscópio.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que o curso da PB é de "persistência das lesões até CEC invasivo". Isso contraria o comportamento clínico real: a PB tem curso autolimitado na maioria dos casos, com regressão espontânea frequente, e a progressão para carcinoma espinocelular invasivo é rara (baixa taxa de transformação maligna). A persistência pode ocorrer, mas não é a regra, e a evolução para CEC é exceção, não o desfecho esperado. A banca confunde a PB com a doença de Bowen clássica ou com lesões de maior risco.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a taxa de transformação maligna é "alta, estimada entre 21% e 36%". Esse percentual é absolutamente incompatível com a PB — a taxa real é baixa, em torno de 1–3% (alguns autores citam até 5% em casos persistentes). Valores de 21–36% correspondem a outras entidades, como o eritroplasia de Queyrat (carcinoma in situ do pênis, com risco de progressão de até 30%) ou lesões de alto risco em pacientes imunossuprimidos. A banca infla o risco para assustar e confundir com lesões mais agressivas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que, se a doença for persistente, é necessário "investigar alterações virais e não imunológicas". A lógica está invertida: em casos persistentes, extensos ou recidivantes, o que se investiga é a imunidade do paciente — infecção pelo HIV, imunossupressão iatrogênica ou outras causas de imunodeficiência —, pois a PB está associada ao HPV e sua persistência pode refletir falha na resposta imune. A alternativa nega exatamente o que a prática clínica recomenda: investigar o estado imunológico, não "alterações não imunológicas".
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a dualidade da PB: histologia agressiva (carcinoma in situ) × comportamento clínico benigno. O candidato que sabe que a PB é uma neoplasia intraepitelial de alto grau tende a superestimar o risco de malignidade e a subestimar a resposta ao tratamento — e é exatamente isso que as alternativas C e D fazem. Lembre-se: a histologia assusta, mas o curso é indolente. A taxa de transformação maligna é baixa (1–3%), não 21–36%, e o tratamento local funciona bem. Com esse par na cabeça, você elimina as quatro erradas sem hesitar.