Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
qg726691
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia
O diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é uma doença metabólica caracterizada por resistência à insulina e deficiência relativa na secreção pancreática. Seu diagnóstico é baseado em critérios laboratoriais específicos, e a detecção precoce é essencial para prevenir complicações micro e macrovasculares. Em relação ao diagnóstico do diabetes mellitus tipo 2, assinale a alternativa correta.
AO diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 deve ser confirmado através da glicosúria.
BHemoglobina glicada maior que 5,8% significa pré-diabetes e, se não houver melhora em 6 meses, já pode ser considerada diabetes.
CGlicemia de jejum maior ou igual a 126 mg/dL, em duas ocasiões diferentes, confirma o diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2.
DGlicemia casual acima de 100 mg/dL, associada a sintomas, confirma o diagnóstico de diabetes.
EO teste oral de tolerância à glicose deve ser realizado anualmente em todos os adultos para rastreio.
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GabaritoC — Glicemia de jejum maior ou igual a 126 mg/dL, em duas ocasiões diferentes, confirma o diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Diagnóstico do Diabetes Mellitus Tipo 2
Gabarito: letra C. O diagnóstico de DM2 é confirmado pela glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL em duas ocasiões diferentes, conforme os critérios da American Diabetes Association (ADA) e da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). A alternativa C espelha exatamente esse critério, que exige a confirmação em duas amostras para evitar diagnóstico falso-positivo em pacientes assintomáticos.
O diabetes mellitus tipo 2 é uma doença metabólica crônica caracterizada por resistência à insulina e deficiência relativa na secreção pancreática. O diagnóstico é essencialmente laboratorial, baseado na detecção de hiperglicemia. Os quatro métodos diagnósticos aceitos são: glicemia de jejum, glicemia casual (aleatória), teste oral de tolerância à glicose (TTGO) e hemoglobina glicada (HbA1c). Cada um tem seus pontos de corte específicos e limitações.
A glicemia de jejum é o exame mais utilizado na prática clínica. Requer jejum de pelo menos 8 horas. O ponto de corte para diagnóstico de diabetes é ≥ 126 mg/dL. Em pacientes assintomáticos, o diagnóstico deve ser confirmado com a repetição do exame em outro dia. Já em pacientes com sintomas clássicos de hiperglicemia (poliúria, polidipsia, perda de peso inexplicada), uma única glicemia casual ≥ 200 mg/dL já é suficiente para o diagnóstico, sem necessidade de confirmação.
A hemoglobina glicada (HbA1c) reflete a glicemia média dos últimos 2 a 3 meses. O ponto de corte diagnóstico é ≥ 6,5%. Valores entre 5,7% e 6,4% indicam pré-diabetes (risco aumentado de desenvolver diabetes). A HbA1c tem a vantagem de não exigir jejum e ser menos afetada por variações agudas, mas pode apresentar resultados espúrios em condições que alteram a renovação dos eritrócitos (anemias, hemoglobinopatias).
O TTGO consiste na dosagem da glicemia após a ingestão de 75 g de glicose. O ponto de corte diagnóstico é glicemia de 2 horas ≥ 200 mg/dL. O TTGO-1h (≥ 209 mg/dL) também é recomendado pela SBD como opção diagnóstica. O exame é mais desconfortável e oneroso, sendo reservado para situações específicas, como glicemia de jejum alterada mas não diagnóstica.
A glicosúria (presença de glicose na urina) não é critério diagnóstico de diabetes. Ela pode estar presente em outras condições, como diabetes renal (diminuição do limiar renal de glicose) e gravidez. O diagnóstico deve ser sempre baseado em dosagens sanguíneas.
O rastreamento do diabetes em adultos assintomáticos não é feito anualmente em todos, mas sim em indivíduos com fatores de risco (obesidade, histórico familiar, idade ≥ 45 anos, sedentarismo, hipertensão, dislipidemia, síndrome metabólica). A frequência do rastreamento varia conforme o perfil de risco, geralmente a cada 1 a 3 anos.
A pegadinha central desta questão é a confusão entre os critérios diagnósticos e os valores de normalidade/pré-diabetes. A banca explora a troca de valores e a aplicação incorreta dos exames. Guarde os pontos de corte: glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL, glicemia casual ≥ 200 mg/dL com sintomas, TTGO-2h ≥ 200 mg/dL e HbA1c ≥ 6,5% — todos confirmados em duas ocasiões quando o paciente é assintomático.
A glicosúria (presença de glicose na urina) não é critério diagnóstico de diabetes mellitus. O diagnóstico é baseado exclusivamente em dosagens sanguíneas de glicose ou HbA1c. A glicosúria pode ocorrer em condições como diabetes renal (limiar renal de glicose reduzido) e gestação, sem necessariamente indicar diabetes. Além disso, a glicosúria pode estar ausente em pacientes diabéticos com hiperglicemia leve, tornando-a um exame de baixa sensibilidade para diagnóstico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa apresenta dois erros: (1) HbA1c > 5,8% não define pré-diabetes — o ponto de corte para pré-diabetes é ≥ 5,7% (ou 5,7–6,4%); (2) pré-diabetes não evolui automaticamente para diabetes em 6 meses, e mesmo que houvesse progressão, o diagnóstico de diabetes exigiria HbA1c ≥ 6,5% (ou outro critério diagnóstico), não simplesmente "piora em 6 meses". A HbA1c de 5,8% está na faixa de pré-diabetes, mas não é critério para diagnóstico de diabetes, que exige ≥ 6,5%.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL é um dos critérios diagnósticos de diabetes mellitus. Em pacientes assintomáticos, o diagnóstico deve ser confirmado pela repetição do exame em outra ocasião (dois valores ≥ 126 mg/dL em dias diferentes). Esta é a conduta recomendada pelas diretrizes da ADA e SBD para evitar diagnóstico falso-positivo. A alternativa está correta ao exigir duas ocasiões diferentes para confirmação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A glicemia casual (aleatória) ≥ 200 mg/dL associada a sintomas clássicos de hiperglicemia (poliúria, polidipsia, perda de peso inexplicada) é critério diagnóstico de diabetes. A alternativa erra ao afirmar que glicemia casual > 100 mg/dL confirma o diagnóstico. O valor de 100 mg/dL está muito abaixo do ponto de corte diagnóstico (≥ 200 mg/dL) e sequer indica pré-diabetes (que seria glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL). O valor de 100 mg/dL é o limite superior da normalidade para glicemia de jejum.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O TTGO não deve ser realizado anualmente em todos os adultos para rastreio. O rastreamento do diabetes é direcionado a populações de risco (obesidade, histórico familiar, idade ≥ 45 anos, hipertensão, dislipidemia, síndrome metabólica, entre outros). A frequência do rastreamento varia conforme o perfil de risco (geralmente a cada 1 a 3 anos), e o TTGO é um exame mais oneroso e desconfortável, reservado para situações específicas (ex.: glicemia de jejum alterada mas não diagnóstica, suspeita de diabetes gestacional). Para rastreamento de rotina, a glicemia de jejum ou a HbA1c são os exames de primeira escolha.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os valores de normalidade, pré-diabetes e diabetes. O candidato que decora apenas "126 mg/dL" pode marcar a alternativa D (que usa 100 mg/dL) ou a B (que usa 5,8% para HbA1c). Lembre-se: glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL (confirmada em duas ocasiões), glicemia casual ≥ 200 mg/dL com sintomas, TTGO-2h ≥ 200 mg/dL e HbA1c ≥ 6,5% são os pontos de corte diagnósticos. Pré-diabetes: glicemia de jejum 100–125 mg/dL, TTGO-2h 140–199 mg/dL e HbA1c 5,7–6,4%. Com treino, você fixa esses valores e não cai nessas trocas 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de diagnóstico de diabetes, monte uma tabela mental com os quatro exames e seus pontos de corte diagnósticos e de pré-diabetes. Isso resolve a maioria das questões do tema. Na prova, desconfie de alternativas que usam valores "quebrados" (como 5,8% ou 100 mg/dL) — os pontos de corte oficiais são números "redondos" (126, 200, 6,5%).