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Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
qg726736
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia Pediátrica
Em relação ao desenvolvimento puberal normal e seus distúrbios, assinale a alternativa correta de acordo com as evidências atuais.
  1. AA ausência de telarca aos 13 anos em meninas é critério clássico para investigação de puberdade atrasada.
  2. BO volume uterino maior que 35 mm ao ultrassom indica ausência de estrogênio e é típico de quadros não progressivos.
  3. CPuberdade precoce central deve ser definida apenas quando ocorre antes de 7 anos em meninas, conforme recomendação universal.
  4. DA progressão lenta da puberdade em meninas entre 7 e 9 anos deve sempre ser tratada com análogo de GnRH.
  5. EO pico de LH após estímulo com GnRH não é útil para diferenciar puberdade central progressiva de variantes benignas.
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GabaritoA — A ausência de telarca aos 13 anos em meninas é critério clássico para investigação de puberdade atrasada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Desenvolvimento puberal normal e seus distúrbios

Gabarito: letra A. A ausência de telarca aos 13 anos em meninas é, de fato, um critério clássico para investigação de puberdade atrasada, conforme as diretrizes atuais de endocrinologia pediátrica. As demais alternativas apresentam erros conceituais importantes: o volume uterino > 35 mm sugere presença de estrogênio (não ausência), a puberdade precoce central é definida antes dos 8 anos (não 7), a progressão lenta entre 7 e 9 anos geralmente não requer tratamento com análogo de GnRH, e o pico de LH após estímulo é justamente o exame que diferencia puberdade central progressiva de variantes benignas.

O desenvolvimento puberal é um processo complexo que envolve a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. Nas meninas, o primeiro sinal clínico é a telarca (desenvolvimento das mamas), que normalmente ocorre entre 8 e 13 anos. A puberdade atrasada é definida pela ausência de telarca aos 13 anos em meninas (ou ausência de aumento testicular ≥ 4 mL aos 14 anos em meninos). Já a puberdade precoce é caracterizada pelo desenvolvimento puberal antes dos 8 anos em meninas e antes dos 9 anos em meninos. Esses marcos são fundamentais para a prática clínica e são amplamente cobrados em provas de residência e concursos.

A avaliação inicial de uma criança com suspeita de distúrbio puberal inclui história clínica detalhada, exame físico com estadiamento de Tanner, avaliação da velocidade de crescimento e idade óssea. Exames laboratoriais como LH basal e teste de estímulo com GnRH são essenciais para diferenciar puberdade precoce central (dependente de gonadotrofinas) de periférica (independente de gonadotrofinas). O teste de estímulo com GnRH é considerado o padrão-ouro: um pico de LH > 5 UI/L confirma o diagnóstico de puberdade central progressiva.

É importante destacar que nem toda precocidade sexual é patológica. A telarca precoce isolada (desenvolvimento isolado das mamas antes dos 8 anos, sem progressão) e a pubarca precoce isolada (pelos pubianos antes dos 8 anos) são variantes benignas que não caracterizam puberdade verdadeira. Estudos mostram que entre 21% e 64% das meninas com broto mamário antes dos 8 anos apresentam telarca isolada e não evoluem para puberdade precoce central. Por isso, a documentação da progressão da puberdade a cada 3 a 6 meses é crucial para distinguir quadros progressivos (que necessitam tratamento) de quadros lentamente progressivos ou não progressivos (que geralmente alcançam altura final normal sem intervenção).

A pegadinha desta questão está na inversão de conceitos: a banca troca "ausência de estrogênio" por "presença", inverte o limite de idade para puberdade precoce (7 em vez de 8 anos), generaliza o tratamento para todos os casos de progressão lenta, e nega a utilidade do teste de GnRH, que é justamente o exame mais importante para o diagnóstico diferencial. O candidato que domina os marcos etários e os critérios diagnósticos da puberdade precoce central identifica facilmente a alternativa correta.

Guarde a fronteira entre os marcos etários (telarca aos 13 anos para atraso; antes dos 8 anos para precocidade em meninas) e o papel do teste de GnRH: é exatamente nesses pontos que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ausência de telarca aos 13 anos em meninas é um critério clássico e amplamente aceito para investigação de puberdade atrasada. A puberdade atrasada é definida como a ausência de desenvolvimento puberal até 2 a 2,5 desvios padrão acima da média, ou seja, ausência de telarca aos 13 anos em meninas e ausência de aumento testicular ≥ 4 mL aos 14 anos em meninos. Este marco é utilizado em diretrizes internacionais e nacionais, como as da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Endocrine Society.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O volume uterino maior que 35 mm ao ultrassom indica presença de estrogênio, não ausência. O útero é um órgão estrogênio-dependente: sob estímulo estrogênico, o volume uterino aumenta e o endométrio se espessa. Em quadros não progressivos ou hipoestrogênicos, o volume uterino tende a ser menor. A alternativa inverte completamente o significado do achado ultrassonográfico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A puberdade precoce central é definida pelo desenvolvimento puberal antes dos 8 anos em meninas e antes dos 9 anos em meninos, conforme as diretrizes atuais. O limite de 7 anos não é universalmente recomendado; embora alguns estudos sugiram investigação mais criteriosa em meninas entre 6 e 8 anos, o marco clássico permanece 8 anos. A alternativa erra ao fixar 7 anos como critério universal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A progressão lenta da puberdade em meninas entre 7 e 9 anos não deve ser sempre tratada com análogo de GnRH. Muitas dessas meninas apresentam puberdade lentamente progressiva ou não progressiva, alcançando altura final normal sem tratamento. O tratamento com análogo de GnRH é indicado para puberdade precoce central progressiva, com comprometimento da estatura final. A alternativa generaliza indevidamente a indicação terapêutica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O pico de LH após estímulo com GnRH é extremamente útil para diferenciar puberdade central progressiva de variantes benignas. Valores de pico de LH > 5 UI/L confirmam o diagnóstico de puberdade precoce central, enquanto valores menores indicam ausência de ativação central do eixo gonadotrófico. A alternativa nega a utilidade de um exame que é considerado padrão-ouro para esse diagnóstico diferencial.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter conceitos e marcos etários neste tema. Aqui, ela trocou "presença" por "ausência" de estrogênio (B), fixou 7 anos em vez de 8 para puberdade precoce (C), generalizou o tratamento para toda progressão lenta (D) e negou a utilidade do teste de GnRH (E). Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Memorize os marcos etários como uma tabela mental: telarca aos 13 anos = atraso em meninas; antes dos 8 anos = precocidade em meninas; antes dos 9 anos = precocidade em meninos. E lembre: o teste de GnRH é o divisor de águas entre puberdade central progressiva e variantes benignas.

Gabarito: letra A

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