Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
qg726666
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia
Pacientes com infecção pelo HIV podem apresentar diversas alterações endócrinas e metabólicas, decorrentes tanto da própria infecção quanto do uso prolongado da terapia antirretroviral. Essas alterações exigem acompanhamento clínico cuidadoso, a fim de prevenir complicações. Entre as doenças metabólicas mais comumente associadas ao HIV, está(ão)
Ahipertireoidismo.
Bhiperparatireoidismo.
Chipogonadismo hipogonadotrófico e hipertireoidismo.
Ddislipidemia e resistência insulínica.
Ehipoparatireoidismo e hiperuricemia
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GabaritoD — dislipidemia e resistência insulínica.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Alterações metabólicas e endócrinas na infecção pelo HIV
Gabarito: letra D. As alterações metabólicas mais comumente associadas à infecção pelo HIV e à terapia antirretroviral (TARV) são a dislipidemia e a resistência insulínica, que integram a chamada síndrome metabólica — um conjunto de fatores de risco cardiovascular amplamente descrito nos protocolos de manejo clínico de pessoas vivendo com HIV (PVHIV). As demais alternativas citam distúrbios que não figuram entre as complicações metabólicas mais frequentes nesse contexto.
A infecção pelo HIV e o uso prolongado da TARV promovem um estado de inflamação crônica e ativação imune persistente, que desencadeia uma série de alterações metabólicas. O próprio vírus exerce ação aterogênica, e os antirretrovirais — especialmente os inibidores de protease — contribuem para o desenvolvimento de dislipidemia, resistência insulínica e redistribuição da gordura corporal (lipodistrofia). Esses fatores, somados, elevam substancialmente o risco cardiovascular dessa população.
A síndrome metabólica é definida como um conjunto de fatores de risco para doença cardiovascular e diabetes, incluindo hiperglicemia, hipertensão arterial, hipertrigliceridemia, redução do HDL colesterol e obesidade (em especial a obesidade central). O diagnóstico exige a presença de obesidade visceral (critério obrigatório) mais dois dos seguintes: triglicerídeos ≥ 150 mg/dL, HDL < 40 mg/dL (homens) ou < 50 mg/dL (mulheres), pressão arterial ≥ 130/85 mmHg e glicemia de jejum > 99 mg/dL.
Na prática clínica, o acompanhamento de PVHIV inclui a avaliação periódica do perfil lipídico e da glicemia, além do cálculo do risco cardiovascular. O manejo da dislipidemia envolve mudanças no estilo de vida e, quando necessário, o uso de estatinas — sempre atento às interações medicamentosas com a TARV. A resistência insulínica, por sua vez, pode evoluir para diabetes mellitus, exigindo rastreamento regular.
É importante distinguir as alterações metabólicas frequentes das complicações endócrinas menos comuns. Enquanto dislipidemia e resistência insulínica são altamente prevalentes, distúrbios como hipogonadismo, alterações tireoidianas e paratireoidianas são menos frequentes ou ocorrem em contextos específicos. O hipogonadismo hipogonadotrófico, por exemplo, pode ocorrer em homens com HIV avançado, mas não é uma das alterações metabólicas "mais comumente associadas" — o enunciado pede justamente as mais comuns, o que direciona para a síndrome metabólica.
Guarde este critério: a questão pergunta pelas doenças metabólicas mais comuns no HIV — e o binômio dislipidemia + resistência insulínica é a marca registrada da síndrome metabólica nessa população. É exatamente essa associação que a alternativa D espelha.
Alterações no HIV/TARV
1Metabólicas frequentes
Dislipidemia
Resistência insulínica
Síndrome metabólica
Lipodistrofia
2Endócrinas menos comuns
Hipogonadismo
Alterações tireoidianas
Hipoparatireoidismo (raro)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O hipertireoidismo não é uma complicação metabólica comum da infecção pelo HIV ou da TARV. Embora alterações tireoidianas possam ocorrer, o hipertireoidismo não figura entre as doenças metabólicas mais frequentemente associadas ao HIV. A alternativa erra ao eleger um distúrbio endócrino específico que não é prevalente nesse contexto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O hiperparatireoidismo também não é uma complicação metabólica comum no HIV. Na verdade, o que pode ocorrer é o hipoparatireoidismo — e mesmo assim como causa rara, associada a condições infiltrativas. A alternativa troca o distúrbio paratireoidiano mais relevante (que seria o hipo, não o hiper) e, ainda assim, não se trata de uma alteração frequente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O hipogonadismo hipogonadotrófico pode ocorrer em homens com HIV, especialmente em estágios avançados, mas não é uma das alterações metabólicas mais comuns. A alternativa comete dois erros: inclui o hipogonadismo (que não é a complicação mais frequente) e o associa ao hipertireoidismo (que também não é comum). A combinação de dois distúrbios pouco prevalentes não corresponde ao perfil metabólico típico do HIV.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dislipidemia e a resistência insulínica são as alterações metabólicas mais comumente associadas ao HIV e à TARV. A dislipidemia — caracterizada por elevação de triglicerídeos e redução do HDL — é um achado frequente, agravado pelo uso de inibidores de protease. A resistência insulínica, por sua vez, é um componente central da síndrome metabólica e predispõe ao diabetes. Ambas integram o conjunto de fatores de risco cardiovascular que exige acompanhamento clínico cuidadoso em PVHIV.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O hipoparatireoidismo é uma causa rara de alteração metabólica no HIV, ocorrendo apenas em condições infiltrativas muito específicas. A hiperuricemia pode estar elevada em alguns pacientes, mas não é uma das complicações metabólicas mais comuns. A alternativa reúne dois distúrbios que não figuram entre as principais alterações metabólicas associadas ao HIV.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as alterações metabólicas frequentes (dislipidemia, resistência insulínica, síndrome metabólica) e os distúrbios endócrinos raros ou específicos (hipogonadismo, alterações tireoidianas e paratireoidianas). O candidato que memoriza listas de complicações sem hierarquizar a frequência acaba marcando uma alternativa com distúrbios que "existem" no HIV, mas não são os mais comuns. A palavra-chave do enunciado é "mais comumente associadas" — isso aponta diretamente para a síndrome metabólica.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre complicações do HIV, organize o estudo em dois blocos: (1) alterações metabólicas frequentes — dislipidemia, resistência insulínica, síndrome metabólica, lipodistrofia, osteopenia/osteoporose; (2) distúrbios endócrinos menos comuns — hipogonadismo, alterações tireoidianas, hipoparatireoidismo (raro). Quando o enunciado pedir as "mais comuns", responda pelo primeiro bloco.