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Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
qg726703
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia Pediátrica
Adolescente de 15 anos com hipotireoidismo congênito está em seguimento desde a infância. Nos últimos 12 meses:• Faltou a 3 consultas;• Está usando levotiroxina de forma irregular (“esquece” vários dias);• Queixa-se de cansaço, dificuldades escolares e sensação de “não dar conta”;• A mãe relata conflitos frequentes sobre horários de medicação;• Exames: TSH 18 mIU/L, T4L baixo, IMC em curva ascendente;• Adolescente demonstra ansiedade elevada ao falar sobre assumir cuidados de saúde.Qual é a conduta multiprofissional mais apropriada no momento?
  1. AAumentar a dose de levotiroxina e marcar retorno apenas em 6 meses.
  2. BPriorizar autonomia: orientar que a responsabilidade do tratamento agora é exclusivamente do adolescente.
  3. CSolicitar avaliação psicológica, reforçar DSMES, reorganizar rotinas familiares e implementar plano estruturado de transição com participação conjunta da família.
  4. DEncaminhar imediatamente para endocrinologista de adultos por falta de adesão
  5. EPrescrever antidepressivo e pedir que volte quando estiver emocionalmente mais estável.
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GabaritoC — Solicitar avaliação psicológica, reforçar DSMES, reorganizar rotinas familiares e implementar plano estruturado de transição com participação conjunta da família.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipotireoidismo congênito na adolescência: adesão, transição e abordagem multiprofissional

Gabarito: letra C. O caso descreve um adolescente com hipotireoidismo congênito em descompensação (TSH 18 mIU/L, T4L baixo) por má adesão à levotiroxina, com conflitos familiares, ansiedade e dificuldades escolares — o manejo adequado exige abordagem multiprofissional que inclua avaliação psicológica, educação em saúde (DSMES), reorganização das rotinas familiares e um plano estruturado de transição para o cuidado adulto, com participação conjunta da família. As demais alternativas falham por serem unidimensionais, punitivas ou por transferirem prematuramente a responsabilidade ao adolescente.

O hipotireoidismo congênito é uma condição crônica que exige reposição contínua de levotiroxina desde o diagnóstico neonatal. O tratamento é simples do ponto de vista farmacológico, mas o desafio real está na adesão ao longo da vida, especialmente na adolescência — fase marcada por busca de autonomia, conflitos com figuras de autoridade e dificuldade de internalizar consequências de longo prazo. A não adesão leva a descompensação metabólica (TSH elevado, T4L baixo), sintomas como cansaço e dificuldades escolares, e ganho de peso — exatamente o quadro apresentado.

A conduta correta não é apenas ajustar a dose ou cobrar responsabilidade, mas sim construir um plano de cuidado compartilhado. A avaliação psicológica é essencial porque o adolescente demonstra ansiedade elevada ao falar sobre assumir os cuidados — sinal de que há barreiras emocionais que precisam ser trabalhadas. O DSMES (Diabetes Self-Management Education and Support) é um modelo de educação em saúde que, embora originalmente voltado ao diabetes, é aplicável a outras doenças crônicas: ensina habilidades de autogestão, resolução de problemas e tomada de decisão. Reorganizar rotinas familiares reduz os conflitos sobre horários de medicação, e o plano estruturado de transição prepara gradualmente o adolescente para o cuidado adulto, sem abandoná-lo à própria sorte.

A transição do cuidado pediátrico para o adulto é um processo, não um evento. Deve ser iniciada cedo, com participação da família, e incluir educação sobre a doença, treino de habilidades de autogestão e coordenação entre as equipes. Transferir abruptamente a responsabilidade (alternativa B) ou encaminhar imediatamente ao endocrinologista de adultos (alternativa D) são condutas que ignoram a necessidade de preparação e apoio. Aumentar a dose sem abordar a causa da não adesão (alternativa A) é ineficaz — o problema não é dose insuficiente, é uso irregular. E prescrever antidepressivo sem avaliação adequada (alternativa E) é precipitado: a ansiedade pode ser reativa à situação, e o tratamento farmacológico não substitui a abordagem psicossocial.

O ponto central que separa as alternativas é a multidisciplinaridade e o cuidado centrado no paciente e na família. A alternativa correta integra aspectos psicológicos, educacionais, familiares e de transição — enquanto as demais são reducionistas, focando em um único aspecto (dose, autonomia, transferência ou medicação psiquiátrica) e ignorando a complexidade do caso.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Aumentar a dose de levotiroxina sem abordar a causa da não adesão é ineficaz. O TSH está elevado porque o adolescente não toma a medicação regularmente, não porque a dose é insuficiente. Ajustar a dose sem resolver o problema de adesão mantém a descompensação. Além disso, marcar retorno em 6 meses é inadequado — o paciente está sintomático e com exames alterados, necessitando de acompanhamento mais próximo. A conduta correta é investigar e manejar as barreiras à adesão, não apenas aumentar a dose.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Priorizar autonomia transferindo toda a responsabilidade ao adolescente é contraproducente. O adolescente demonstra ansiedade ao falar sobre assumir os cuidados — sinal de que não está pronto para assumir sozinho. A autonomia deve ser construída gradualmente, com apoio e supervisão da família e da equipe de saúde. A alternativa ignora o papel da família no cuidado e o processo de transição, que exige preparação e suporte. A responsabilidade exclusiva do adolescente, sem estrutura de apoio, tende a piorar a adesão e o conflito familiar.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta mais apropriada é a abordagem multiprofissional integrada: solicitar avaliação psicológica (para manejar a ansiedade), reforçar DSMES (educação em saúde para autogestão), reorganizar rotinas familiares (reduzir conflitos sobre horários) e implementar plano estruturado de transição com participação conjunta da família. Essa conduta aborda todas as dimensões do problema: a não adesão, o conflito familiar, a ansiedade do adolescente e a necessidade de preparação para o cuidado adulto. É a única alternativa que trata o paciente de forma integral, considerando os aspectos biopsicossociais.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Encaminhar imediatamente ao endocrinologista de adultos por falta de adesão é uma transferência punitiva e prematura. A transição do cuidado pediátrico para o adulto deve ser um processo planejado, com preparação do adolescente e da família, não uma resposta à não adesão. O encaminhamento imediato sem plano de transição aumenta o risco de perda de seguimento e piora da adesão. A alternativa confunde o problema (não adesão) com a solução (transferência de serviço), ignorando que a não adesão precisa ser abordada em qualquer nível de atenção.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Prescrever antidepressivo sem avaliação adequada é precipitado e iatrogênico. A ansiedade do adolescente pode ser reativa à situação (conflitos familiares, dificuldades escolares, sensação de não dar conta) e não necessariamente um transtorno psiquiátrico primário. O tratamento farmacológico não substitui a abordagem psicossocial e educacional. Além disso, "pedir que volte quando estiver emocionalmente mais estável" é negligente — o paciente está com hipotireoidismo descompensado e precisa de acompanhamento próximo, não de afastamento. A conduta correta é avaliar a ansiedade no contexto, com psicologia, e tratar a causa subjacente (descompensação e conflitos).

Gabarito: letra C — a abordagem multiprofissional integrada é a única que trata o adolescente de forma integral, abordando adesão, aspectos emocionais, dinâmica familiar e transição do cuidado.

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