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Questão de Medicina — Dermatologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaDermatologia
Código
qg726643
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Dermatologista (Cirurgia Micrográfica)
Paciente com histórico de múltiplas execuções de RX por pneumonia de repetição, o dermatologista considera as lesões cutâneas como Queratoses por Radiações Crônicas (QRC). A respeito das QRC, assinale a alternativa correta.
  1. AO potencial metastático de tumores que se desenvolvem sobre áreas de radiação é maior que aqueles induzidos pela RUV.
  2. BSão displasias cutâneas como as lesões induzidas pela RUV (Queratose Actínica) e pela radiação infravermelha (Queratose Térmica).
  3. CAparecem 5 anos após a exposição à radiação X, usualmente como placas hiperqueratóticas em áreas adjacentes à radiação prévia.
  4. DHistologicamente se assemelham à Queratose Actínica, com alterações de radiodermite crônica como congestão capilar e afinamento da parede dos vasos.
  5. EO período curto de latência indicado em dermatoses benignas como as de remoção de pelos e psoríase não induz câncer se as radiações forem mais superficiais, como raios Grenz.
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GabaritoA — O potencial metastático de tumores que se desenvolvem sobre áreas de radiação é maior que aqueles induzidos pela RUV.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Queratoses por Radiações Crônicas (QRC)

Gabarito: letra A. O potencial metastático dos tumores que se desenvolvem sobre áreas de radiação crônica é, de fato, maior do que o daqueles induzidos pela radiação ultravioleta (RUV) — essa é a característica que distingue as neoplasias sobre radiodermite crônica das neoplasias actínicas convencionais. As demais alternativas erram ao afirmar que as QRC são displasias como as induzidas pela RUV (são lesões com potencial maligno mais agressivo), ao fixar prazo de 5 anos (o período de latência é variável, de meses a anos), ao descrever histologia idêntica à ceratose actínica (há diferenças importantes) e ao negar o risco carcinogênico de radiações superficiais como os raios Grenz.

As queratoses por radiações crônicas (QRC) são lesões cutâneas que surgem em áreas de radiodermite crônica, ou seja, em pele que sofreu exposição prolongada ou repetida a radiações ionizantes — como raios X, radioterapia ou acidentes nucleares. O contexto clínico típico é o de pacientes que realizaram múltiplos exames de imagem (como o RX de tórax do enunciado) ou que foram submetidos a radioterapia, desenvolvendo, meses ou anos depois, alterações cutâneas como atrofia, hiperpigmentação irregular, telangiectasias, alopecia e lesões ulceradas ou ceratóticas. Essas lesões têm potencial de evoluir para carcinomas epidermoides e, eventualmente, basocelulares.

A grande diferença entre as QRC e as lesões induzidas pela RUV (como a ceratose actínica) está no comportamento biológico: os tumores que se desenvolvem sobre áreas de radiação ionizante tendem a ser mais agressivos, com maior potencial de metastatização. Isso ocorre porque a radiação ionizante causa dano celular mais profundo e extenso, afetando não apenas a epiderme, mas também a derme e os vasos sanguíneos, criando um microambiente que favorece a progressão tumoral. Enquanto a ceratose actínica tem um risco de transformação maligna relativamente baixo e lento, as lesões sobre radiodermite crônica exigem vigilância mais rigorosa e tratamento mais agressivo.

Histologicamente, as QRC se assemelham à ceratose actínica em alguns aspectos — ambas apresentam displasia de queratinócitos —, mas há diferenças fundamentais: nas QRC, observam-se também alterações de radiodermite crônica, como congestão capilar, afinamento da parede dos vasos, fibrose dérmica e atrofia epidérmica. Essas alterações vasculares e dérmicas são características da radiação ionizante e não estão presentes na ceratose actínica pura, que é uma lesão predominantemente epidérmica.

O período de latência das QRC é variável, podendo surgir de meses a anos após a exposição — não há um prazo fixo de 5 anos. Além disso, mesmo radiações mais superficiais, como os raios Grenz (utilizados historicamente para dermatoses benignas como remoção de pelos e psoríase), podem induzir câncer, embora com menor risco que radiações mais penetrantes. A afirmação de que essas radiações superficiais "não induzem câncer" é incorreta — o risco existe, ainda que menor.

A pegadinha central desta questão está em reconhecer que as QRC não são simplesmente "displasias cutâneas" equivalentes às ceratoses actínicas — elas representam um espectro mais grave, com maior potencial de malignidade e metastatização. A banca explora a confusão entre as lesões induzidas por radiação ionizante (mais agressivas) e as induzidas por radiação ultravioleta (menos agressivas). Guarde essa distinção: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Característica

QRC (Radiação Ionizante)

Lesões por RUV (Ceratose Actínica)

Potencial metastático

Maior

Menor

Histologia

Displasia + alterações de radiodermite crônica (congestão capilar, afinamento vascular, fibrose dérmica)

Displasia predominantemente epidérmica

Localização

Áreas irradiadas (radiodermite crônica)

Áreas fotoexpostas

Período de latência

Variável (meses a anos)

Geralmente longo (anos)

1Causa
Radiação ionizante (RX, radioterapia)
Radiodermite crônica
2Comportamento
Mais agressivo que RUV
Maior potencial metastático
3Histologia
Displasia de queratinócitos
Congestão capilar
Fibrose dérmica
4Latência
Variável (meses a anos)
Raios Grenz também induzem câncer
Queratoses por radiações crônicas (QRC)
LEVELsoulevel.com.br
Queratoses por radiações crônicas (QRC): Causa (Radiação ionizante (RX, radioterapia), Radiodermite crônica); Comportamento (Mais agressivo que RUV, Maior potencial metastático); Histologia (Displasia de queratinócitos, Congestão capilar, Fibrose dérmica); Latência (Variável (meses a anos), Raios Grenz também induzem câncer)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa está correta porque reflete o comportamento biológico mais agressivo dos tumores que se desenvolvem sobre áreas de radiação crônica. A radiação ionizante causa dano celular profundo e extenso, afetando epiderme, derme e vasos, criando um microambiente que favorece a progressão tumoral e a metastatização. Estudos e a prática clínica demonstram que carcinomas epidermoides sobre radiodermite crônica têm maior potencial metastático do que aqueles induzidos pela RUV, como os que surgem sobre ceratoses actínicas. Essa é uma característica distintiva e bem estabelecida na dermatologia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que as QRC são "displasias cutâneas como as lesões induzidas pela RUV (Queratose Actínica) e pela radiação infravermelha (Queratose Térmica)". Embora todas sejam lesões displásicas de queratinócitos, as QRC têm comportamento biológico distinto e mais agressivo. A ceratose actínica é uma lesão pré-maligna de baixo risco, enquanto as QRC têm maior potencial de transformação maligna e metastatização. A palavra "como" sugere equivalência, o que é incorreto — são lesões com naturezas e prognósticos diferentes.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao fixar o prazo de "5 anos após a exposição à radiação X". O período de latência das QRC é variável, podendo surgir meses ou anos após a irradiação — não há um prazo fixo de 5 anos. Além disso, as lesões não aparecem "usualmente como placas hiperqueratóticas em áreas adjacentes à radiação prévia" — elas surgem exatamente nas áreas irradiadas, não em áreas adjacentes. A radiodermite crônica se desenvolve na pele que recebeu a radiação, com atrofia, telangiectasias e lesões ceratóticas no próprio local da exposição.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que as QRC "histologicamente se assemelham à Queratose Actínica, com alterações de radiodermite crônica como congestão capilar e afinamento da parede dos vasos". Embora haja semelhanças na displasia de queratinócitos, as QRC apresentam diferenças histológicas importantes: além das alterações vasculares (congestão capilar, afinamento da parede dos vasos), há fibrose dérmica, atrofia epidérmica e alterações mais profundas que não estão presentes na ceratose actínica pura. A ceratose actínica é uma lesão predominantemente epidérmica, sem as alterações dérmicas e vasculares características da radiodermite crônica. A alternativa minimiza essas diferenças ao dizer que "se assemelham", quando na verdade há distinções histológicas relevantes.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que "o período curto de latência indicado em dermatoses benignas como as de remoção de pelos e psoríase não induz câncer se as radiações forem mais superficiais, como raios Grenz". Mesmo radiações superficiais, como os raios Grenz, podem induzir câncer, embora com menor risco que radiações mais penetrantes. O risco carcinogênico existe independentemente da superficialidade da radiação — o que varia é a magnitude do risco. A afirmação de que "não induz câncer" é categoricamente incorreta. Além disso, o período de latência curto não elimina o risco; ele apenas significa que o câncer pode surgir mais rapidamente, mas ainda assim pode ocorrer.

Gabarito: letra A

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