Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
qg726662
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia
O diabetes mellitus gestacional (DMG) é definido como qualquer grau de intolerância à glicose que tem início ou é diagnosticado durante a gestação. Em relação ao DMG, assinale a alternativa correta.
AO diagnóstico é confirmado quando dois valores do teste oral de tolerância à glicose (TOTG) atingem ou ultrapassam os valores de referência.
BHá um risco elevado de recorrência do diabetes gestacional em futuras gestações e de desenvolvimento posterior de diabetes tipo 2, dislipidemia e hipertensão.
CO tratamento de escolha é o uso de análogo do GLP-1, que também auxilia no controle de peso durante a gestação.
DRecomenda-se o reteste com TOTG entre 4 e 6 semanas após o parto.
EO diabetes gestacional ocorre predominantemente no primeiro trimestre, período de menor resistência insulínica.
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GabaritoB — Há um risco elevado de recorrência do diabetes gestacional em futuras gestações e de desenvolvimento posterior de diabetes tipo 2, dislipidemia e hipertensão.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Diabetes mellitus gestacional (DMG): diagnóstico, tratamento e prognóstico
Gabarito: letra B. O diabetes mellitus gestacional (DMG) confere à mulher um risco elevado de recorrência em gestações futuras e de desenvolvimento posterior de diabetes tipo 2, dislipidemia e hipertensão — exatamente o que a alternativa B afirma. Essa associação é amplamente documentada na literatura e reflete o papel da gestação como um "teste de estresse" metabólico que revela uma predisposição latente.
O DMG é definido como qualquer grau de intolerância à glicose com início ou primeiro reconhecimento durante a gestação. A fisiopatologia está centrada na resistência insulínica progressiva induzida pelos hormônios placentários (lactogênio placentário humano, progesterona, cortisol, prolactina), que aumenta ao longo da gestação, atingindo o pico no terceiro trimestre. Essa resistência, em mulheres com reserva funcional de células beta insuficiente, leva à hiperglicemia. Por isso, o rastreamento é realizado rotineiramente entre a 24ª e a 28ª semana de gestação, período em que a resistência insulínica já está estabelecida.
O diagnóstico, segundo os critérios da IADPSG (International Association of Diabetes and Pregnancy Study Groups), endossados pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Ministério da Saúde do Brasil, Febrasgo e Sociedade Brasileira de Diabetes, é feito com o TOTG de 75 g de glicose, com medidas em jejum, 1 hora e 2 horas após a sobrecarga. Um ponto crucial: basta um único valor alterado para confirmar o diagnóstico — não são necessários dois valores alterados, como afirma a alternativa A. Os limiares são: jejum ≥ 92 mg/dL, 1 hora ≥ 180 mg/dL e 2 horas ≥ 153 mg/dL.
O tratamento de primeira linha é a terapia nutricional (dieta) associada a exercícios físicos e monitorização glicêmica. Quando as metas não são atingidas, a insulina é o tratamento de escolha. Os análogos do GLP-1 são contraindicados na gestação, pois não há evidência de segurança para o feto — a alternativa C está incorreta. Quanto ao seguimento pós-parto, a recomendação é reavaliar a mulher com TOTG de 75 g entre 4 e 12 semanas após o parto (algumas diretrizes especificam 6 a 12 semanas), e não entre 4 e 6 semanas como afirma a alternativa D. Por fim, o DMG ocorre predominantemente no segundo e terceiro trimestres, quando a resistência insulínica é maior — a alternativa E inverte esse conceito.
A alternativa B é a correta porque resume o prognóstico metabólico de longo prazo da mulher com DMG. Estudos mostram que até 40% das mulheres com DMG desenvolvem diabetes mellitus nos 20 anos subsequentes, e o risco de recorrência em gestações futuras é elevado. Além disso, o DMG está associado a maior risco de síndrome metabólica, incluindo dislipidemia e hipertensão arterial. A gestação funciona como um teste provocativo que identifica mulheres com predisposição a distúrbios metabólicos, mas não é, por si só, um fator de risco independente para o desenvolvimento futuro de diabetes — o que reforça a importância do seguimento dessas pacientes.
Guarde a fronteira entre os critérios diagnósticos (um valor alterado vs. dois valores), o tratamento de escolha (insulina vs. GLP-1) e o período de maior incidência (terceiro trimestre vs. primeiro): é exatamente nesses pontos que as alternativas se dividem.
DMG (intolerância à glicose na gestação): Fisiopatologia (Resistência insulínica por hormônios placentários, Pico no 3º trimestre); Diagnóstico (TOTG 75g) (Jejum ≥ 92, 1h ≥ 180, 2h ≥ 153, Basta 1 valor alterado); Tratamento (Dieta + exercício, Insulina (se metas não atingidas), GLP-1 contraindicado); Pós-parto (Reteste TOTG 4–12 semanas, Risco de DM2, dislipidemia, hipertensão)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o diagnóstico é confirmado quando dois valores do TOTG atingem ou ultrapassam os valores de referência. Isso está errado: segundo os critérios da IADPSG, adotados no Brasil, basta um único valor alterado (jejum ≥ 92 mg/dL, 1h ≥ 180 mg/dL ou 2h ≥ 153 mg/dL) para confirmar o diagnóstico de DMG. A banca explora a confusão com o diagnóstico de diabetes mellitus fora da gestação, em que, em geral, são necessários dois exames alterados para confirmar o diagnóstico.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao afirmar que há risco elevado de recorrência do DMG em gestações futuras e de desenvolvimento posterior de diabetes tipo 2, dislipidemia e hipertensão. Essa é uma associação bem estabelecida: a gestação atua como um teste de estresse metabólico, e mulheres com DMG têm risco substancialmente aumentado de desenvolver diabetes mellitus tipo 2 e síndrome metabólica ao longo da vida. Estima-se que até 40% das mulheres com DMG desenvolvam diabetes nos 20 anos subsequentes.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o tratamento de escolha é o uso de análogo do GLP-1. Isso é gravemente incorreto: os análogos do GLP-1 são contraindicados na gestação, pois não há dados de segurança para o feto. O tratamento de primeira linha do DMG é a terapia nutricional (dieta) e exercícios físicos; quando as metas glicêmicas não são atingidas, a insulina é o tratamento de escolha. A banca troca o tratamento correto (insulina) por uma classe de medicamentos que, embora útil no DM2, é proibida na gestação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Recomenda o reteste com TOTG entre 4 e 6 semanas após o parto. O período recomendado é mais amplo: entre 4 e 12 semanas (algumas diretrizes especificam 6 a 12 semanas) após o parto. A alternativa estreita a janela, o que a torna incorreta. O objetivo do reteste é reclassificar a mulher: aproximadamente 10% ainda terão diabetes franco no pós-parto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o DMG ocorre predominantemente no primeiro trimestre, período de menor resistência insulínica. Isso é o oposto da realidade: o DMG ocorre predominantemente no segundo e terceiro trimestres, quando a resistência insulínica induzida pelos hormônios placentários atinge o pico. O rastreamento é realizado entre 24 e 28 semanas justamente por isso. A alternativa inverte o período de maior incidência e a fisiologia da resistência insulínica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora três trocas clássicas: (1) o diagnóstico por um valor alterado no TOTG (alternativa A) — o candidato confunde com o diagnóstico de DM fora da gestação, que exige dois exames alterados; (2) o tratamento com insulina (alternativa C) — o candidato pode associar o GLP-1 ao controle de peso, mas ele é contraindicado na gestação; (3) o período de maior incidência no terceiro trimestre (alternativa E) — o candidato pode pensar que a resistência insulínica é maior no início da gestação. Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para fixar os critérios diagnósticos do DMG, memorize a tríade do TOTG-75g: jejum ≥ 92, 1h ≥ 180, 2h ≥ 153 mg/dL — e lembre-se: basta UM valor alterado. Compare com o diagnóstico de DM fora da gestação, que exige dois exames alterados (ou um exame + sintomas). Essa distinção é a mais cobrada em provas.