Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
qg726660
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia
Paciente masculino, 52 anos, faz uso de losartana e não apresenta outras comorbidades relevantes. Em exames recentes, apresenta: glicemia de jejum 98 mg/dL, hemoglobina glicada 5,6%, LDL-colesterol 143 mg/dL e triglicerídeos 260 mg/dL. Com base nesse caso, assinale a alternativa correta.
ADe acordo com os exames, o paciente já pode ser considerado portador de pré-diabetes.
BO paciente apresenta dislipidemia mista, sendo indicada intervenção no estilo de vida e possível uso de estatina conforme estratificação de risco cardiovascular.
COs valores apresentados estão dentro da normalidade.
DÉ necessário iniciar ciprofibrato para controle da dislipidemia.
EA hemoglobina glicada de 5,6% confirma o diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2.
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GabaritoB — O paciente apresenta dislipidemia mista, sendo indicada intervenção no estilo de vida e possível uso de estatina conforme estratificação de risco cardiovascular.
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Dislipidemia mista e risco cardiovascular
Gabarito: letra B. O paciente apresenta dislipidemia mista (LDL-c 143 mg/dL e triglicerídeos 260 mg/dL, ambos acima dos valores desejáveis), o que indica intervenção no estilo de vida e possível uso de estatina conforme a estratificação de risco cardiovascular. A glicemia de jejum de 98 mg/dL e a HbA1c de 5,6% estão dentro da normalidade, afastando pré-diabetes e diabetes.
A dislipidemia mista é caracterizada pela elevação simultânea do LDL-colesterol e dos triglicerídeos. No caso, o LDL-c de 143 mg/dL está acima do desejável (< 130 mg/dL para risco baixo) e os triglicerídeos de 260 mg/dL estão bem acima do valor de referência (< 150 mg/dL). Essa combinação aumenta o risco cardiovascular e exige abordagem terapêutica.
A conduta inicial para dislipidemia mista envolve mudanças no estilo de vida (dieta, atividade física, perda de peso, cessação do tabagismo). A decisão de iniciar estatina depende da estratificação de risco cardiovascular global do paciente, que considera idade, sexo, pressão arterial, tabagismo, diabetes e outros fatores. Como o paciente tem 52 anos, é hipertenso (em uso de losartana) e apresenta dislipidemia, ele provavelmente se enquadra em risco intermediário ou alto, o que pode indicar o uso de estatina.
Os valores de glicemia de jejum (98 mg/dL) e HbA1c (5,6%) estão dentro da normalidade, conforme os critérios diagnósticos: glicemia de jejum < 100 mg/dL é normal, e HbA1c < 5,7% é normal. Portanto, não há pré-diabetes nem diabetes. O uso de ciprofibrato (fibrato) seria indicado apenas em casos de hipertrigliceridemia grave (> 500 mg/dL) ou quando há risco de pancreatite, o que não é o caso.
A pegadinha desta questão está em confundir os valores de glicemia e HbA1c com critérios de pré-diabetes ou diabetes, quando na verdade estão normais. A banca também pode tentar induzir ao uso de fibrato como primeira escolha, quando a estatina é a base do tratamento da dislipidemia mista.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A glicemia de jejum de 98 mg/dL é normal (< 100 mg/dL) e a HbA1c de 5,6% é normal (< 5,7%). Para pré-diabetes, seria necessário glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL ou HbA1c entre 5,7% e 6,4%. O paciente não preenche critérios para pré-diabetes.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O paciente tem LDL-c 143 mg/dL (acima do desejável) e triglicerídeos 260 mg/dL (acima de 150 mg/dL), configurando dislipidemia mista. A conduta inicial é intervenção no estilo de vida e, conforme a estratificação de risco cardiovascular, pode ser indicado o uso de estatina. A losartana em uso sugere hipertensão, fator que aumenta o risco cardiovascular.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Os valores de LDL-c (143 mg/dL) e triglicerídeos (260 mg/dL) estão acima dos valores desejáveis. Apenas a glicemia e a HbA1c estão normais. Portanto, nem todos os valores estão dentro da normalidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O ciprofibrato (fibrato) é indicado principalmente para hipertrigliceridemia grave (> 500 mg/dL) ou risco de pancreatite. No caso, os triglicerídeos estão em 260 mg/dL, e a primeira escolha para dislipidemia mista é a estatina, não o fibrato.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A HbA1c de 5,6% está abaixo do critério diagnóstico de diabetes (≥ 6,5%). Para diabetes, seria necessário HbA1c ≥ 6,5%, glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL ou glicemia aleatória ≥ 200 mg/dL com sintomas. O valor de 5,6% é normal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir os valores de glicemia e HbA1c com critérios de pré-diabetes ou diabetes. Lembre-se: glicemia de jejum < 100 mg/dL e HbA1c < 5,7% são normais. Pré-diabetes exige glicemia 100–125 mg/dL ou HbA1c 5,7–6,4%. Diabetes exige glicemia ≥ 126 mg/dL ou HbA1c ≥ 6,5%.
PEGA ESSA DICA!
Para dislipidemia mista, a base do tratamento é a estatina, não o fibrato. O fibrato é reservado para triglicerídeos > 500 mg/dL. Sempre estratifique o risco cardiovascular antes de decidir a conduta.