Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
qg726678
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia
Diversos medicamentos podem elevar a prolactina. A investigação da hiperprolactinemia deve começar sempre por uma anamnese detalhada e pela exclusão de causas farmacológicas. Considerando o exposto, assinale a alternativa correta.
AA risperidona raramente causa aumento da prolactina.
BA domperidona é um dos medicamentos que mais aumentam a prolactina.
CA levotiroxina, em doses elevadas, é causa frequente de hiperprolactinemia.
DAntidepressivos tricíclicos costumam reduzir os níveis séricos de prolactina.
EO uso de anticoncepcional oral combinado causa hiperprolactinemia severa.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — A domperidona é um dos medicamentos que mais aumentam a prolactina.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hiperprolactinemia induzida por medicamentos
Gabarito: letra B. A domperidona é um antagonista dopaminérgico periférico e, por isso, é um dos fármacos que mais elevam a prolactina — a literatura médica a lista entre as principais causas farmacológicas de hiperprolactinemia. A investigação da hiperprolactinemia exige, antes de qualquer exame de imagem, a exclusão de causas fisiológicas e medicamentosas, conforme o próprio enunciado destaca.
A prolactina (PRL) é um hormônio hipofisário cuja secreção é tonicamente inibida pela dopamina, liberada pelo hipotálamo e transportada até os lactotrofos da adeno-hipófise. Qualquer fármaco que bloqueie os receptores dopaminérgicos (D2) ou que deplete a dopamina central remove essa inibição e, consequentemente, eleva a PRL. É por isso que os antagonistas dopaminérgicos — como a domperidona, a metoclopramida e os antipsicóticos — são os grandes vilões farmacológicos da hiperprolactinemia. A domperidona, embora seja um antiemético de ação predominantemente periférica, atravessa a barreira hematoencefálica em quantidade suficiente para bloquear os receptores D2 hipofisários, elevando a prolactina de forma significativa. O material de apoio confirma essa relação ao listar, entre as causas medicamentosas, a metildopa, os estrogênios, a metoclopramida, a domperidona, os neurolépticos e os antipsicóticos.
Na prática clínica, a conduta diante de um paciente com prolactina elevada começa pela anamnese dirigida a medicamentos em uso, seguida da exclusão de causas fisiológicas (gravidez, estresse, exercício, manipulação mamária, sono) e de causas patológicas como hipotireoidismo primário e insuficiência renal. Somente após afastar essas etiologias é que se parte para a investigação de tumores hipofisários com ressonância magnética. A hiperprolactinemia induzida por fármacos costuma ser leve a moderada, mas alguns medicamentos, como a risperidona e a metoclopramida, podem elevar a PRL para níveis acima de 200 ng/mL — o que não afasta a suspeita de causa medicamentosa.
A distinção que importa nesta questão é entre os fármacos que aumentam a prolactina (antagonistas dopaminérgicos, estrogênios, antidepressivos tricíclicos, opiáceos, cocaína) e aqueles que não têm esse efeito ou até a reduzem (agonistas dopaminérgicos, como bromocriptina e cabergolina, usados justamente no tratamento). A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato que sabe que a domperidona é um antagonista dopaminérgico acerta; o que confunde os mecanismos erra. Guarde o critério: todo antagonista dopaminérgico eleva a prolactina — e é esse o filtro que separa as alternativas.
Medicamento
Efeito sobre a prolactina
Mecanismo principal
Domperidona
Aumenta (frequentemente de forma significativa)
Antagonismo dopaminérgico (bloqueio de receptores D2)
Risperidona
Aumenta (frequentemente, às vezes > 200 ng/mL)
Antagonismo dopaminérgico (bloqueio de receptores D2)
Levotiroxina
Não aumenta (sem efeito direto)
— (hipotireoidismo não tratado é que eleva a PRL)
Antidepressivos tricíclicos
Aumenta
Interferência na neurotransmissão dopaminérgica/serotoninérgica
Anticoncepcional oral combinado
Aumenta (leve a moderado)
Estimulação estrogênica
Fármacos que elevam a prolactina: Antagonistas dopaminérgicos (D2) (Domperidona, Metoclopramida, Antipsicóticos (risperidona)); Estrogênios (Anticoncepcional oral (leve)); Antidepressivos tricíclicos; Outros (Opiáceos, Cocaína, Metildopa)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A risperidona é um antipsicótico atípico que bloqueia receptores D2 e, portanto, eleva a prolactina de forma frequente e por vezes acentuada — o material de apoio cita a risperidona como capaz de aumentar a PRL para mais de 200 ng/mL. A alternativa inverte o efeito ao afirmar que "raramente" causa aumento, quando na verdade é uma das causas farmacológicas mais relevantes.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A domperidona é um antagonista dopaminérgico periférico usado como antiemético e pró-cinético. Ao bloquear os receptores D2 na hipófise, ela remove a inibição dopaminérgica sobre os lactotrofos e eleva a prolactina de forma significativa. A literatura a inclui entre os medicamentos que mais aumentam a PRL, ao lado da metoclopramida e dos neurolépticos. A afirmativa está correta e espelha exatamente o mecanismo descrito.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A levotiroxina é o hormônio tireoidiano sintético usado no tratamento do hipotireoidismo. Não há mecanismo pelo qual doses elevadas de levotiroxina elevem a prolactina; pelo contrário, é o hipotireoidismo primário (com TRH elevado) que estimula a síntese de PRL e causa hiperprolactinemia. A alternativa troca a causa: quem eleva a PRL é o hipotireoidismo, não o tratamento com levotiroxina.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Os antidepressivos tricíclicos estão listados entre as causas farmacológicas de hiperprolactinemia — eles aumentam os níveis séricos de prolactina, não os reduzem. A alternativa inverte o efeito. O mecanismo envolve a interferência na neurotransmissão dopaminérgica e serotoninérgica, que desinibe a secreção de PRL.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O anticoncepcional oral combinado contém estrogênio, que estimula a prolactina, mas o aumento costuma ser leve a moderado, raramente causando hiperprolactinemia severa. A alternativa exagera a magnitude do efeito. Os estrogênios estão listados entre as causas farmacológicas, mas a elevação típica é discreta e raramente atinge níveis que justifiquem sintomas importantes.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão do efeito farmacológico: troca "aumenta" por "reduz" (antidepressivos tricíclicos) e "causa frequente" por "raramente" (risperidona). O candidato que decora a lista de medicamentos que elevam a PRL sem entender o mecanismo — bloqueio dopaminérgico — cai nas alternativas A e D. Compreenda o princípio: antagonista dopaminérgico = prolactina alta.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte mentalmente a tabela dos fármacos que elevam a prolactina: antagonistas dopaminérgicos (domperidona, metoclopramida, antipsicóticos típicos e atípicos), estrogênios, antidepressivos tricíclicos, inibidores de MAO, opiáceos, cocaína, metildopa e reserpina. Na prova, ao ver um desses nomes, marque como causa de hiperprolactinemia — e lembre que a conduta é suspender ou substituir o fármaco, não tratar com agonista dopaminérgico de rotina.
Gabarito: letra B — a domperidona é um dos medicamentos que mais elevam a prolactina.