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Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
qg726692
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia
A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum em mulheres em idade reprodutiva, associada à anovulação crônica e hiperandrogenismo. Seu diagnóstico requer abordagem clínica, laboratorial e ultrassonográfica criteriosa, após exclusão de outras causas de irregularidade menstrual e hiperandrogenismo. A respeito do diagnóstico da SOP, assinale a alternativa correta.
  1. AA SOP é um diagnóstico que pode ser feito assim que ocorre a menarca, mesmo antes da regularização dos ciclos menstruais.
  2. BA base do tratamento medicamentoso da SOP é o uso de anticoncepcional oral combinado e de ansiolítico.
  3. CPara diagnóstico da SOP, é necessária a dosagem seriada de estradiol e testosterona em diferentes fases do ciclo menstrual
  4. DO diagnóstico da SOP deve seguir critérios clínicos, laboratoriais e ultrassonográficos, após exclusão de outras causas de disfunção ovariana.
  5. EA presença de ovários policísticos ao ultrassom é suficiente para confirmar o diagnóstico, independentemente dos sintomas clínico
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GabaritoD — O diagnóstico da SOP deve seguir critérios clínicos, laboratoriais e ultrassonográficos, após exclusão de outras causas de disfunção ovariana.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP): diagnóstico

Gabarito: letra D. O diagnóstico da SOP é essencialmente clínico-laboratorial-ultrassonográfico, exigindo a exclusão de outras causas de disfunção ovariana e hiperandrogenismo — exatamente o que a alternativa D afirma. A base diagnóstica é o Consenso de Rotterdam (2003), que exige a presença de pelo menos dois de três critérios (distúrbio menstrual, hiperandrogenismo clínico/laboratorial e morfologia ovariana policística ao ultrassom), sempre após afastar diagnósticos diferenciais como hiperprolactinemia, síndrome de Cushing e hiperplasia adrenal congênita.

A SOP é a endocrinopatia mais comum em mulheres em idade reprodutiva, com prevalência de 5 a 10%, caracterizada por anovulação crônica e hiperandrogenismo. Sua fisiopatologia envolve um ciclo de retrocontrole hormonal inadequado: há um impulso tônico predominante de LH, que estimula as células da teca ovariana a produzirem androgênios em excesso. Esse excesso é convertido perifericamente (principalmente no tecido adiposo) em estrona acíclica, que perpetua o estímulo inadequado na hipófise e no hipotálamo. A resistência insulínica e a hiperinsulinemia compensatória também estimulam a produção androgênica ovariana, favorecendo o estado hiperandrogênico.

O Consenso de Rotterdam, estabelecido pela ESHRE (European Society for Human Reproduction and Embryology) e pela ASRM (American Society for Reproductive Medicine), define o diagnóstico pela presença de pelo menos dois dos três critérios a seguir: (1) distúrbio menstrual do tipo oligo/amenorreia (presença de 9 ciclos ou menos no período de um ano); (2) hiperandrogenismo clínico (acne, hirsutismo, alopecia de padrão androgênico) e/ou laboratorial (elevação de pelo menos um androgênio: testosterona total, androstenediona ou SDHEA); e (3) morfologia ovariana policística à ultrassonografia (mais de 12 folículos antrais entre 2 e 9 mm em pelo menos um ovário, ou volume ovariano ≥ 10 cm³). É fundamental que outros diagnósticos sejam afastados, como síndrome de Cushing, hiperprolactinemia, hiperplasia suprarrenal congênita, tumores produtores de androgênios e tireopatias.

Na prática, o diagnóstico é um processo de exclusão: não existe um teste único e específico para SOP. A avaliação deve incluir história clínica detalhada (padrão menstrual, sinais de hiperandrogenismo), exame físico (escore de hirsutismo, acne, alopecia), exames laboratoriais (testosterona total e livre, SDHEA, androstenediona, LH, FSH, prolactina, TSH, entre outros) e ultrassonografia pélvica. A dosagem hormonal deve ser feita preferencialmente na fase folicular precoce, mas não há necessidade de dosagem seriada de estradiol e testosterona em diferentes fases do ciclo — isso é um equívoco comum, pois a SOP é caracterizada justamente pela ausência de ciclicidade hormonal.

A distinção crucial que a banca explora nesta questão é entre o diagnóstico da SOP (que exige critérios combinados e exclusão de outras causas) e o diagnóstico de outras endocrinopatias que cursam com irregularidade menstrual e hiperandrogenismo. Enquanto a SOP é um diagnóstico sindrômico, outras condições (como hiperplasia adrenal congênita, síndrome de Cushing, tumores ovarianos ou adrenais) têm marcadores específicos. Além disso, é importante diferenciar o diagnóstico da SOP do seu tratamento: o tratamento medicamentoso de primeira linha para os sintomas hiperandrogênicos e irregularidade menstrual é o anticoncepcional oral combinado, mas não há indicação de ansiolítico como base terapêutica.

A pegadinha central desta questão está na alternativa E: a presença de ovários policísticos ao ultrassom isoladamente não é suficiente para o diagnóstico — é apenas um dos três critérios, e o diagnóstico exige pelo menos dois deles, além da exclusão de outras causas. A alternativa A também é uma armadilha clássica: o diagnóstico de SOP em adolescentes é desafiador, pois a irregularidade menstrual é comum nos primeiros anos após a menarca, e o Consenso de Rotterdam recomenda cautela nessa faixa etária, não permitindo o diagnóstico imediato na menarca.

Guarde a fronteira entre o que é critério diagnóstico (dois de três, com exclusão de outras causas) e o que é apenas um achado isolado (ovários policísticos ao ultrassom): é exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Diagnóstico da SOP (Rotterdam)
  • 1Critérios (2 de 3)
    • Distúrbio menstrual (oligo/amenorreia)
    • Hiperandrogenismo (clínico/laboratorial)
    • Ovários policísticos (USG)
  • 2Exclusão de outras causas
    • Hiperprolactinemia
    • Síndrome de Cushing
    • Hiperplasia adrenal congênita
    • Tumores produtores de androgênios
  • 3Particularidades
    • Não na menarca (ciclos irregulares são fisiológicos)
    • USG isolada não fecha diagnóstico
    • Sem dosagem seriada de estradiol/testosterona
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A SOP não pode ser diagnosticada imediatamente na menarca. Nos primeiros anos após a menarca, a irregularidade menstrual é fisiológica, e os critérios de Rotterdam recomendam cautela no diagnóstico em adolescentes. O diagnóstico precoce pode levar a erros, pois a anovulação e a morfologia ovariana policística podem ser transitórias nessa fase. A banca explora a ansiedade do candidato em diagnosticar precocemente, mas a conduta correta é aguardar a regularização dos ciclos ou, no mínimo, aplicar os critérios com parcimônia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A base do tratamento medicamentoso da SOP é o anticoncepcional oral combinado (para regularizar ciclos, proteger o endométrio e tratar o hiperandrogenismo), mas não há indicação de ansiolítico como base terapêutica. O tratamento envolve também modificações do estilo de vida (perda de peso, exercícios) e, em casos selecionados, metformina para resistência insulínica e antiandrogênicos (como espironolactona) para sintomas hiperandrogênicos. A inclusão do ansiolítico é um distrator sem fundamento científico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Não é necessária a dosagem seriada de estradiol e testosterona em diferentes fases do ciclo menstrual para o diagnóstico da SOP. Pelo contrário: a SOP é caracterizada pela ausência de ciclicidade hormonal, e a dosagem de androgênios (testosterona total, SDHEA, androstenediona) é feita preferencialmente na fase folicular precoce, sem necessidade de repetição em fases diferentes. A banca confunde o diagnóstico da SOP com a avaliação de ciclos ovulatórios normais, onde a dosagem seriada de hormônios pode ser útil.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa espelha exatamente a abordagem diagnóstica correta da SOP: o diagnóstico deve seguir critérios clínicos, laboratoriais e ultrassonográficos, após exclusão de outras causas de disfunção ovariana. Isso está alinhado ao Consenso de Rotterdam (2003), que exige pelo menos dois de três critérios (distúrbio menstrual, hiperandrogenismo clínico/laboratorial e morfologia ovariana policística), sempre após afastar diagnósticos diferenciais como hiperprolactinemia, síndrome de Cushing, hiperplasia adrenal congênita e tumores produtores de androgênios. A SOP é, portanto, um diagnóstico de exclusão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A presença de ovários policísticos ao ultrassom isoladamente não é suficiente para confirmar o diagnóstico de SOP. É apenas um dos três critérios de Rotterdam, e o diagnóstico exige pelo menos dois deles. Além disso, a morfologia ovariana policística pode estar presente em mulheres sem SOP (até 20-30% das mulheres normais podem apresentar esse achado), e outras causas de hiperandrogenismo e irregularidade menstrual devem ser excluídas. A banca explora a associação automática entre o achado ultrassonográfico e o diagnóstico, mas a SOP é um diagnóstico sindrômico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora trocar o critério diagnóstico isolado pelo diagnóstico completo. Na alternativa E, ela apresenta o achado ultrassonográfico (ovários policísticos) como suficiente, quando na verdade é apenas um dos três critérios — e o diagnóstico exige pelo menos dois, com exclusão de outras causas. Na alternativa A, ela explora a ansiedade de diagnosticar precocemente na menarca, quando a irregularidade menstrual é fisiológica nessa fase. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para questões de SOP, memorize os três critérios de Rotterdam (distúrbio menstrual, hiperandrogenismo, ovários policísticos) e a regra dos "dois de três". Na prova, desconfie de alternativas que apresentam um único achado como suficiente para o diagnóstico — a SOP é sempre um diagnóstico sindrômico, que exige combinação de critérios e exclusão de outras causas.

Gabarito: letra D

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