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Questão de Medicina — Dermatologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaDermatologia
Código
qg726649
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Dermatologista (Cirurgia Micrográfica)
Acerca do Penfigoide Bolhoso (PB), assinale a alternativa correta.
  1. ADentre os inibidores da DDP-4 associados à vildagliptina, tem o menor número de casos.
  2. BExiste relação causal entre a vacinação e o PB
  3. CAs lesões cutâneas caracterizam-se por bolhas flácidas, prurido e cicatrizes.
  4. DAcomete a região axilar, parte superior do abdome, pés e mãos.
  5. EO prurido é ocasionado pela eosinofilia e aumentos de IgE.
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GabaritoE — O prurido é ocasionado pela eosinofilia e aumentos de IgE.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Penfigoide Bolhoso: apresentação clínica e diagnóstico

Gabarito: letra E. No penfigoide bolhoso, o prurido é um sintoma proeminente e frequentemente precede o aparecimento das bolhas, sendo atribuído à eosinofilia tecidual e sanguínea e ao aumento dos níveis de IgE, que refletem a ativação de uma resposta imune do tipo Th2. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou dados não comprovados sobre a doença.

O penfigoide bolhoso (PB) é uma doença autoimune bolhosa subepidérmica, caracterizada pela produção de autoanticorpos contra proteínas da zona da membrana basal da pele, principalmente o BP180 e o BP230. Essa reação autoimune leva à ativação do complemento e ao recrutamento de eosinófilos e neutrófilos, resultando na separação da epiderme da derme e na formação de bolhas. É a doença bolhosa autoimune mais comum, afetando principalmente idosos, e seu diagnóstico é feito pela combinação de achados clínicos, histológicos (bolha subepidérmica com infiltrado inflamatório rico em eosinófilos) e imunofluorescência direta (deposição linear de IgG e/ou C3 na zona da membrana basal).

A apresentação clínica clássica do PB é de bolhas tensas sobre uma base eritematosa ou sobre pele aparentemente normal, acompanhadas de prurido intenso. As lesões podem ser localizadas ou generalizadas, com predileção por regiões flexurais, como abdome inferior, face interna das coxas e axilas. Diferentemente do pênfigo vulgar, as bolhas do PB são tensas e não flácidas, e a mucosa oral é acometida em apenas uma minoria dos casos. O prurido, muitas vezes, é o sintoma inicial e pode preceder o surgimento das bolhas em semanas ou até meses, sendo um importante sinal de alerta.

A patogênese do prurido no PB está diretamente relacionada à eosinofilia e ao aumento de IgE. Os eosinófilos, recrutados para a pele pela ação de citocinas como a IL-5, liberam grânulos contendo proteínas tóxicas e mediadores que danificam a membrana basal e estimulam as terminações nervosas, gerando coceira. Além disso, a IgE, que se liga aos mastócitos e basófilos, pode desencadear a liberação de histamina e outros mediadores pruriginosos. Essa associação entre eosinofilia, IgE elevada e prurido é um marcador da resposta imune Th2, característica do PB.

A relação entre o PB e o uso de inibidores da DPP-4, como a vildagliptina, é um tema de crescente interesse. Estudos têm demonstrado que esses medicamentos, utilizados no tratamento do diabetes mellitus tipo 2, podem estar associados ao desenvolvimento de PB, possivelmente por mecanismos imunológicos. No entanto, a afirmação de que a vildagliptina tem o menor número de casos entre os inibidores da DPP-4 não é um dado estabelecido na literatura, sendo uma informação imprecisa e não comprovada. Da mesma forma, a existência de uma relação causal entre vacinação e o PB não é comprovada; embora haja relatos de casos, não há evidências científicas robustas que sustentem essa associação.

A distribuição das lesões no PB também é um ponto importante. As bolhas tendem a ocorrer em áreas de flexão, como axilas, virilhas, abdome inferior e face interna das coxas, mas a descrição de acometimento de "pés e mãos" como localização típica não é correta. Essa distribuição é mais característica de outras dermatoses bolhosas, como a disidrose ou o pênfigo vulgar. Portanto, a alternativa que menciona essa localização está incorreta.

A pegadinha central desta questão está na confusão entre o PB e o pênfigo vulgar, especialmente em relação ao tipo de bolha (tensa vs. flácida) e à presença de cicatrizes. Enquanto o PB apresenta bolhas tensas e geralmente não deixa cicatrizes, o pênfigo vulgar apresenta bolhas flácidas que se rompem facilmente, deixando erosões e crostas. Essa distinção é fundamental para o diagnóstico e é um ponto frequentemente explorado em provas.

1Clínica
Bolhas tensas
Base eritematosa
Prurido intenso (precede bolhas)
Regiões flexurais (axilas, abdome inferior)
2Patogênese
Autoanticorpos anti-BP180/BP230
Ativação do complemento
Eosinofilia e IgE elevada (Th2)
3Diagnóstico
Histologia: bolha subepidérmica
Imunofluorescência: IgG/C3 linear
4Diferenciais
Pênfigo vulgar: bolhas flácidas, Nikolsky +
Disidrose: pés e mãos
Penfigoide Bolhoso (PB)
LEVELsoulevel.com.br
Penfigoide Bolhoso (PB): Clínica (Bolhas tensas, Base eritematosa, Prurido intenso (precede bolhas), Regiões flexurais (axilas, abdome inferior)); Patogênese (Autoanticorpos anti-BP180/BP230, Ativação do complemento, Eosinofilia e IgE elevada (Th2)); Diagnóstico (Histologia: bolha subepidérmica, Imunofluorescência: IgG/C3 linear); Diferenciais (Pênfigo vulgar: bolhas flácidas, Nikolsky +, Disidrose: pés e mãos)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A afirmação de que a vildagliptina tem o menor número de casos entre os inibidores da DPP-4 associados ao PB não é um dado estabelecido. Embora a associação entre inibidores da DPP-4 e PB seja reconhecida, não há evidências suficientes para afirmar que a vildagliptina seja o fármaco com menor número de casos relatados. A literatura sugere que diferentes inibidores da DPP-4 podem ter diferentes riscos, mas essa informação específica não é um consenso e não deve ser afirmada como correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Não há evidências científicas robustas que comprovem uma relação causal entre vacinação e o desenvolvimento de PB. Embora existam relatos de casos isolados de PB após vacinação, esses eventos são raros e não estabelecem uma relação de causa e efeito. A vacinação não é considerada um fator de risco comprovado para o PB, e a afirmação de uma relação causal é incorreta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

As lesões cutâneas do PB são caracterizadas por bolhas tensas, e não flácidas. As bolhas flácidas são típicas do pênfigo vulgar, uma doença bolhosa intraepidérmica. Além disso, o PB geralmente não deixa cicatrizes, pois a separação ocorre na zona da membrana basal, permitindo uma reepitelização sem sequelas. A presença de cicatrizes é mais comum em outras doenças bolhosas, como a epidermólise bolhosa. Portanto, a descrição de bolhas flácidas e cicatrizes está incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A distribuição típica das lesões do PB inclui regiões flexurais, como axilas, virilhas, abdome inferior e face interna das coxas. A descrição de acometimento de "pés e mãos" como localização característica não é correta para o PB. Essa distribuição é mais sugestiva de outras condições, como a disidrose (eczema disidrótico), que afeta palmas das mãos e plantas dos pés, ou o pênfigo vulgar, que pode ter envolvimento mais disseminado. Portanto, a alternativa está incorreta.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O prurido no PB é um sintoma proeminente e está diretamente relacionado à eosinofilia e ao aumento dos níveis de IgE. A resposta imune do tipo Th2, característica do PB, leva ao recrutamento de eosinófilos para a pele e à produção de IgE, que se liga a mastócitos e basófilos, liberando mediadores pruriginosos como a histamina. Essa associação entre eosinofilia, IgE elevada e prurido é um marcador da doença e explica a intensidade da coceira, que muitas vezes precede o aparecimento das bolhas. A alternativa está correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o penfigoide bolhoso e o pênfigo vulgar. No PB, as bolhas são tensas e não deixam cicatrizes; no pênfigo vulgar, as bolhas são flácidas e se rompem facilmente. Além disso, a localização das lesões no PB é em áreas de flexão, não em pés e mãos. Fique atento a essas diferenças para não cair em armadilhas.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar o penfigoide bolhoso do pênfigo vulgar, lembre-se: PB = bolhas tensas, subepidérmicas, prurido intenso, eosinofilia e IgE elevada; PV = bolhas flácidas, intraepidérmicas, sinal de Nikolsky positivo, sem prurido proeminente. Essa distinção é fundamental e frequentemente cobrada em provas de dermatologia.

Gabarito: letra E

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