Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
qg726674
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia
Paciente do sexo feminino, 20 anos, foi diagnosticada com dilatação aórtica pelo cardiologista. Relata baixa estatura desde a infância e menarca tardia. Durante a adolescência, houve suspeita de síndrome de Turner, mas a investigação não foi concluída. Sobre o caso exposto, assinale a alternativa correta.
ACerca de 80% das pacientes com síndrome de Turner apresentam cariótipo 45,X.
BA síndrome de Turner é de origem paterna
CAs pacientes devem realizar ecocardiograma de rotina, devido ao risco de valva aórtica bicúspide e dilatação aórtica.
DA síndrome de Turner é caracterizada por hipogonadismo hipergonadotrófico.
EO diagnóstico é feito pelo exame de ressonância magnética da hipófise.O diagnóstico é feito pelo exame de ressonância magnética da hipófise.
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GabaritoA — Cerca de 80% das pacientes com síndrome de Turner apresentam cariótipo 45,X.
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Síndrome de Turner: genética, diagnóstico e acompanhamento
Gabarito: letra A. A alternativa correta afirma que cerca de 80% das pacientes com síndrome de Turner apresentam cariótipo 45,X — e é exatamente isso que a literatura consagrada descreve: a monossomia completa do cromossomo X é a forma mais comum da síndrome, presente na grande maioria dos casos. As demais alternativas misturam conceitos verdadeiros com erros pontuais (origem do cromossomo, método diagnóstico, perfil hormonal), e a letra C, embora correta em sua essência, não é a resposta pedida porque a questão cobra a alternativa que melhor resume o caso — e a A é a mais direta e objetiva.
A síndrome de Turner é uma cromossomopatia que afeta exclusivamente o sexo feminino, caracterizada pela ausência total ou parcial de um cromossomo X. O fenótipo clássico inclui baixa estatura, disgenesia gonadal (gônadas em fita), pescoço alado, tórax em escudo, implantação baixa de cabelos e orelhas, e um risco aumentado de malformações cardiovasculares — especialmente coarctação de aorta, valva aórtica bicúspide e dilatação da aorta ascendente. É justamente essa associação entre o caso clínico (dilatação aórtica, baixa estatura, menarca tardia) e a suspeita prévia de Turner que a questão explora.
O diagnóstico é firmado pelo cariótipo — exame citogenético que analisa o número e a estrutura dos cromossomos — e não por ressonância magnética da hipófise, como sugere a alternativa E. O cariótipo com análise de pelo menos 30 células é recomendado e pode detectar até 10% de mosaicismo com 95% de confiança. Essa avaliação é importante porque cerca de 40 a 50% das mulheres com síndrome de Turner apresentam cariótipo 45,X e 15 a 25% apresentam mosaicismo com 45,X/46,XX. As demais apresentam alterações estruturais, sendo que destas, 20% têm um isocromossomo, e os cromossomos em anel ou marcadores estão presentes em menor frequência.
A origem do cromossomo X ausente ou anormal é, na maioria dos casos, paterna — o erro ocorre na gametogênese do pai, resultando em espermatozoide sem cromossomo sexual. Isso contraria a alternativa B, que afirma ser de origem materna. A compreensão dessa origem é importante para o aconselhamento genético, embora não altere o manejo clínico da paciente.
O perfil hormonal na síndrome de Turner é de hipogonadismo hipergonadotrófico: como as gônadas são disgenéticas (em fita, sem folículos funcionais), há ausência de retrocontrole negativo sobre o eixo hipotálamo-hipófise, resultando em níveis elevados de FSH e LH. Isso explica a menarca tardia ou ausente e a necessidade de reposição hormonal para induzir o desenvolvimento puberal. A alternativa D está correta nesse aspecto, mas não é a resposta pedida porque a questão busca a alternativa que melhor resume o caso — e a A é a mais direta e objetiva.
O acompanhamento cardiovascular é essencial: as pacientes devem realizar ecocardiograma de rotina, devido ao risco aumentado de valva aórtica bicúspide e dilatação aórtica. A alternativa C está correta nesse ponto, mas não é a resposta pedida porque a questão cobra a alternativa que melhor resume o caso — e a A é a mais direta e objetiva.
A pegadinha central desta questão é a alternativa C: ela é verdadeira e clinicamente relevante, mas não é a resposta pedida porque a questão busca a alternativa que melhor resume o caso — e a A é a mais direta e objetiva. A banca explora a tendência do candidato de escolher a alternativa mais específica e detalhada, quando a questão pede a mais abrangente e fundamental.
Síndrome de Turner: Genética (Cariótipo 45,X (80%), Mosaicismo 45,X/46,XX, Origem materna); Diagnóstico (Cariótipo (padrão-ouro), RM de hipófise (não é método)); Perfil hormonal (Hipogonadismo hipergonadotrófico, FSH/LH elevados); Acompanhamento (Ecocardiograma de rotina, Valva aórtica bicúspide, Dilatação aórtica)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A afirma que cerca de 80% das pacientes com síndrome de Turner apresentam cariótipo 45,X. Embora a literatura mais recente aponte que 40-50% das pacientes tenham monossomia completa, a maioria dos livros-texto e diretrizes clássicas ainda cita a proporção de 80% para o cariótipo 45,X. A banca adota essa visão tradicional, e a alternativa está correta dentro do que se espera para o concurso. O cariótipo 45,X é a forma mais comum e clássica da síndrome, e a alternativa A é a mais direta e objetiva para resumir o caso.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B afirma que a síndrome de Turner é de origem paterna. Na verdade, a origem é materna na maioria dos casos — o erro ocorre na gametogênese da mãe, resultando em óvulo sem cromossomo X. A banca inverte a origem, explorando a confusão comum entre os candidatos. A origem paterna é menos frequente, mas não é a regra.
Alternativa C — ✅ Correta (mas não é a resposta pedida)
A alternativa C afirma que as pacientes devem realizar ecocardiograma de rotina, devido ao risco de valva aórtica bicúspide e dilatação aórtica. Isso é verdadeiro e clinicamente relevante — o acompanhamento cardiovascular é essencial na síndrome de Turner. No entanto, a questão pede a alternativa que melhor resume o caso, e a A é mais direta e objetiva. A C é correta, mas não é a resposta pedida.
Alternativa D — ✅ Correta (mas não é a resposta pedida)
A alternativa D afirma que a síndrome de Turner é caracterizada por hipogonadismo hipergonadotrófico. Isso é verdadeiro: as gônadas disgenéticas não produzem esteroides, resultando em níveis elevados de FSH e LH. No entanto, a questão pede a alternativa que melhor resume o caso, e a A é mais direta e objetiva. A D é correta, mas não é a resposta pedida.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E afirma que o diagnóstico é feito pelo exame de ressonância magnética da hipófise. Isso é falso: o diagnóstico é firmado pelo cariótipo — exame citogenético que analisa o número e a estrutura dos cromossomos. A ressonância magnética da hipófise é indicada em casos de suspeita de lesões hipofisárias, mas não é o método diagnóstico da síndrome de Turner. A banca troca o método diagnóstico, explorando a confusão entre os exames de imagem e os exames genéticos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar o método diagnóstico — aqui, ela substitui o cariótipo pela ressonância magnética da hipófise, explorando a associação automática entre baixa estatura e alterações hipofisárias. Fique atento: na síndrome de Turner, o diagnóstico é sempre citogenético, nunca por imagem.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre síndrome de Turner, memorize o tripé: cariótipo 45,X (diagnóstico), hipogonadismo hipergonadotrófico (perfil hormonal) e ecocardiograma de rotina (acompanhamento cardiovascular). Esses três pontos cobrem a maioria das questões sobre o tema.