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Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
qg726684
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia
A avaliação do crescimento infantil é fundamental para o diagnóstico precoce de distúrbios hormonais e metabólicos. O acompanhamento regular permite identificar desvios da curva de crescimento e definir o momento de investigação endocrinológica. Deve-se investigar o déficit de crescimento em casos de
  1. Acrianças com diagnóstico de baixa estatura (Z-escore < –5) ou desaceleração de crescimento após os 5 a 7 anos de idade.
  2. Bcrianças com diagnóstico de baixa estatura apenas quando há história familiar de nanismo
  3. Ccrianças com estatura abaixo do percentil 50, independentemente da velocidade de crescimento.
  4. Dcrianças que não atingirem 10 cm de crescimento anual em qualquer idade.
  5. Ecrianças com Z-escore inferior a –2 e puberdade norm
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GabaritoE — crianças com Z-escore inferior a –2 e puberdade norm

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Avaliação do crescimento infantil e indicação de investigação endocrinológica

Gabarito: letra E. A investigação do déficit de crescimento está indicada quando a estatura está abaixo de -2 desvios-padrão (Z-escore < -2) para idade e sexo, especialmente se associada à redução da velocidade de crescimento — critério que a alternativa E reproduz corretamente. As demais alternativas ou fixam valores incorretos (como Z-escore < -5 ou 10 cm/ano) ou ignoram a velocidade de crescimento, que é o parâmetro mais sensível para detectar distúrbios precocemente.

O crescimento infantil é um dos melhores indicadores de saúde da criança. A avaliação seriada — não apenas a medida isolada — permite distinguir a criança que é simplesmente baixa, mas cresce em ritmo adequado, daquela que está desacelerando e merece investigação. A velocidade de crescimento (cm/ano) é o parâmetro mais precoce de alerta: uma criança pode estar com estatura ainda dentro da faixa normal, mas com velocidade francamente reduzida, o que já justifica investigação. Por outro lado, uma criança com estatura baixa, porém com velocidade de crescimento normal, geralmente tem baixa estatura familiar ou atraso constitucional do crescimento — condições que não exigem investigação imediata, apenas acompanhamento.

Os critérios de investigação para deficiência do hormônio de crescimento (DGH) e outras causas de déficit de crescimento são baseados em escores Z (desvios-padrão em relação à média da população para idade e sexo). A Organização Mundial da Saúde (OMS) e as principais diretrizes de endocrinologia pediátrica consideram os seguintes pontos de corte:

  • Baixa estatura grave: estatura inferior a -3 desvios-padrão (Z-escore < -3) — indicação de investigação independentemente de outros fatores.

  • Baixa estatura moderada: estatura entre -2 e -3 desvios-padrão, associada à redução da velocidade de crescimento (velocidade abaixo do percentil 25 da curva de velocidade).

  • Estatura acima de -2 desvios-padrão, mas com velocidade de crescimento baixa (abaixo de -1 desvio-padrão da curva de velocidade em 12 meses) — também indica investigação.

  • Condições predisponentes: lesão intracraniana, irradiação do sistema nervoso central, deficiência de outros hormônios hipofisários, ou sinais neonatais de hipopituitarismo (hipoglicemia, icterícia prolongada, micropênis, defeitos de linha média).

A alternativa E condensa corretamente o critério mais aceito: Z-escore inferior a -2 (ou seja, estatura abaixo de -2 desvios-padrão) e puberdade normal — este último detalhe é importante porque, na presença de puberdade atrasada ou anormal, a investigação também se impõe, mas a alternativa se refere à situação em que a puberdade é normal e ainda assim há déficit de crescimento, o que reforça a necessidade de investigação.

A pegadinha central desta questão está nos valores numéricos. A banca tenta confundir o candidato com pontos de corte exagerados (Z-escore < -5, 10 cm/ano) ou com critérios incompletos (percentil 50, história familiar isolada). O candidato que decora apenas "baixa estatura = Z < -2" pode marcar a alternativa E, mas é preciso também entender que a velocidade de crescimento é o fator que diferencia a baixa estatura fisiológica da patológica. Guarde a tríade: estatura (Z-escore) + velocidade de crescimento + idade/puberdade — é ela que define quando investigar.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O ponto de corte de Z-escore < -5 é exagerado e não corresponde a nenhum critério de investigação estabelecido. A investigação está indicada já a partir de Z-escore < -2 (com velocidade de crescimento reduzida) ou Z-escore < -3 (baixa estatura grave, independentemente da velocidade). Além disso, a "desaceleração após os 5 a 7 anos" não é um critério isolado: a desaceleração deve ser avaliada pela velocidade de crescimento em relação à curva, não por uma faixa etária fixa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A história familiar de baixa estatura (baixa estatura familiar) é uma causa comum de baixa estatura, mas não é o único critério para investigação. A presença de história familiar não exclui a necessidade de investigação se houver outros sinais de alerta (como velocidade de crescimento reduzida ou Z-escore < -3). A alternativa erra ao restringir a investigação apenas aos casos com história familiar de nanismo — o que deixaria de fora crianças com DGH, síndrome de Turner, doenças crônicas, entre outras.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A estatura abaixo do percentil 50 é um critério totalmente inadequado: metade da população infantil está abaixo do percentil 50, e isso não indica, por si só, déficit de crescimento. O que importa é a posição em relação aos desvios-padrão (Z-escore) e, principalmente, a velocidade de crescimento. Uma criança no percentil 10, mas com velocidade de crescimento normal, não precisa de investigação; uma criança no percentil 40, mas com velocidade francamente reduzida, merece investigação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O valor de 10 cm de crescimento anual não é um critério absoluto para investigação. A velocidade de crescimento normal varia com a idade: é maior nos primeiros anos de vida (cerca de 25 cm/ano no primeiro ano) e diminui progressivamente até a puberdade (cerca de 5-6 cm/ano na fase pré-puberal). Portanto, "não atingir 10 cm/ano" pode ser normal em uma criança de 8 anos, mas anormal em um lactente. A avaliação deve ser feita pela curva de velocidade de crescimento (percentis), não por um valor fixo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E reproduz o critério clássico de investigação: Z-escore inferior a -2 (estatura abaixo de -2 desvios-padrão para idade e sexo) e puberdade normal. A menção à puberdade normal é relevante porque, na presença de puberdade atrasada ou anormal, a investigação também é indicada — mas a alternativa se refere à situação em que a puberdade é normal e ainda assim há déficit de crescimento, o que reforça a necessidade de investigação. Este é exatamente o cenário em que se deve suspeitar de DGH ou outras causas patológicas de baixa estatura.

Gabarito: letra E

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