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Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
qg726661
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia
Júlia, 32 anos, procura atendimento médico devido a emagrecimento de 8 kg nos últimos dois meses, associado à poliúria e à polidipsia. Relata que realizou exames há cerca de oito meses, sem alterações relevantes. Pesa 62 kg e mantém hábitos alimentares saudáveis, além de praticar exercícios físicos cinco vezes por semana. Com base nesse caso clínico, assinale a alternativa correta.
  1. AO fato de a paciente ser magra descarta a hipótese de diabetes autoimune latente do adulto (LADA)
  2. BO LADA é caracterizado pela ausência de autoanticorpos pancreáticos.
  3. CO tratamento com sulfonilureia é geralmente suficiente, não havendo necessidade de insulina.
  4. DO LADA é uma forma de diabetes autoimune de progressão lenta, podendo iniciar sem necessidade imediata de insulina.
  5. EO LADA apresenta características típicas de resistência insulínica e hiperinsulinemia.
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GabaritoD — O LADA é uma forma de diabetes autoimune de progressão lenta, podendo iniciar sem necessidade imediata de insulina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diabetes autoimune latente do adulto (LADA)

Gabarito: letra D. O LADA é uma forma de diabetes autoimune de progressão lenta, em que a destruição das células beta pancreáticas ocorre gradualmente, permitindo que o paciente inicie o tratamento sem necessidade imediata de insulina — diferentemente do diabetes tipo 1 clássico, que se apresenta de forma aguda e já exige insulinoterapia desde o diagnóstico. A alternativa D captura exatamente essa essência: progressão lenta e início sem insulina imediata.

O LADA (Latent Autoimmune Diabetes in Adults) é um subtipo de diabetes que ocupa uma posição intermediária entre o diabetes tipo 1 (DM1) e o tipo 2 (DM2). Ele é classificado como diabetes autoimune porque, assim como no DM1, há presença de autoanticorpos contra as células beta do pâncreas — os principais são anti-GAD (descarboxilase do ácido glutâmico), anti-IA-2 (tirosina fosfatase) e anti-ZnT8. A diferença crucial está na velocidade da destruição das células beta: no DM1 clássico, essa destruição é rápida e maciça, levando à deficiência absoluta de insulina em semanas ou meses; no LADA, a destruição é lenta e progressiva, de modo que o paciente mantém, por um período variável, produção residual de insulina suficiente para controlar a glicemia sem necessidade imediata de insulinoterapia.

Na prática clínica, o LADA costuma se apresentar em adultos jovens ou de meia-idade (tipicamente acima dos 30 anos), com quadro clínico que lembra o DM2 — muitas vezes sem cetose, com bom controle inicial com antidiabéticos orais — mas que evolui com falência progressiva das células beta ao longo de meses ou anos. O diagnóstico é firmado pela presença de autoanticorpos (especialmente anti-GAD) em um paciente que, inicialmente, não parece ter DM1 clássico. O tratamento ideal envolve insulinoterapia precoce, pois a preservação da função residual das células beta é importante para retardar a progressão da doença; sulfonilureias, embora possam funcionar temporariamente, aceleram a exaustão das células beta e não são a conduta de escolha.

A pegadinha central desta questão é a confusão entre LADA e DM2. O DM2 é caracterizado por resistência insulínica e hiperinsulinemia compensatória, frequentemente associado a obesidade e síndrome metabólica. O LADA, por sua vez, é uma doença autoimune, com destruição de células beta, e o paciente costuma ser magro ou eutrófico, sem as características típicas de resistência insulínica. A banca explora exatamente essa fronteira: quem confunde LADA com DM2 tende a marcar a alternativa E, que fala em resistência insulínica e hiperinsulinemia — características do DM2, não do LADA.

Guarde o critério decisivo: LADA é autoimune (tem autoanticorpos), de progressão lenta, e o paciente pode iniciar sem insulina imediata — é exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o fato de a paciente ser magra descarta a hipótese de LADA. Isso é falso: o LADA, por ser uma doença autoimune de destruição de células beta, ocorre com maior frequência em indivíduos magros ou eutróficos, ao contrário do DM2, que está associado à obesidade. A magreza, na verdade, é um dado que reforça a suspeita de LADA, não a descarta. O erro está em inverter o raciocínio: a ausência de obesidade é um dos critérios que ajudam a diferenciar LADA de DM2.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o LADA é caracterizado pela ausência de autoanticorpos pancreáticos. É exatamente o oposto: o LADA é definido pela presença de autoanticorpos, especialmente o anti-GAD. A presença desses anticorpos é o que o distingue do DM2 e o classifica como diabetes autoimune. A alternativa inverte o conceito central da doença.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o tratamento com sulfonilureia é geralmente suficiente, sem necessidade de insulina. Embora o paciente com LADA possa iniciar com antidiabéticos orais, a conduta recomendada é a insulinoterapia precoce, pois isso preserva a função residual das células beta e retarda a progressão da doença. As sulfonilureias, ao estimularem a secreção de insulina, podem acelerar a exaustão das células beta e não são consideradas tratamento suficiente em longo prazo. A alternativa subestima a necessidade de insulina no LADA.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que o LADA é uma forma de diabetes autoimune de progressão lenta, podendo iniciar sem necessidade imediata de insulina. Isso está correto e resume a essência do LADA: é autoimune (presença de autoanticorpos), a destruição das células beta é lenta e progressiva, e, por isso, o paciente pode manter produção residual de insulina suficiente para iniciar o tratamento sem insulinoterapia imediata. Essa é a definição clássica do LADA, que o diferencia tanto do DM1 (progressão rápida, insulina imediata) quanto do DM2 (resistência insulínica, sem autoimunidade).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o LADA apresenta características típicas de resistência insulínica e hiperinsulinemia. Isso é característico do DM2, não do LADA. O LADA é uma doença autoimune de destruição de células beta, e o paciente tipicamente não apresenta resistência insulínica significativa nem hiperinsulinemia — pelo contrário, há tendência à deficiência progressiva de insulina. A alternativa confunde LADA com DM2, que é a confusão mais comum e a principal pegadinha da questão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre LADA e DM2. O candidato que associa "diabetes em adulto" a "resistência insulínica" cai na alternativa E. Mas o LADA é autoimune: o que o define é a presença de autoanticorpos e a destruição lenta das células beta, não a resistência insulínica. Lembre-se: magro + autoanticorpos + progressão lenta = LADA; obeso + resistência insulínica + hiperinsulinemia = DM2. Com esse contraste na cabeça, você enxerga a troca de longe 💪

Gabarito: letra D

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