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Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
qg726693
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia
Paciente do sexo feminino, 28 anos, fez uso de anticoncepcional oral combinado por 5 anos e suspendeu o uso há 2 anos. Desde então, apresenta ciclos menstruais irregulares. Não utiliza método contraceptivo. Foi avaliada por ginecologista, sendo orientada a reiniciar anticoncepcional para tratar a irregularidade menstrual. Sobre o caso exposto, assinale a alternativa correta.
  1. ADe acordo com a idade da paciente e a irregularidade menstrual, o diagnóstico de síndrome dos ovários policísticos é confirmado.
  2. BO anticoncepcional é o tratamento-base da síndrome dos ovários policísticos, sendo curativo.
  3. CA investigação deve ser feita apenas após um ciclo menstrual espontâneo.
  4. DA investigação da síndrome dos ovários policísticos deve ser realizada preferencialmente após suspensão do anticoncepcional por, pelo menos, dois a três meses.
  5. EA irregularidade menstrual após uso de anticoncepcional descarta disfunção ovulatória.
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GabaritoD — A investigação da síndrome dos ovários policísticos deve ser realizada preferencialmente após suspensão do anticoncepcional por, pelo menos, dois a três meses.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome dos Ovários Policísticos: investigação após suspensão do anticoncepcional

Gabarito: letra D. A investigação da síndrome dos ovários policísticos (SOP) deve ser realizada preferencialmente após a suspensão do anticoncepcional hormonal combinado por, pelo menos, dois a três meses, pois o uso do contraceptivo mascara os critérios diagnósticos (irregularidade menstrual e hiperandrogenismo). A conduta correta diante da paciente do caso é investigar a causa da irregularidade menstrual antes de reiniciar o anticoncepcional, e não tratar cegamente como SOP.

A síndrome dos ovários policísticos é um distúrbio endócrino-metabólico complexo, caracterizado por hiperandrogenismo, anovulação crônica e ovários policísticos à ultrassonografia. O diagnóstico é clínico-laboratorial e se baseia em critérios como os de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois de três critérios: oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico e/ou bioquímico e ovários policísticos à ultrassonografia. É fundamental excluir outras causas de hiperandrogenismo e anovulação, como hiperprolactinemia, tireoidopatias e hiperplasia adrenal congênita.

O anticoncepcional hormonal combinado (AHC) é o tratamento de primeira linha para mulheres com SOP que não desejam gestar, pois regulariza os ciclos menstruais, reduz o hiperandrogenismo e protege o endométrio. No entanto, ele não é curativo — apenas controla os sintomas enquanto é utilizado. Ao suspender o AHC, os sintomas podem retornar, e é justamente por isso que a investigação diagnóstica deve ser feita após um período de washout, para que os critérios clínicos e laboratoriais não sejam mascarados pela medicação.

A paciente do caso tem 28 anos, usou AHC por 5 anos e o suspendeu há 2 anos, apresentando ciclos irregulares desde então. A irregularidade menstrual pode ter múltiplas causas — SOP, disfunção ovulatória, hiperprolactinemia, tireoidopatias, entre outras — e não pode ser atribuída à SOP apenas pela idade e pelo padrão menstrual. A conduta correta é investigar a causa antes de reiniciar o anticoncepcional, que, se usado precocemente, pode mascarar o diagnóstico e adiar o tratamento adequado.

A banca explora a confusão entre o tratamento da SOP (que é o AHC) e o diagnóstico da SOP (que exige investigação após suspensão do AHC). O candidato que sabe que o AHC é a primeira linha de tratamento pode erroneamente concluir que ele deve ser reiniciado imediatamente, sem investigação. No entanto, a investigação diagnóstica é pré-requisito para o tratamento correto, e o washout de 2 a 3 meses é o período recomendado para que os critérios diagnósticos sejam avaliados sem interferência hormonal.

  1. 1Suspender AHC
  2. 2Washout de 2-3 meses
  3. 3Avaliar critérios diagnósticos
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o diagnóstico de SOP é confirmado apenas pela idade e irregularidade menstrual. Isso é falso: o diagnóstico exige critérios objetivos (oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico/bioquímico e ovários policísticos à USG, com exclusão de outras causas). A idade e a irregularidade isoladas não confirmam SOP — são apenas um indicativo de que a investigação deve ser feita. A banca tenta fazer o aluno aceitar um diagnóstico sem os critérios mínimos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que o anticoncepcional é o tratamento-base da SOP e é curativo. O AHC é, de fato, a primeira linha de tratamento para mulheres com SOP que não desejam gestar, mas não é curativo — apenas controla os sintomas enquanto é usado. Ao suspender, os sintomas podem retornar. A palavra "curativo" é o erro: a SOP é uma condição crônica, e o tratamento é de controle, não de cura.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a investigação deve ser feita apenas após um ciclo menstrual espontâneo. Isso é incorreto: a recomendação é aguardar de 2 a 3 meses após a suspensão do AHC, não apenas um ciclo. Um único ciclo pode não ser suficiente para que o eixo hormonal se restabeleça e os critérios diagnósticos sejam avaliados com precisão. O período de washout é maior justamente para evitar resultados falsos.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A investigação da SOP deve ser realizada preferencialmente após a suspensão do anticoncepcional por, pelo menos, dois a três meses. Isso porque o AHC mascara os critérios diagnósticos: regulariza os ciclos (mascarando a oligo/anovulação) e reduz o hiperandrogenismo (mascarando o excesso de andrógenos). Aguardar 2 a 3 meses permite que o eixo hormonal retorne ao seu estado basal e que os critérios sejam avaliados com fidedignidade. É exatamente o que a paciente do caso precisa: investigar antes de reiniciar o AHC.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a irregularidade menstrual após uso de anticoncepcional descarta disfunção ovulatória. Isso é falso: a irregularidade após a suspensão do AHC pode ser justamente um sinal de disfunção ovulatória (como na SOP), que estava mascarada pelo contraceptivo. A irregularidade não descarta disfunção ovulatória — pelo contrário, é um indicativo de que ela pode estar presente e precisa ser investigada.

Gabarito: letra D — a investigação da SOP deve ser feita após suspensão do AHC por 2 a 3 meses, para que os critérios diagnósticos não sejam mascarados.

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