Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
qg726689
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia
Juliana, puérpera, procura atendimento para avaliar seu filho de apenas 18 dias e relata que a glicemia do recém-nascido está persistentemente elevada, mesmo sem sinais de infecção. Quanto ao caso apresentado, assinale a alternativa correta.
AO diabetes mellitus neonatal é uma doença rara.
BQuando o diagnóstico do diabetes neonatal é feito antes dos 30 dias de vida, é sempre permanente.
CO diabetes neonatal permanente está associado a mutações que interferem na função da célula alfa, reduzindo a secreção de insulina.
DO diabetes neonatal transitório resulta da destruição autoimune das células beta pancreáticas.
EO tratamento deve ser iniciado apenas após os 6 meses de vida, devido à alta chance de remissão espontânea.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — O diabetes mellitus neonatal é uma doença rara.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Diabetes mellitus neonatal: conceitos e classificação
Gabarito: letra A. O diabetes mellitus neonatal (DMN) é uma condição rara, com incidência estimada em aproximadamente 1 caso para cada 90.000 a 160.000 nascidos vivos, e a alternativa A reflete exatamente essa característica epidemiológica. As demais alternativas distorcem aspectos fundamentais da doença: o DMN pode ser transitório ou permanente, não está associado a mutações na célula alfa (mas sim na célula beta), não tem etiologia autoimune e o tratamento deve ser iniciado precocemente, não após os 6 meses.
O diabetes mellitus neonatal é uma forma monogênica de diabetes que se manifesta nos primeiros 6 meses de vida, sendo distinto do diabetes tipo 1 (autoimune) e do tipo 2 (resistência à insulina). A condição é causada por mutações em genes que afetam o desenvolvimento ou a função da célula beta pancreática, levando à deficiência de insulina. A apresentação clássica inclui hiperglicemia persistente, retardo do crescimento intrauterino (devido à hipoinsulinemia fetal), desidratação e, em alguns casos, cetoacidose.
A classificação do DMN divide-se em duas formas principais: o transitório (TNDM) e o permanente (PNDM). O TNDM, responsável por cerca de 50-60% dos casos, caracteriza-se por hiperglicemia que se resolve espontaneamente em semanas a meses (geralmente até os 18 meses de vida), mas que pode recorrer na adolescência ou na idade adulta. O PNDM, por sua vez, persiste por toda a vida e exige tratamento contínuo. A distinção entre as duas formas é fundamental para o manejo e o prognóstico.
A base genética do DMN envolve mutações em genes como KCNJ11, ABCC8 (que codificam subunidades do canal de potássio sensível ao ATP da célula beta), INS (gene da insulina) e, no caso do TNDM, anormalidades na região 6q24 (impressão genômica). Essas mutações afetam a célula beta — não a célula alfa — comprometendo a síntese ou a secreção de insulina. A destruição autoimune das células beta, característica do diabetes tipo 1, não é a causa do DMN, que é uma doença genética, não autoimune.
O tratamento do DMN deve ser iniciado imediatamente após o diagnóstico, com insulina, e pode ser ajustado conforme a evolução. Em casos específicos (mutações em KCNJ11 e ABCC8), sulfonilureias orais podem substituir a insulina com excelente resposta. A remissão espontânea ocorre apenas no TNDM, mas mesmo nesses casos o tratamento é necessário durante o período de hiperglicemia. A demora no início do tratamento pode levar a complicações graves, como retardo do desenvolvimento neuropsicomotor.
A pegadinha central desta questão é a confusão entre os tipos celulares e os mecanismos fisiopatológicos. A banca explora a associação automática entre diabetes e autoimunidade (tipo 1) e entre diabetes e resistência à insulina (tipo 2), quando o DMN é uma entidade distinta, de base genética e que afeta a célula beta. Guarde a fronteira: DMN = doença monogênica da célula beta, rara, não autoimune, com formas transitória e permanente — é exatamente nesses critérios que as alternativas se dividem.
Diabetes mellitus neonatal (DMN)
1Definição
Forma monogênica
Manifesta nos primeiros 6 meses
Distinto do DM1 (autoimune) e DM2 (resistência)
2Classificação
Transitório (TNDM)
Remissão espontânea (até ~18 meses)
Pode recorrer na adolescência/adulto
Causa: alterações 6q24, KCNJ11, ABCC8
Permanente (PNDM)
Persiste por toda a vida
Causa: mutações KCNJ11, ABCC8, INS
3Fisiopatologia
Mutações afetam a célula beta
produção/secreção de insulina
Não é autoimune (≠ DM1)
Não afeta célula alfa
4Tratamento
Início imediato após diagnóstico
Insulina
Sulfonilureias (se mutação KCNJ11/ABCC8)
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O diabetes mellitus neonatal é, de fato, uma doença rara. A incidência é estimada em cerca de 1 caso por 90.000 a 160.000 nascidos vivos, o que a classifica como uma condição de baixa prevalência. Essa raridade é um dos motivos pelos quais o diagnóstico pode ser tardio ou confundido com outras causas de hiperglicemia neonatal, como sepse, estresse ou uso de glicocorticoides. A alternativa está correta ao afirmar a raridade da doença, que é um dado epidemiológico bem estabelecido na literatura.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A afirmação de que o diagnóstico antes dos 30 dias de vida implica sempre diabetes permanente é falsa. O diabetes neonatal transitório (TNDM) é diagnosticado justamente nesse período e caracteriza-se por remissão espontânea, geralmente em semanas a meses. A forma permanente (PNDM) também se manifesta nos primeiros meses, mas não é a única possibilidade. A banca explora a confusão entre a precocidade do diagnóstico e a permanência da doença, quando na verdade a precocidade não determina o tipo. O que define a forma transitória ou permanente é a evolução clínica e a base genética, não a idade do diagnóstico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O erro está na troca do tipo celular: o diabetes neonatal permanente está associado a mutações que afetam a célula beta pancreática, responsável pela produção de insulina, e não a célula alfa, que produz glucagon. Mutações em genes como KCNJ11, ABCC8 e INS comprometem a síntese ou a secreção de insulina pela célula beta, levando à hiperglicemia. A célula alfa não está diretamente envolvida na fisiopatologia do DMN. A banca inverte o tipo celular para testar o conhecimento específico do candidato sobre a base genética da doença.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O diabetes neonatal transitório não resulta de destruição autoimune das células beta. Essa destruição é a base do diabetes tipo 1, que é uma doença autoimune e raramente se manifesta nos primeiros 6 meses de vida. O TNDM é causado por anormalidades genéticas, como alterações na região 6q24 (impressão genômica) ou mutações em genes como KCNJ11 e ABCC8, que levam a uma disfunção transitória da célula beta. A ausência de autoimunidade é uma característica distintiva do DMN em relação ao DM1, e a alternativa confunde os dois mecanismos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O tratamento do diabetes neonatal deve ser iniciado imediatamente após o diagnóstico, não após os 6 meses de vida. A hiperglicemia neonatal não tratada pode levar a complicações graves, como desidratação, retardo do crescimento e comprometimento do desenvolvimento neuropsicomotor. Embora o TNDM possa ter remissão espontânea, o tratamento é necessário durante o período de hiperglicemia para evitar danos. A demora no início do tratamento é inaceitável e pode causar sequelas irreversíveis. A alternativa inverte a lógica do manejo clínico, sugerindo uma conduta que coloca o paciente em risco.