Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
qg726719
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia Pediátrica
Menino de 8 anos chega à emergência com DKA grave:• glicemia: 565 mg/dL;• pH: 7,06;• HCO₃⁻: 7 mEq/L;• Na corrigido: 139 mEq/L;Após 4 horas de tratamento (hidratação + insulina EV):• melhora parcial da glicemia;• queda do sódio sérico para 135 mEq/L;• queixa de cefaleia intensa;• rebaixamento do nível de consciência (GCS 13 → 10);• bradicardia reativa.Qual é a conduta imediata mais apropriada segundo as diretrizes pediátricas?
ASuspender a insulina e administrar bolo de glicose 10%
BAdministrar bicarbonato IV para corrigir a acidose.
CReduzir fluidos e administrar manitol 0,25–1 g/kg.
DRealizar TC de crânio antes de qualquer intervenção
EAumentar a velocidade de hidratação para corrigir hipovolemia.
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GabaritoC — Reduzir fluidos e administrar manitol 0,25–1 g/kg.
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Cetoacidose diabética pediátrica: edema cerebral
Gabarito: letra C. O quadro descrito — rebaixamento do nível de consciência, cefaleia intensa e bradicardia reativa após início do tratamento de cetoacidose diabética (DKA) — é a apresentação clássica de edema cerebral, a complicação mais temida da DKA em crianças. A conduta imediata é reduzir a velocidade de infusão de fluidos e administrar manitol 0,25–1 g/kg EV, conforme as diretrizes pediátricas (ISPAD e consensos de emergência). A alternativa C espelha exatamente essa recomendação.
O edema cerebral na DKA pediátrica é uma emergência neurológica que ocorre tipicamente durante o tratamento, não na apresentação inicial. A fisiopatologia envolve mecanismos osmóticos: a correção rápida da hiperglicemia e a queda da osmolaridade plasmática podem levar ao acúmulo de água no tecido cerebral, causando edema citotóxico e vasogênico. Os sinais de alerta incluem cefaleia, vômitos, irritabilidade, rebaixamento do nível de consciência, bradicardia, hipertensão e alterações pupilares — exatamente o que o menino de 8 anos apresenta após 4 horas de hidratação e insulina.
O reconhecimento precoce é crucial porque a intervenção imediata reduz a morbimortalidade. A conduta padrão, quando há suspeita clínica de edema cerebral, é:
Reduzir a velocidade de infusão de fluidos (diminuir ou interromper temporariamente a hidratação venosa);
Administrar manitol 0,25–1 g/kg EV em bolus (agente osmótico que reduz o edema cerebral);
Alternativa ao manitol: solução salina hipertônica 3% (2,5–5 mL/kg) em casos refratários ou como primeira escolha em alguns protocolos;
Elevar a cabeceira e considerar intubação se houver deterioração respiratória ou rebaixamento grave.
A bradicardia reativa, junto com o rebaixamento do nível de consciência, é um sinal de hipertensão intracraniana (reflexo de Cushing) — o que reforça o diagnóstico de edema cerebral e a urgência da intervenção. Não se deve aguardar confirmação por imagem: a TC de crânio pode ser realizada após a estabilização, mas nunca antes da intervenção terapêutica, pois o atraso pode ser fatal.
A pegadinha central desta questão é a confusão entre edema cerebral (complicação do tratamento) e hipoglicemia (complicação também possível, mas que cursaria com glicemia baixa, não com glicemia em queda parcial). O enunciado diz "melhora parcial da glicemia" — não há hipoglicemia. Outra confusão comum é pensar em acidose persistente e administrar bicarbonato, mas o bicarbonato não trata edema cerebral e pode até piorar o quadro por paradoxo intracelular. A alternativa correta exige reconhecer o padrão clínico e aplicar a conduta específica para edema cerebral na DKA pediátrica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação automática entre "rebaixamento de consciência" e "hipoglicemia" (alternativa A) ou entre "acidose" e "bicarbonato" (alternativa B). Mas o contexto é claro: glicemia em queda parcial (não hipoglicemia), pH 7,06 com HCO₃⁻ 7 mEq/L (acidose grave que está sendo tratada) e, principalmente, bradicardia reativa — sinal de hipertensão intracraniana. O candidato que não conhece o edema cerebral como complicação da DKA pediátrica cai na alternativa A ou B. Com treino, você reconhece o padrão "rebaixamento + cefaleia + bradicardia durante tratamento de DKA" como edema cerebral até de longe 💪.
1Reduzir infusão de fluidos
2Manitol 0,25–1 g/kg EV
3Alternativa: NaCl 3% 2,5–5 mL/kg
4Elevar cabeceira
5Intubar se deterioração
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Suspender a insulina e administrar bolo de glicose 10% seria a conduta para hipoglicemia, não para edema cerebral. O enunciado diz "melhora parcial da glicemia" — não há hipoglicemia (glicemia inicial 565 mg/dL). Suspender a insulina e dar glicose pioraria o controle metabólico e não trataria o edema cerebral. A confusão é entre as duas complicações do tratamento da DKA: hipoglicemia (glicemia baixa) e edema cerebral (sinais neurológicos com glicemia em queda, mas não necessariamente baixa).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Administrar bicarbonato IV para corrigir a acidose é uma conduta controversa e raramente indicada na DKA pediátrica. O bicarbonato só é considerado em acidose extrema (pH < 6,9) com instabilidade hemodinâmica refratária, e mesmo assim com cautela. No caso, o pH é 7,06 — abaixo do limiar de 7,0, mas o quadro clínico atual (rebaixamento + bradicardia) não é de acidose descompensada, e sim de edema cerebral. O bicarbonato não trata edema cerebral e pode causar acidose intracelular paradoxal e hipocalemia, piorando o prognóstico.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Reduzir fluidos e administrar manitol 0,25–1 g/kg é a conduta imediata recomendada para edema cerebral na DKA pediátrica. O manitol é um agente osmótico que reduz o edema cerebral ao aumentar a osmolaridade plasmática e puxar água do tecido cerebral para o intravascular. A redução da velocidade de infusão de fluidos evita a piora do edema. Esta é a conduta padrão das diretrizes pediátricas (ISPAD, consensos de emergência) diante de sinais clínicos de edema cerebral durante o tratamento da DKA.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Realizar TC de crânio antes de qualquer intervenção é um erro grave. O edema cerebral na DKA é uma emergência clínica que exige tratamento imediato; aguardar exame de imagem pode ser fatal. A TC pode ser útil para excluir outras causas (hemorragia, tumor), mas nunca deve atrasar a administração de manitol ou solução salina hipertônica quando há suspeita clínica forte. A conduta é tratar primeiro, investigar depois.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Aumentar a velocidade de hidratação para corrigir hipovolemia é exatamente o oposto do que se deve fazer. O paciente não está em hipovolemia grave — está em edema cerebral, e a hidratação agressiva piora o edema. A conduta correta é reduzir a velocidade de infusão de fluidos, não aumentá-la. A confusão aqui é entre a fase inicial de reanimação volêmica (que já foi feita nas primeiras horas) e a fase de manutenção, onde o excesso de fluidos é prejudicial.
Gabarito: letra C — reduzir fluidos e administrar manitol 0,25–1 g/kg é a conduta imediata para edema cerebral na DKA pediátrica.