Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
qg726686
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia
Felipe, 28 anos, percebeu uma nodulação na região cervical anterior enquanto escovava os dentes. Procurou o cirurgião de cabeça e pescoço, que orientou avaliação com endocrinologista para investigação complementar. Considerando o caso descrito, assinale a alternativa correta.
AEm homens, todo nódulo encontrado, independentemente de ser sólido ou cístico, deve ser puncionado.
BSe o nódulo for maior ou igual a 1 cm e tiver aspecto espongiforme, é necessária a punção imediata.
CA vascularização central é um achado de alerta, mas deve ser avaliada em conjunto com outros critérios ultrassonográficos.
DNódulos menores que 1 cm devem ser puncionados apenas se forem císticos.
ETodo nódulo de tireoide deve ser submetido à cirurgia para diagnóstico definitivo.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — A vascularização central é um achado de alerta, mas deve ser avaliada em conjunto com outros critérios ultrassonográficos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Nódulo tireoidiano: avaliação ultrassonográfica e indicação de punção
Gabarito: letra C. A vascularização central é, de fato, um achado ultrassonográfico que desperta atenção para malignidade, mas nenhum critério isolado define a conduta — ela deve ser interpretada em conjunto com outros achados (composição, ecogenicidade, margens, calcificações, forma) e com o tamanho do nódulo, conforme os sistemas de estratificação de risco (como o TI-RADS). A alternativa C reflete exatamente essa lógica de avaliação integrada, enquanto as demais trazem generalizações ou condutas absolutas que não correspondem à prática clínica baseada em evidências.
O nódulo tireoidiano é uma queixa extremamente comum na prática endocrinológica, e a grande maioria é benigna. O desafio clínico é identificar, entre os muitos nódulos, aqueles com risco significativo de malignidade, sem submeter todos os pacientes a procedimentos invasivos desnecessários. A ultrassonografia (USG) é o exame de imagem de primeira linha para caracterizar o nódulo, e a punção aspirativa por agulha fina (PAAF) é o método diagnóstico definitivo para a citologia — mas a indicação da PAAF não é automática: ela segue critérios bem definidos que combinam o tamanho do nódulo com as características ultrassonográficas de risco.
Os principais critérios ultrassonográficos de suspeição para malignidade incluem: nódulo sólido hipoecoico, margens irregulares ou lobuladas, presença de microcalcificações, forma mais alta do que larga (taller-than-wide) e vascularização intranodular (central). Nenhum desses achados, isoladamente, é diagnóstico — a presença de um ou mais deles aumenta a probabilidade de malignidade, mas a decisão de puncionar depende do tamanho do nódulo e do número de características suspeitas. Por exemplo, um nódulo sólido hipoecoico com microcalcificações e margens irregulares, mesmo que pequeno, pode justificar punção; já um nódulo espongiforme, mesmo que maior que 1 cm, tem risco muito baixo de malignidade e geralmente não requer punção imediata.
A alternativa A afirma que todo nódulo em homens deve ser puncionado, independentemente de ser sólido ou cístico. Isso é uma generalização incorreta: embora o sexo masculino seja um fator de risco independente para malignidade, a indicação de PAAF não é baseada apenas no sexo — ela segue os mesmos critérios de tamanho e características ultrassonográficas. Um nódulo cístico puro, mesmo em homem, tem baixo risco de malignidade e pode ser apenas acompanhado, se pequeno. A alternativa B também erra ao afirmar que nódulo espongiforme ≥ 1 cm exige punção imediata: o aspecto espongiforme é um padrão de baixo risco, e nódulos com essa característica, mesmo maiores que 1 cm, geralmente são acompanhados, não puncionados de imediato. A alternativa D inverte a lógica: nódulos menores que 1 cm são puncionados apenas se apresentarem características de alto risco (como microcalcificações, margens irregulares, forma mais alta que larga), e não por serem císticos — na verdade, nódulos císticos puros têm baixo risco e raramente são puncionados. A alternativa E é absurda: a cirurgia não é o primeiro passo diagnóstico; a PAAF é o método de escolha para avaliação citológica, e a cirurgia é reservada para casos com citologia maligna ou suspeita, ou para nódulos com crescimento significativo.
A pegadinha central desta questão é a tentativa de transformar critérios relativos em absolutos. A banca explora a tendência do candidato de memorizar regras simplistas ("todo nódulo em homem punciona", "nódulo > 1 cm punciona") sem compreender que a conduta é individualizada, baseada na combinação de fatores. A alternativa C é a única que reconhece a complexidade da avaliação, afirmando que a vascularização central é um achado de alerta, mas que deve ser avaliada em conjunto com outros critérios — exatamente o que preconizam as diretrizes atuais.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora transformar critérios relativos em absolutos. Nesta questão, as alternativas A, B, D e E usam palavras como "todo", "imediata", "apenas" e "sempre" para induzir o candidato a escolher uma regra simplista. A alternativa C, ao contrário, reconhece que a avaliação é integrada — nenhum achado isolado define a conduta. Na prova, desconfie de alternativas com generalizações absolutas em temas de medicina baseada em evidências: a prática clínica raramente é preta no branco.
Nódulo tireoidiano: Avaliação inicial (USG (1ª linha), PAAF (diagnóstico citológico)); Critérios de suspeição (Sólido hipoecoico, Margens irregulares, Microcalcificações, Forma mais alta que larga, Vascularização central); Indicação de PAAF (Combina tamanho + critérios, Nenhum achado isolado decide, Baixo risco (ex.: espongiforme) → acompanha)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que todo nódulo em homens deve ser puncionado, independentemente de ser sólido ou cístico. O sexo masculino é um fator de risco para malignidade, mas não é critério isolado para indicar PAAF. A decisão de puncionar depende do tamanho e das características ultrassonográficas de risco. Um nódulo cístico puro, mesmo em homem, tem baixo risco e pode ser apenas acompanhado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que nódulo ≥ 1 cm com aspecto espongiforme exige punção imediata. O aspecto espongiforme é um padrão de baixo risco de malignidade — nódulos com essa característica, mesmo maiores que 1 cm, geralmente são acompanhados, não puncionados de imediato. A punção imediata seria indicada para nódulos com características de alto risco, não para os de baixo risco.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A vascularização central (intranodular) é, de fato, um achado ultrassonográfico que aumenta a suspeita de malignidade. No entanto, nenhum critério isolado é diagnóstico — a conduta é definida pela combinação de características (composição, ecogenicidade, margens, calcificações, forma) e pelo tamanho do nódulo, conforme os sistemas de estratificação de risco. A alternativa está correta ao afirmar que a vascularização central é um alerta, mas deve ser avaliada em conjunto com outros critérios.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que nódulos menores que 1 cm devem ser puncionados apenas se forem císticos. Isso inverte a lógica: nódulos císticos puros têm baixo risco de malignidade e raramente são puncionados. Nódulos menores que 1 cm são puncionados apenas se apresentarem características de alto risco (microcalcificações, margens irregulares, forma mais alta que larga, extensão extratireoidiana) ou se houver linfonodos suspeitos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que todo nódulo de tireoide deve ser submetido à cirurgia para diagnóstico definitivo. Isso é um absurdo clínico: a grande maioria dos nódulos é benigna, e a PAAF é o método de escolha para avaliação citológica. A cirurgia (tireoidectomia) é reservada para casos com citologia maligna ou suspeita, para nódulos com crescimento significativo ou para sintomas compressivos — não é o primeiro passo diagnóstico.
Gabarito: letra C — a única alternativa que reconhece a avaliação integrada dos critérios ultrassonográficos, sem generalizações absolutas.