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Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
qg726737
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia Pediátrica
Menino de 9 anos, altura −2,6 DP, velocidade de crescimento 3,4 cm/ano apresenta os seguintes exames:• GH pós-estímulo com clonidina: 18 ng/mL;• IGF-1: −2,3 DP;• IGFBP-3: normal-baixo;• ALS: normal;• GHBP: reduzido;• Idade óssea: atraso de 1 ano;• Criança eutrófica, sem comorbidades.Qual diagnóstico funcional é mais compatível com esse caso, segundo a fisiopatologia dos distúrbios do GH?
  1. ADeficiência clássica de GH.
  2. BBaixa estatura idiopática sem alteração do eixo GH–IGF-1
  3. CResistência parcial ao GH, compatível com um fenótipo não clássico.
  4. DDefeito primário de IGF-1 (mutação IGF1)
  5. EResistência severa ao GH (Laron), exigindo reposição exclusiva com IGF-1.
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GabaritoC — Resistência parcial ao GH, compatível com um fenótipo não clássico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Distúrbios do crescimento: resistência ao GH e o eixo GH–IGF-1

Gabarito: letra C. O menino tem baixa estatura grave (altura −2,6 DP) com velocidade de crescimento reduzida, mas GH pós-estímulo normal (18 ng/mL) — o que afasta deficiência clássica de GH — e IGF-1 baixo (−2,3 DP) com GHBP reduzido, padrão que aponta para resistência parcial ao GH, em que o hormônio é secretado, mas a ação periférica está comprometida. O diagnóstico funcional mais compatível é o de resistência parcial ao GH, fenótipo não clássico, conforme a fisiopatologia dos distúrbios do eixo GH–IGF-1.

O eixo GH–IGF-1 é a via central do crescimento longitudinal. O GH é secretado pela adeno-hipófise sob estímulo do GHRH hipotalâmico e inibição da somatostatina; ele age no fígado estimulando a produção de IGF-1, que circula ligado principalmente à IGFBP-3 (mais de 80% do IGF-1 sérico). A GHBP (proteína de ligação do GH) reflete, na prática, a expressão do receptor de GH — níveis reduzidos sugerem menor número ou função dos receptores, ou seja, resistência à ação do GH. Quando o GH está normal ou elevado, mas o IGF-1 está baixo, o defeito não está na produção hipofisária, e sim na ação periférica do GH — é o conceito de resistência ao GH.

A resistência ao GH forma um espectro. Na extremidade grave está a síndrome de Laron, com mutações inativadoras do receptor de GH, GH elevado, IGF-1 muito baixo e baixa estatura severa desde a infância. No outro extremo, há formas parciais ou não clássicas, em que a resistência é mais leve: o GH pode estar normal ou discretamente elevado, o IGF-1 está baixo ou no limite inferior, e a GHBP pode estar reduzida — exatamente o padrão do caso. A criança eutrófica, sem comorbidades, com idade óssea atrasada apenas 1 ano (atraso leve, não os >2 DP típicos da deficiência de GH), reforça um defeito funcional parcial, não uma deficiência clássica nem uma resistência severa.

Na prática clínica, o raciocínio diagnóstico segue a combinação das dosagens, não cada valor isolado. GH baixo no estímulo + IGF-1 baixo = deficiência de GH. GH normal/alto + IGF-1 baixo = resistência ao GH (ou defeito primário de IGF-1, se a GHBP for normal e houver fenótipo mais grave). GH normal + IGF-1 normal = baixa estatura idiopática. A GHBP reduzida neste caso aponta especificamente para o comprometimento do receptor de GH, o que fecha o diagnóstico funcional de resistência parcial.

A pegadinha da banca está em distinguir deficiência de GH (produção insuficiente) de resistência ao GH (ação insuficiente). O GH pós-estímulo de 18 ng/mL é claramente normal — o ponto de corte para deficiência é < 5 ng/mL, e valores < 3 ng/mL indicam deficiência grave. Portanto, a alternativa A (deficiência clássica) cai por terra. A alternativa E (Laron) também não se sustenta: a síndrome de Laron clássica tem GH elevado, não apenas normal, e baixa estatura muito mais severa desde os primeiros anos. O caso descreve um menino de 9 anos com atraso de apenas 1 ano na idade óssea e sem outras manifestações — compatível com resistência parcial, não com a forma grave.

Guarde a fronteira que decide esta questão: GH normal ou alto + IGF-1 baixo = resistência ao GH; GH baixo + IGF-1 baixo = deficiência de GH. É exatamente nessa combinação que as alternativas se dividem.

Critério

Deficiência de GH

Resistência parcial ao GH (caso)

GH pós-estímulo

Baixo (< 5 ng/mL)

Normal (18 ng/mL)

IGF-1

Baixo

Baixo (−2,3 DP)

GHBP

Normal

Reduzida

Idade óssea

Atraso > 2 DP

Atraso leve (1 ano)

Sítio do defeito

Produção hipofisária

Ação periférica (receptor)

Distúrbios do eixo GH–IGF-1
  • 1GH baixo + IGF-1 baixo
    • Deficiência de GH
  • 2GH normal/alto + IGF-1 baixo
    • GHBP reduzida
      • Resistência ao GH (receptor)
    • GHBP normal
      • Defeito primário de IGF-1
  • 3GH normal + IGF-1 normal
    • Baixa estatura idiopática
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A deficiência clássica de GH exige GH baixo no teste de estímulo (pico < 5 ng/mL, ou < 3 ng/mL para deficiência grave). O menino teve pico de 18 ng/mL, claramente normal. Além disso, na deficiência de GH a GHBP costuma ser normal, e a idade óssea tende a ter atraso maior que 2 DP — aqui o atraso é de apenas 1 ano. O erro da alternativa é ignorar o GH normal e atribuir o quadro a uma deficiência de produção, quando o problema está na ação periférica do hormônio.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A baixa estatura idiopática (BEI) é um diagnóstico de exclusão em que todo o eixo GH–IGF-1 está normal: GH normal no estímulo, IGF-1 normal, IGFBP-3 normal. Neste caso, o IGF-1 está baixo (−2,3 DP) e a GHBP está reduzida — há alteração objetiva do eixo. Não se pode classificar como BEI quando existe um marcador laboratorial claro de comprometimento da via GH–IGF-1. A alternativa confunde "sem causa identificada" com "eixo normal", o que não se aplica ao caso.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O padrão é o clássico da resistência parcial ao GH: GH pós-estímulo normal (18 ng/mL), IGF-1 baixo (−2,3 DP), IGFBP-3 normal-baixa, GHBP reduzida (refletindo menor expressão/função do receptor de GH) e ALS normal. A criança eutrófica, sem comorbidades, com atraso ósseo leve, encaixa no fenótipo não clássico de resistência ao GH — mais leve que a síndrome de Laron, mas com comprometimento funcional real da ação do GH. O diagnóstico funcional é exatamente este: o GH é produzido e secretado, mas o tecido-alvo responde de forma insuficiente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O defeito primário de IGF-1 (mutação no gene IGF1) cursa com GH normal ou elevado, IGF-1 baixo ou indetectável, mas GHBP normal — pois o receptor de GH está íntegro. Neste caso, a GHBP está reduzida, o que indica comprometimento do receptor de GH, não do IGF-1. Além disso, mutações de IGF1 costumam cursar com retardo do crescimento intrauterino e baixa estatura mais severa desde o nascimento, o que não é descrito no caso. A alternativa troca o sítio do defeito: aqui o problema está na ação do GH (receptor), não na produção de IGF-1.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A síndrome de Laron (resistência severa ao GH) é causada por mutações inativadoras do receptor de GH e cursa com GH elevado (não apenas normal), IGF-1 muito baixo, baixa estatura extrema desde os primeiros anos de vida e fenótipos mais graves. O menino tem GH de 18 ng/mL (normal, não elevado), atraso ósseo de apenas 1 ano e é eutrófico — um quadro muito mais leve. A alternativa também erra ao afirmar que a reposição seria "exclusiva com IGF-1": na resistência parcial, a conduta pode envolver GH em doses maiores ou IGF-1, dependendo do caso, mas a afirmação de resistência severa com tratamento exclusivo não se aplica ao fenótipo descrito.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre deficiência de GH (produção insuficiente → GH baixo no estímulo) e resistência ao GH (ação insuficiente → GH normal/alto com IGF-1 baixo). O candidato que vê baixa estatura + IGF-1 baixo e automaticamente pensa em deficiência de GH cai na alternativa A. A chave é sempre olhar o GH pós-estímulo: se ele é normal, o defeito não está na hipófise, e sim na periferia. Com treino, você enxerga essa inversão de longe 💪.

PEGA ESSA DICA!

Monte um fluxo mental para qualquer questão de baixa estatura: (1) GH pós-estímulo baixo + IGF-1 baixo → deficiência de GH; (2) GH normal/alto + IGF-1 baixo → resistência ao GH ou defeito de IGF-1; (3) GH normal + IGF-1 normal → baixa estatura idiopática. A GHBP reduzida aponta para receptor de GH comprometido (resistência); GHBP normal com IGF-1 baixo sugere defeito primário de IGF-1. Esse esquema resolve a maioria das questões do tema.

Gabarito: letra C — resistência parcial ao GH, compatível com fenótipo não clássico.

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