Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg726712
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia Pediátrica
A respeito do rastreamento neonatal de hipotireoidismo congênito (HC), assinale a alternativa correta.
AO teste deve ser colhido idealmente antes de 24 horas de vida para evitar falso positivo.
BProgramas baseados apenas em TSH podem perder casos de hipotireoidismo central.
CRecém-nascidos pré-termo têm maior risco de falso positivo por TSH elevado no nascimento.
DUm TSH inicial normal exclui completamente o diagnóstico de HC, dispensando reavaliação.
EO rastreamento com T4 total não permite identificar recém-nascidos com atraso de elevação de TSH.
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GabaritoB — Programas baseados apenas em TSH podem perder casos de hipotireoidismo central.
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Rastreamento neonatal de hipotireoidismo congênito (HC)
Gabarito: letra B. Programas de triagem neonatal baseados apenas na dosagem de TSH podem deixar de identificar casos de hipotireoidismo congênito central, nos quais o TSH pode estar normal ou até baixo, com T4 reduzido — exatamente o que a alternativa B afirma. A limitação do TSH isolado é um ponto central do rastreamento, pois o HC central cursa com TSH não elevado, e o diagnóstico depende da dosagem associada de T4.
O hipotireoidismo congênito (HC) é a causa mais comum de deficiência intelectual prevenível, e o rastreamento neonatal — o famoso "teste do pezinho" — é a ferramenta que permite o diagnóstico e o tratamento precoces, evitando sequelas neurológicas irreversíveis. No Brasil, o HC integra o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), que prevê a detecção pela dosagem de TSH em papel-filtro, com ponto de corte padronizado em 10 mUI/L. A base legal do rastreamento está no Estatuto da Criança e do Adolescente, que obriga os estabelecimentos de saúde a proceder a exames para diagnóstico de anormalidades no metabolismo do recém-nascido, incluindo o hipotireoidismo congênito na primeira etapa de progressão do programa.
A fisiologia neonatal explica o desenho do rastreamento. Ao nascer, há um pico fisiológico de TSH nas primeiras 24 a 48 horas de vida, seguido de queda gradual. Por isso, a coleta ideal ocorre entre 48 horas e o 5º dia de vida, após a diminuição desse pico — coleta antes de 48 horas aumenta os falsos positivos. O HC primário, responsável por cerca de 90% dos casos, cursa com TSH elevado e T4 baixo, sendo facilmente captado por programas baseados em TSH. Já o HC central (hipofisário ou hipotalâmico), mais raro, cursa com TSH normal ou baixo e T4 baixo — e é justamente nesses casos que a triagem apenas por TSH falha, pois o TSH não está elevado para disparar o alarme. A alternativa B capta exatamente essa limitação.
A alternativa A inverte a lógica temporal: a coleta antes de 24 horas não evita falso positivo — pelo contrário, é a coleta precoce que aumenta os falsos positivos, pois captura o pico fisiológico de TSH. A alternativa C também erra ao afirmar que pré-termos têm maior risco de falso positivo por TSH elevado: na verdade, os pré-termos frequentemente apresentam TSH mais baixo e atraso na elevação do TSH, o que pode gerar falso negativo. A alternativa D é uma generalização perigosa: um TSH inicial normal não exclui o diagnóstico, especialmente em casos de HC central ou de atraso na elevação do TSH em pré-termos, exigindo reavaliação. A alternativa E inverte o papel do T4 total: o rastreamento com T4 total é justamente a estratégia que permite identificar recém-nascidos com atraso de elevação do TSH, pois detecta o T4 baixo mesmo quando o TSH ainda não subiu.
A pegadinha central desta questão é a confusão entre os dois grandes grupos de HC: o primário (TSH elevado, T4 baixo) e o central (TSH normal ou baixo, T4 baixo). Programas baseados apenas em TSH são eficientes para o primário, mas cegos para o central. Guarde essa distinção: é ela que separa a alternativa correta das demais.
Hipotireoidismo congênito (HC): Primário (~90%) (TSH elevado, T4 baixo, Detectado por triagem com TSH); Central (raro) (TSH normal ou baixo, T4 baixo, Perdido por triagem só com TSH); Triagem neonatal (Coleta ideal: 48h–5º dia, Antes de 48h: falso positivo (pico fisiológico), Pré-termo: falso negativo (atraso na elevação do TSH), T4 total: detecta atraso na elevação do TSH)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a coleta deve ser feita antes de 24 horas para evitar falso positivo. É exatamente o oposto: a coleta antes de 48 horas captura o pico fisiológico de TSH do recém-nascido, gerando excesso de falsos positivos. O momento ideal é entre 48 horas e o 5º dia de vida, após a queda do pico fisiológico.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Programas baseados apenas em TSH podem, de fato, perder casos de hipotireoidismo central. No HC central, o TSH está normal ou baixo, com T4 baixo — o TSH não se eleva para sinalizar a disfunção. Por isso, a triagem isolada de TSH não detecta esses casos, sendo necessária a dosagem associada de T4 para identificá-los.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que pré-termos têm maior risco de falso positivo por TSH elevado. Na realidade, os recém-nascidos pré-termo frequentemente apresentam atraso na elevação do TSH, com valores mais baixos no nascimento — o que gera risco de falso negativo, não de falso positivo. O TSH elevado no nascimento é típico do pico fisiológico do recém-nascido a termo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Um TSH inicial normal não exclui o diagnóstico de HC. Em casos de HC central, o TSH pode estar normal ou baixo; em pré-termos, pode haver atraso na elevação do TSH. Por isso, a reavaliação é necessária em situações de suspeita clínica ou fatores de risco, e o diagnóstico definitivo exige dosagem de TSH e T4 em sangue venoso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O rastreamento com T4 total permite sim identificar recém-nascidos com atraso de elevação de TSH. Essa é justamente uma das vantagens da estratégia baseada em T4: detecta o T4 baixo mesmo quando o TSH ainda não se elevou, capturando casos que a triagem isolada de TSH perderia.