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Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
qg726707
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia Pediátrica
Menina de 7 anos e 2 meses apresenta:• M2 → M3 em 3 meses;• Velocidade de crescimento: 7,1 cm/ano;• Idade óssea: 2 anos avançada;• LH basal: 0,3 UI/L;• LH pós-estímulo com GnRH: 7,5 UI/L;• US pélvica: útero piriforme, volume ovariano aumentado (>1 cm³);• Sem sinais neurológicos.De acordo com o PCDT Puberdade Precoce Central (2022), qual conduta é a mais adequada?
  1. AAguardar 6-12 meses, pois PPC entre 7 e 8 anos raramente é progressiva.
  2. BSuspender investigação porque LH basal é baixo.
  3. CIniciar tratamento com agonista de GnRH, pois há critérios clínicos e laboratoriais de PPC progressiva
  4. DSolicitar apenas tomografia de crânio para afastar tumor selar.
  5. EIniciar bloqueio puberal apenas se a criança atingir Tanner M4 nas próximas avaliações.
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GabaritoC — Iniciar tratamento com agonista de GnRH, pois há critérios clínicos e laboratoriais de PPC progressiva

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Puberdade Precoce Central: critérios diagnósticos e conduta

Gabarito: letra C. A menina de 7 anos e 2 meses apresenta critérios clínicos e laboratoriais de puberdade precoce central (PPC) progressiva — progressão rápida de Tanner (M2→M3 em 3 meses), velocidade de crescimento > 6 cm/ano, idade óssea avançada, LH pós-estímulo com GnRH > 5 UI/L e volume ovariano aumentado —, o que indica início imediato do tratamento com agonista de GnRH, conforme o PCDT Puberdade Precoce Central (2022).

A puberdade precoce central (PPC) é definida pelo desenvolvimento puberal antes dos 8 anos em meninas e antes dos 9 anos em meninos. No caso, o desenvolvimento mamário (M2) antes dos 8 anos já configura o diagnóstico clínico. O ponto central da conduta, porém, é distinguir a PPC progressiva da não progressiva (ou lentamente progressiva), pois apenas a primeira exige tratamento medicamentoso. A progressão rápida — mudança de estádio de Tanner em menos de 3 meses — é o principal marcador clínico de progressão, acompanhada geralmente de velocidade de crescimento maior que 6 cm/ano. A menina do caso progrediu de M2 para M3 em 3 meses, o que caracteriza progressão rápida, e sua velocidade de crescimento é de 7,1 cm/ano, acima do limiar. A idade óssea avançada em 2 anos confirma o impacto na maturação esquelética, indicando risco de comprometimento da altura final.

O diagnóstico laboratorial confirma a suspeita clínica. O LH basal de 0,3 UI/L, embora seja o valor limítrofe para o diagnóstico (valores maiores que 0,3 UI/L por ICMA confirmam PPC), pode apresentar sobreposição entre o estado pré-puberal e o puberal inicial em meninas. Por isso, o teste de estímulo com GnRH é indicado: pico de LH maior que 5 UI/L confirma o diagnóstico. No caso, o pico de 7,5 UI/L é claramente puberal, confirmando a PPC. A relação LH/FSH maior que 1 também auxilia na diferenciação entre PPC progressiva e não progressiva. A ultrassonografia pélvica com útero piriforme e volume ovariano aumentado (>1 cm³) reforça o estímulo estrogênico, corroborando o diagnóstico.

A conduta, portanto, não é aguardar (a progressão rápida contraindica a observação), não é suspender a investigação (o LH basal baixo não exclui PPC, e o teste de estímulo já confirmou), não é solicitar apenas tomografia (a investigação etiológica é necessária, mas não substitui o tratamento) e não é aguardar Tanner M4 (o tratamento deve ser iniciado assim que a PPC progressiva é confirmada). O agonista de GnRH é o tratamento padrão, pois suprime o eixo gonadotrófico e interrompe a progressão puberal, preservando o potencial de crescimento. A investigação etiológica com ressonância magnética de crânio é recomendada em todos os casos de PPC confirmada, especialmente em meninas com menos de 6 anos, mas a ausência de sinais neurológicos não exclui a necessidade de imagem — e a imagem não é a conduta terapêutica.

Guarde o critério decisivo: progressão rápida + LH pós-estímulo > 5 UI/L = PPC progressiva = tratar com agonista de GnRH. É exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Aguardar 6-12 meses seria adequado apenas para PPC não progressiva ou de progressão lenta, que não compromete a altura final. No caso, a progressão de M2 para M3 em 3 meses caracteriza progressão rápida, e a velocidade de crescimento de 7,1 cm/ano (> 6 cm/ano) confirma a aceleração. Aguardar nesse cenário permitiria a progressão da maturação óssea, comprometendo o potencial de crescimento. A conduta correta é tratar, não observar.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O LH basal de 0,3 UI/L é o valor limítrofe para o diagnóstico (maiores que 0,3 UI/L por ICMA confirmam PPC), mas em meninas pode haver sobreposição entre valores pré-puberais e puberais iniciais. Por isso, o LH basal baixo não exclui PPC — o teste de estímulo com GnRH é o padrão para confirmação. No caso, o pico de LH de 7,5 UI/L (> 5 UI/L) já confirmou o diagnóstico, tornando a suspensão da investigação um erro grave.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A menina preenche todos os critérios de PPC progressiva: desenvolvimento puberal antes dos 8 anos (M2), progressão rápida (M2→M3 em 3 meses), velocidade de crescimento > 6 cm/ano (7,1 cm/ano), idade óssea avançada (2 anos), LH pós-estímulo com GnRH > 5 UI/L (7,5 UI/L) e volume ovariano aumentado. O PCDT Puberdade Precoce Central (2022) indica o tratamento com agonista de GnRH nesses casos, pois a supressão do eixo gonadotrófico interrompe a progressão puberal e preserva o potencial de crescimento.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A tomografia de crânio (ou ressonância magnética) é parte da investigação etiológica da PPC, para afastar lesões do sistema nervoso central, mas não é a conduta terapêutica. A ausência de sinais neurológicos não exclui a necessidade de imagem, e a imagem não substitui o tratamento. A conduta correta é iniciar o agonista de GnRH e, paralelamente, realizar a investigação etiológica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Aguardar a criança atingir Tanner M4 para iniciar o bloqueio puberal é um erro, pois a PPC progressiva já está confirmada e o tratamento deve ser iniciado imediatamente. A progressão rápida (M2→M3 em 3 meses) e o LH pós-estímulo > 5 UI/L indicam que a puberdade está avançando rapidamente, e o atraso no tratamento comprometeria a altura final. O agonista de GnRH deve ser iniciado assim que o diagnóstico de PPC progressiva é estabelecido, independentemente do estádio de Tanner.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre PPC progressiva e não progressiva. O LH basal baixo (0,3 UI/L) pode induzir o candidato a achar que não há PPC, mas o teste de estímulo com GnRH é o padrão-ouro — e o pico de 7,5 UI/L (> 5 UI/L) confirma o diagnóstico. Além disso, a progressão rápida (M2→M3 em 3 meses) e a velocidade de crescimento > 6 cm/ano são critérios clínicos de progressão que tornam a conduta de observação (alternativa A) incorreta. Fique atento: LH basal baixo não exclui PPC em meninas.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de PPC, monte um checklist mental: (1) desenvolvimento puberal antes dos 8 anos (meninas) ou 9 anos (meninos); (2) progressão rápida (mudança de Tanner em < 3 meses) ou velocidade de crescimento > 6 cm/ano; (3) LH basal > 0,3 UI/L (ICMA) ou pico de LH pós-GnRH > 5 UI/L; (4) idade óssea avançada. Se todos os critérios estiverem presentes, a conduta é tratar com agonista de GnRH. Se a progressão for lenta ou ausente, a observação é aceitável.

Gabarito: letra C

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