Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
qg726672
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia
Paciente de 24 anos foi encaminhado pelo cardiologista para investigação de síndrome de Cushing. Relata ganho ponderal significativo nos últimos meses, irregularidade menstrual e episódios de elevação pressórica. Ao exame físico, apresenta estrias violáceas abdominais e fácies em lua cheia. Com base nesse quadro clínico, assinale a alternativa correta.
APara confirmar o diagnóstico, é necessário encontrar dois valores de cortisol sérico ≥ 26 µg/dL.
BA dosagem de ACTH maior que 60 pg/mL confirma o diagnóstico de síndrome de Cushing.
CMesmo em casos com sinais clínicos sugestivos, é indispensável realizar exames laboratoriais para confirmação diagnóstica.
DO diagnóstico clínico isolado é suficiente, dispensando exames laboratoriais ou de imagem.
EA presença de estrias violáceas e obesidade central confirma o diagnóstico de síndrome de Cushing endógeno.
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GabaritoC — Mesmo em casos com sinais clínicos sugestivos, é indispensável realizar exames laboratoriais para confirmação diagnóstica.
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Síndrome de Cushing: diagnóstico clínico e laboratorial
Gabarito: letra C. Mesmo diante de sinais clínicos fortemente sugestivos de síndrome de Cushing — como estrias violáceas, fácies em lua cheia e obesidade centrípeta —, o diagnóstico definitivo exige confirmação laboratorial do hipercortisolismo, pois nenhum achado clínico isolado é patognomônico. A conduta correta é sempre realizar exames que comprovem o excesso de cortisol antes de qualquer tratamento ou investigação de imagem.
A síndrome de Cushing é definida como o conjunto de sinais e sintomas resultantes da exposição crônica a níveis elevados de glicocorticoides, independentemente da causa. O diagnóstico é essencialmente laboratorial e segue uma sequência lógica: primeiro confirma-se o hipercortisolismo; depois, determina-se se ele é dependente ou independente de ACTH; e, por fim, localiza-se a fonte (hipófise, adrenal ou produção ectópica). Os exames de imagem — TC de adrenais ou RM de hipófise — só devem ser realizados após a confirmação bioquímica do hipercortisolismo, como reforça a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2020.
Os principais testes de rastreio e confirmação são: cortisol livre em urina de 24 horas, cortisol salivar à meia-noite (coletado em duas noites consecutivas) e o teste de supressão com 1 mg de dexametasona (administrada às 23h, com dosagem do cortisol sérico entre 7h e 8h da manhã seguinte). Um único achado positivo não é suficiente para firmar o diagnóstico — o exame deve ser repetido e confirmado com testes adicionais, especialmente porque a produção de ACTH pode ser cíclica. A supressão do cortisol para valores abaixo de 1,8 µg/dL após a dexametasona é considerada resposta normal; valores acima disso indicam ausência de supressão e sugerem hipercortisolismo.
É importante distinguir o hipercortisolismo patológico da ativação fisiológica do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, que ocorre em situações como doença crítica, alcoolismo, anorexia nervosa, depressão grave e gravidez — a chamada pseudossíndrome de Cushing. Nesses casos, os exames podem estar alterados sem que haja doença de Cushing verdadeira, o que reforça a necessidade de confirmação laboratorial criteriosa e, muitas vezes, repetida.
A banca explora exatamente a falsa impressão de que o quadro clínico exuberante dispensa exames. Na prática clínica, porém, nenhum sinal isolado — nem mesmo as estrias violáceas ou a fácies em lua cheia — é suficiente para fechar o diagnóstico. O raciocínio que separa as alternativas é: sinais clínicos geram suspeita; exames laboratoriais confirmam.
1Suspeita clínica (sinais e sintomas)
2Confirmação laboratorial do hipercortisolismo
3Classificação: ACTH-dependente ou não
4Localização por imagem (TC/RM)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que seriam necessários dois valores de cortisol sérico ≥ 26 µg/dL para confirmar o diagnóstico. Não há esse critério numérico na investigação da síndrome de Cushing. Os testes diagnósticos são o cortisol livre urinário de 24h, o cortisol salivar noturno e o teste de supressão com dexametasona — e não a simples dosagem de cortisol sérico com ponto de corte fixo de 26 µg/dL. O valor citado não corresponde a nenhum critério diagnóstico estabelecido.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que ACTH > 60 pg/mL confirma o diagnóstico. A dosagem de ACTH não confirma a síndrome de Cushing — ela serve apenas para classificar o hipercortisolismo já confirmado em dependente ou independente de ACTH. Além disso, não há um ponto de corte único e absoluto de 60 pg/mL que "confirme" o diagnóstico; a interpretação depende do contexto e de outros exames. O passo inicial é sempre comprovar o hipercortisolismo.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta correta e o cerne da questão. Mesmo com sinais clínicos altamente sugestivos — estrias violáceas, fácies em lua cheia, obesidade centrípeta, irregularidade menstrual e hipertensão —, o diagnóstico de síndrome de Cushing é indispensavelmente laboratorial. Os exames confirmam o excesso de cortisol e afastam a pseudossíndrome de Cushing e outras causas de obesidade. A imagem (TC/RM) só entra depois da confirmação bioquímica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o diagnóstico clínico isolado é suficiente, dispensando exames. É exatamente o oposto da prática recomendada: o diagnóstico clínico é apenas a suspeita inicial; a confirmação exige exames laboratoriais. Dispensá-los levaria a erros diagnósticos, pois muitos sinais (obesidade, face redonda, estrias) também ocorrem em outras condições.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que estrias violáceas e obesidade central confirmam o diagnóstico de síndrome de Cushing endógeno. Esses são sinais sugestivos, mas não confirmam o diagnóstico — e muito menos o classificam como endógeno. A confirmação é laboratorial, e a distinção entre causa endógena e exógena (uso de glicocorticoides) depende da história clínica e da dosagem de ACTH e cortisol, não apenas do exame físico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato acreditar que o quadro clínico exuberante (estrias violáceas, lua cheia, obesidade central) é suficiente para o diagnóstico. Na prática, porém, esses sinais apenas levantam a suspeita — a confirmação é sempre bioquímica. Guarde a sequência: suspeita clínica → confirmação laboratorial do hipercortisolismo → classificação (ACTH-dependente ou não) → localização por imagem.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, desconfie de qualquer alternativa que "confirme" o diagnóstico de Cushing com um único valor numérico (cortisol sérico, ACTH) ou apenas com sinais clínicos. O padrão-ouro do raciocínio é: primeiro comprovar o hipercortisolismo com os testes de rastreio (cortisol urinário de 24h, cortisol salivar noturno, supressão com dexametasona); só depois pensar em ACTH e imagem.