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Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
qg726710
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia Pediátrica
Em uma criança internada em UTI após traumatismo craniano, ocorre hiponatremia com osmolaridade plasmática baixa. A criança apresenta urina com sódio elevado (>20 mEq/L) e osmolaridade urinária aumentada. Entretanto, o exame físico revela hipovolemia (taquicardia, tempo de enchimento capilar aumentado, mucosas secas). Qual é o diagnóstico mais provável?
  1. ASíndrome da secreção inapropriada de ADH (SIADH).
  2. BIngestão excessiva de água livre.
  3. CSíndrome cerebral perdedora de sal.
  4. DInsuficiência adrenal aguda.
  5. EAcidose tubular renal.
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GabaritoC — Síndrome cerebral perdedora de sal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hiponatremia no TCE: Síndrome Cerebral Perdedora de Sal (SCPS)

Gabarito: letra C. A criança apresenta hiponatremia hipotônica com sinais clínicos de hipovolemia (taquicardia, enchimento capilar lentificado, mucosas secas) associada a sódio urinário elevado (>20 mEq/L) e osmolaridade urinária aumentada — o conjunto fecha com a síndrome cerebral perdedora de sal (SCPS), condição em que há perda renal de sódio mediada por peptídeos natriuréticos após lesão do SNC. O ponto-chave que separa a SCPS da SIADH é exatamente o estado volêmico: na SIADH o paciente é euvolêmico (ou levemente hipervolêmico), enquanto na SCPS há hipovolemia real.

A hiponatremia é o distúrbio eletrolítico mais comum em pacientes neurocríticos, e o TCE é um cenário clássico para duas causas que se confundem: a síndrome da secreção inapropriada de ADH (SIADH) e a síndrome cerebral perdedora de sal (SCPS). Ambas cursam com hiponatremia hipotônica, sódio urinário elevado e osmolaridade urinária inapropriadamente alta — por isso o exame físico é decisivo. Na SIADH, o ADH elevado causa retenção de água livre, expandindo o volume extracelular; o paciente é euvolêmico (ou com leve expansão), sem sinais de desidratação. Na SCPS, há uma perda renal primária de sódio (por ação de peptídeos natriuréticos liberados em resposta à lesão cerebral), que leva a hipovolemia real — o paciente apresenta taquicardia, hipotensão, mucosas secas e enchimento capilar lentificado, exatamente como no caso.

O raciocínio diagnóstico da hiponatremia hipotônica segue uma sequência lógica: primeiro, avalia-se o estado volêmico (hipervolêmico, euvolêmico ou hipovolêmico); depois, em pacientes hipovolêmicos, mede-se o sódio urinário para distinguir perda renal de perda extrarrenal. Sódio urinário > 20-40 mEq/L em paciente hipovolêmico indica perda renal de sódio, cujas causas incluem: uso de diuréticos, insuficiência adrenal (déficit de cortisol e aldosterona), e a própria síndrome cerebral perdedora de sal. No contexto de TCE, a SCPS é a hipótese mais provável — a insuficiência adrenal aguda também entraria no diagnóstico diferencial, mas é menos comum e geralmente vem acompanhada de hipercalemia e outros sinais.

A distinção entre SCPS e SIADH não é apenas acadêmica: o tratamento é oposto. Na SIADH, a conduta é restrição hídrica; na SCPS, é reposição volêmica com solução salina isotônica (e, se necessário, fludrocortisona). Errar o diagnóstico e tratar SCPS com restrição hídrica agrava a hipovolemia e pode precipitar choque. Por isso, a avaliação clínica do volume é o passo mais importante — e é nela que a banca monta a pegadinha desta questão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão clássica entre SCPS e SIADH. Ambas cursam com hiponatremia hipotônica, sódio urinário alto e osmolaridade urinária elevada — a diferença está no estado volêmico: a SIADH é euvolêmica (ADH retém água, expandindo o volume), enquanto a SCPS é hipovolêmica (perda renal de sódio). O enunciado descreve taquicardia, enchimento capilar lentificado e mucosas secas — sinais inequívocos de hipovolemia —, o que afasta a SIADH e aponta para a SCPS. Guarde: hiponatremia + TCE + hipovolemia = SCPS; hiponatremia + TCE + euvolemia = SIADH.

Critério

Síndrome Cerebral Perdedora de Sal (SCPS)

SIADH

Estado volêmico

Hipovolemia (taquicardia, mucosas secas, enchimento capilar lentificado)

Euvolemia (ou leve hipervolemia)

Sódio urinário

Elevado (>20 mEq/L)

Elevado (>20 mEq/L)

Osmolaridade urinária

Aumentada

Aumentada

Mecanismo fisiopatológico

Perda renal primária de sódio (peptídeos natriuréticos)

Retenção de água livre (ADH elevado)

Tratamento

Reposição volêmica com solução salina isotônica

Restrição hídrica

Alternativa A — ❌ Incorreta

A SIADH é o principal diagnóstico diferencial, mas exige euvolemia clínica — o paciente não apresenta sinais de hipovolemia. Na SIADH, o ADH elevado retém água livre, expandindo o volume extracelular; o sódio urinário está elevado e a osmolaridade urinária alta, mas o exame físico não mostra desidratação. O enunciado descreve taquicardia, enchimento capilar lentificado e mucosas secas — sinais de hipovolemia que contraindicam o diagnóstico de SIADH.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A ingestão excessiva de água livre (polidipsia primária) causa hiponatremia hipotônica, mas com sódio urinário baixo (< 20-25 mEq/L) e osmolaridade urinária baixa (< 100 mOsm/L), pois o ADH está suprimido e o rim excreta água livre. No caso, o sódio urinário está elevado (>20 mEq/L) e a osmolaridade urinária aumentada — exatamente o oposto do esperado na intoxicação por água.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A síndrome cerebral perdedora de sal (SCPS) é a causa mais provável. Ocorre em pacientes com lesão do SNC (TCE, neurocirurgia, hemorragia), em que há liberação de peptídeos natriuréticos que inibem a reabsorção de sódio no túbulo renal, causando perda renal de sódio e hipovolemia. Os achados fecham com o caso: hiponatremia hipotônica, sódio urinário elevado (>20 mEq/L, indicando perda renal), osmolaridade urinária aumentada (urina concentrada) e sinais clínicos de hipovolemia (taquicardia, enchimento capilar lentificado, mucosas secas).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A insuficiência adrenal aguda também causa hiponatremia hipotônica com perda renal de sódio (por deficiência de aldosterona e cortisol), mas é uma causa menos provável no contexto de TCE sem outros sinais. Além disso, costuma cursar com hipercalemia, hipoglicemia, hipotensão refratária e, muitas vezes, hiperpigmentação (na forma primária). O enunciado não traz esses elementos — o cenário de trauma craniano aponta fortemente para a SCPS.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A acidose tubular renal (ATR) pode causar perda renal de sódio e hiponatremia, mas é uma condição crônica, geralmente diagnosticada na infância por acidose metabólica hiperclorêmica, com ânion gap normal, hipocalemia (ATR tipos 1 e 2) e nefrocalcinose (tipo 1). Não se manifesta como hiponatremia aguda isolada após TCE, e o quadro descrito (trauma recente, hipovolemia, sódio urinário alto) é muito mais compatível com SCPS.

Gabarito: letra C — síndrome cerebral perdedora de sal, pela presença de hipovolemia clínica associada a perda renal de sódio em paciente com TCE.

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