Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
qg726657
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia
Paciente feminina, 39 anos, tem dois filhos e realizou laqueadura no último parto. No puerpério, apresentou depressão pós-parto e, desde então, faz uso de ansiolíticos. Após ajustes recentes das medicações psiquiátricas, passou a apresentar irregularidade menstrual, dor mamária e saída de secreção láctea mesmo sem expressão mamilar. Com base no caso clínico apresentado, assinale a alternativa correta.
AA paciente apresenta quadro compatível com galactorreia fisiológica, sem necessidade de investigação.
BOs sintomas são compatíveis com hiperprolactinemia, que pode estar relacionada ao uso de medicamentos de ação dopaminérgica.
CO quadro descrito é sugestivo de carcinoma ductal de mama e requer avaliação oncológica imediata.
DA irregularidade menstrual associada à galactorreia indica síndrome dos ovários policísticos, devendo ser solicitado perfil androgênico.
EO uso de ansiolíticos e antidepressivos pode elevar a prolactina por inibição da dopamina, justificando os sintomas apresentados.
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GabaritoE — O uso de ansiolíticos e antidepressivos pode elevar a prolactina por inibição da dopamina, justificando os sintomas apresentados.
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Hiperprolactinemia induzida por psicofármacos
Gabarito: letra E. A paciente apresenta quadro clássico de hiperprolactinemia — galactorreia, irregularidade menstrual e dor mamária — e o gatilho mais provável é o uso de ansiolíticos e antidepressivos, que elevam a prolactina por inibição da dopamina (mecanismo farmacológico bem estabelecido). A alternativa E é a única que amarra corretamente o mecanismo fisiopatológico ao quadro clínico apresentado.
A prolactina é um hormônio secretado pela hipófise anterior, cuja liberação é tonicamente inibida pela dopamina hipotalâmica. Quando essa inibição é bloqueada — por fármacos, tumores ou lesões —, os níveis de prolactina sobem, gerando o que chamamos de hiperprolactinemia. O quadro clínico na mulher é típico: galactorreia (saída de leite sem relação com amamentação), distúrbios menstruais (desde irregularidade até amenorreia) e infertilidade por anovulação crônica. A dor mamária, embora menos específica, acompanha com frequência a galactorreia pela estimulação persistente do tecido mamário.
O caso clínico é um convite a pensar em hiperprolactinemia por três razões: (1) a paciente está em uso de psicofármacos, classe que sabidamente interfere no eixo dopaminérgico; (2) os sintomas — irregularidade menstrual, galactorreia e dor mamária — são exatamente a tríade hiperprolactinêmica; (3) o início dos sintomas após ajuste das medicações psiquiátricas reforça a relação temporal com a droga. A dopamina é o principal inibidor fisiológico da prolactina; qualquer fármaco que antagonize receptores dopaminérgicos ou deplete dopamina central remove esse freio e eleva a prolactina. É por isso que antipsicóticos (fenotiazinas, butirofenonas), alguns antidepressivos e certos ansiolíticos estão na lista de causas farmacológicas de hiperprolactinemia.
A conduta correta diante desse quadro é investigar — dosar prolactina sérica, revisar a lista de medicamentos e, se necessário, afastar causas estruturais como prolactinoma. Não se trata de galactorreia fisiológica (que ocorre em gestação, amamentação ou estímulo mamário), nem de carcinoma ductal (que não cursa com galactorreia bilateral e irregularidade menstrual), nem de síndrome dos ovários policísticos (que tem perfil androgênico e não explica galactorreia). A chave da questão está em reconhecer o mecanismo farmacológico: a inibição da dopamina pelos psicofármacos.
Guarde a sequência fisiopatológica — psicofármaco → inibição da dopamina → aumento da prolactina → galactorreia + irregularidade menstrual — porque é exatamente nela que as alternativas se dividem: a correta descreve esse mecanismo, e as incorretas trocam o mecanismo ou o diagnóstico.
1Psicofármaco antagoniza dopamina
2Perde inibição tônica da prolactina
3Prolactina sérica aumenta
4Galactorreia + irregularidade menstrual
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A galactorreia fisiológica ocorre em situações como gestação, amamentação, estresse ou manipulação mamária. No caso, a paciente tem sintomas iniciados após ajuste de medicações psiquiátricas — um contexto claramente patológico e farmacológico. Afirmar que não há necessidade de investigação é um erro grave: hiperprolactinemia induzida por fármacos é causa comum e exige, no mínimo, revisão da medicação e dosagem de prolactina.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa acerta ao falar em hiperprolactinemia, mas erra o mecanismo: diz que ela pode estar relacionada a medicamentos de ação dopaminérgica. O correto é o oposto — os fármacos que elevam a prolactina são os que antagonizam a dopamina (ação antidopaminérgica) ou depletam suas reservas. Medicamentos de ação dopaminérgica (agonistas como cabergolina e bromocriptina) são justamente o tratamento da hiperprolactinemia, pois reduzem a prolactina. A banca inverteu o mecanismo: trocou "antagonista" por "agonista".
Alternativa C — ❌ Incorreta
Carcinoma ductal de mama não se manifesta com galactorreia bilateral, irregularidade menstrual e dor mamária difusa. O carcinoma ductal costuma apresentar-se como nódulo palpável, endurecido, com retração de pele ou descarga papilar sanguinolenta — não leite. O quadro da paciente é hormonal (hiperprolactinemia), não neoplásico. A alternativa é um distrator que apela ao medo do câncer, mas não tem correlação clínica com o caso.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A síndrome dos ovários policísticos (SOP) cursa com irregularidade menstrual e hiperandrogenismo (acne, hirsutismo), mas não causa galactorreia. A galactorreia é marca registrada da hiperprolactinemia, não da SOP. Além disso, o perfil androgênico não é o exame indicado para investigar galactorreia — o exame correto é a dosagem de prolactina. A alternativa mistura dois diagnósticos distintos sem base fisiopatológica.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a única alternativa que descreve corretamente o mecanismo: ansiolíticos e antidepressivos podem elevar a prolactina por inibição da dopamina. A dopamina é o inibidor tônico da secreção de prolactina; quando um fármaco bloqueia a transmissão dopaminérgica (como fazem muitos psicofármacos), a prolactina sobe, produzindo galactorreia, irregularidade menstrual e dor mamária. O quadro clínico da paciente — sintomas iniciados após ajuste de medicações psiquiátricas — encaixa perfeitamente nesse mecanismo, justificando a investigação de hiperprolactinemia farmacológica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão do mecanismo dopaminérgico. Na alternativa B, ela diz que a hiperprolactinemia está relacionada a medicamentos de ação dopaminérgica — mas o correto é o oposto: fármacos que antagonizam a dopamina é que elevam a prolactina. Agonistas dopaminérgicos (cabergolina, bromocriptina) são o tratamento, não a causa. Fique atento: "dopaminérgico" não é sinônimo de "aumenta prolactina" — é justamente o contrário.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de hiperprolactinemia, monte o raciocínio em três passos: (1) reconheça a tríade clínica — galactorreia + irregularidade menstrual + infertilidade; (2) identifique o gatilho — fármacos (antipsicóticos, antidepressivos, antieméticos), gravidez, hipotireoidismo, prolactinoma; (3) lembre que a dopamina é o freio da prolactina — qualquer coisa que tire o freio (antagonismo dopaminérgico) aumenta a prolactina. Essa sequência resolve a maioria das questões do tema.