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Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
qg726664
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia
Paciente, 25 anos, procura atendimento para realização de exames de rotina. Relata receio de desenvolver diabetes, pois ambos os pais são diabéticos em uso de insulina. Não apresenta sintomas, mas reconhece que precisa melhorar hábitos alimentares e de atividade física. O seu peso é 85 kg e a PA 110 x 80 mmHg. Nega uso prévio de medicamentos. Com base nas informações apresentadas, assinale a alternativa correta sobre o diagnóstico de diabetes mellitus.
  1. AO diagnóstico de diabetes será confirmado se apresentar glicemia de jejum ≥ 110 mg/dL em duas ocasiões distintas.
  2. BO diagnóstico de diabetes pode ser feito com a dosagem de glicemia 2h após TOTG ≥ 200 mg/dL.
  3. CO diagnóstico será estabelecido com hemoglobina glicada ≥ 6,4%.
  4. DO diagnóstico é confirmado apenas pela presença de sintomas clássicos.
  5. EA presença de histórico familiar já confirma o diagnóstico.
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GabaritoB — O diagnóstico de diabetes pode ser feito com a dosagem de glicemia 2h após TOTG ≥ 200 mg/dL.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diagnóstico de Diabetes Mellitus: critérios laboratoriais

Gabarito: letra B. O diagnóstico de diabetes mellitus pode ser estabelecido pela glicemia de 2 horas após sobrecarga oral de glicose (TOTG) ≥ 200 mg/dL, conforme os critérios da Sociedade Brasileira de Diabetes e da American Diabetes Association. As demais alternativas trazem valores incorretos ou conceitos equivocados sobre o diagnóstico.

O diabetes mellitus é uma doença crônica caracterizada pela hiperglicemia, resultante de defeitos na secreção e/ou ação da insulina. O diagnóstico é essencialmente laboratorial, baseado na detecção de níveis elevados de glicose no sangue, e pode ser feito por quatro métodos principais: glicemia de jejum, glicemia ao acaso (em pacientes sintomáticos), teste oral de tolerância à glicose (TOTG) e hemoglobina glicada (HbA1c).

Os critérios diagnósticos são padronizados internacionalmente e baseiam-se na correlação entre os níveis glicêmicos e o desenvolvimento de complicações crônicas, especialmente a retinopatia diabética. O ponto de corte de cada exame foi definido a partir do limiar em que o risco de complicações aumenta significativamente.

A recomendação atual da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) estabelece que o diagnóstico pode ser feito com glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL, HbA1c ≥ 6,5%, glicemia no TOTG-1h ≥ 209 mg/dL ou glicemia no TOTG-2h ≥ 200 mg/dL. Se apenas um exame estiver alterado, ele deve ser repetido para confirmação, exceto em pacientes com sintomas clássicos de hiperglicemia, nos quais uma glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dL já é suficiente.

Sociedade Brasileira de Diabetes — Diretrizes 2024-2025:

R1 — "É RECOMENDADO utilizar, como critérios de diagnóstico de DM, a glicemia de jejum maior ou igual a 126 mg/dl, a HbA1c maior ou igual a 6,5%, a glicemia no TTGO-1h maior ou igual a 209 mg/dl ou a glicemia no TTGO-2h maior ou igual a 200 mg/dl. Se somente um exame estiver alterado, este deverá ser repetido para confirmação."

É importante destacar que o paciente do caso é assintomático, portanto, a confirmação diagnóstica exigiria a repetição do exame alterado em um dia diferente, conforme a recomendação. O histórico familiar é um fator de risco importante, mas não confirma o diagnóstico — ele apenas indica a necessidade de rastreamento.

A tabela abaixo resume os critérios diagnósticos e os valores de referência para cada exame:

Exame

Normal

Pré-diabetes

Diabetes

Glicemia de jejum

< 100 mg/dL

100–125 mg/dL

≥ 126 mg/dL

Glicemia 2h pós-TOTG

< 140 mg/dL

140–199 mg/dL

≥ 200 mg/dL

HbA1c

≤ 5,6%

5,7–6,4%

≥ 6,5%

Glicemia ao acaso (com sintomas)

—

—

≥ 200 mg/dL

A pegadinha central desta questão está nos valores de corte: a banca troca o limiar correto da glicemia de jejum (126 mg/dL) por 110 mg/dL, e o da HbA1c (6,5%) por 6,4%. Esses valores alterados correspondem, na verdade, aos critérios de pré-diabetes, não de diabetes estabelecido. Guarde bem os números: 126, 200 e 6,5% são os limiares diagnósticos de diabetes; 100–125, 140–199 e 5,7–6,4% são as faixas de pré-diabetes.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O valor de 110 mg/dL está errado. O critério diagnóstico de diabetes pela glicemia de jejum é ≥ 126 mg/dL, e não ≥ 110 mg/dL. O valor de 110 mg/dL está dentro da faixa de glicemia de jejum alterada (pré-diabetes), que vai de 100 a 125 mg/dL. Além disso, a alternativa afirma que seriam necessárias "duas ocasiões distintas" — isso é verdade para pacientes assintomáticos, mas o valor de corte apresentado está incorreto.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A glicemia de 2 horas após o TOTG (teste oral de tolerância à glicose, com 75 g de glicose) ≥ 200 mg/dL é, de fato, um critério diagnóstico de diabetes mellitus. Este é um dos quatro métodos aceitos para o diagnóstico, conforme as diretrizes da SBD e da ADA. A alternativa está correta ao afirmar que o diagnóstico "pode ser feito" com esse valor, pois, em pacientes assintomáticos, o exame alterado deve ser repetido para confirmação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O valor de 6,4% está errado. O critério diagnóstico de diabetes pela hemoglobina glicada (HbA1c) é ≥ 6,5%. O valor de 6,4% está no limite superior da faixa de pré-diabetes (5,7% a 6,4%), portanto, não confirma o diagnóstico de diabetes. A banca trocou o valor por um ponto percentual a menos, uma pegadinha clássica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O diagnóstico de diabetes não é confirmado apenas pela presença de sintomas clássicos. Os sintomas (poliúria, polidipsia, polifagia, perda de peso) são sugestivos de hiperglicemia e, na presença deles, uma glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dL confirma o diagnóstico. No entanto, a alternativa exclui a necessidade do exame laboratorial, o que é incorreto — o diagnóstico é sempre laboratorial, mesmo em pacientes sintomáticos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O histórico familiar é um fator de risco importante para o desenvolvimento de diabetes tipo 2, mas não confirma o diagnóstico. O diagnóstico exige a demonstração laboratorial de hiperglicemia. A presença de pais diabéticos apenas indica a necessidade de rastreamento mais precoce e frequente, conforme as recomendações de rastreamento para DM2.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os valores de corte do diagnóstico de diabetes e os de pré-diabetes. Os valores de 110 mg/dL (glicemia de jejum) e 6,4% (HbA1c) são distratores que correspondem, respectivamente, à faixa de glicemia de jejum alterada e ao limite superior da pré-diabetes. Memorize os limiares exatos: glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL, TOTG-2h ≥ 200 mg/dL, HbA1c ≥ 6,5% e glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dL com sintomas.

Gabarito: letra B

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