Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
qg726738
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia Pediátrica
Em relação à avaliação laboratorial dos distúrbios do GH, assinale a alternativa que apresenta um achado compatível com resistência ao GH (GHI) em crianças.
  1. APico de GH reduzido em testes de estímulo e IGF-1 elevado.
  2. BPico de GH normal ou alto, IGF-1 baixo e IGFBP-3 normal ou reduzido.
  3. CPico de GH normal, IGF-1 normal e GHBP elevado em 90% dos casos.
  4. DIGF alto associado a ALS baixa
  5. EIGF-1 alto com IGFBP-3 reduzido indica GHI clássico
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Pico de GH normal ou alto, IGF-1 baixo e IGFBP-3 normal ou reduzido.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Resistência ao GH (GHI) e o eixo GH-IGF-1

Gabarito: letra B. Na resistência ao GH (GHI), o hormônio de crescimento está presente em níveis normais ou elevados, mas o tecido-alvo não responde adequadamente, resultando em IGF-1 baixo e IGFBP-3 normal ou reduzido — exatamente o que a alternativa B descreve. O diagnóstico se baseia na dissociação entre o GH (normal/alto) e seus efetores periféricos (IGF-1 e IGFBP-3 baixos), em contraste com a deficiência de GH (DGH), onde o GH está baixo.

O eixo GH-IGF-1 é uma via hormonal clássica: o hipotálamo secreta GHRH (estimulador) e somatostatina (inibidor), que regulam a liberação de GH pela hipófise anterior. O GH, por sua vez, estimula o fígado e outros tecidos a produzirem IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1), que é o principal mediador dos efeitos do GH no crescimento. A maior parte do IGF-1 circula ligada a proteínas, principalmente a IGFBP-3 (proteína ligadora de IGF tipo 3), formando um complexo ternário com a ALS (subunidade ácido-lábil). A avaliação laboratorial dos distúrbios do GH, portanto, não se limita a dosar o GH — é preciso interpretar o conjunto: GH, IGF-1, IGFBP-3 e, em alguns casos, ALS.

Na deficiência de GH (DGH), o problema está na produção do hormônio: o pico de GH nos testes de estímulo é baixo (geralmente < 5 ng/mL em crianças), e consequentemente o IGF-1 e a IGFBP-3 também estarão baixos. Já na resistência ao GH (GHI), o problema está na ação do hormônio: o GH é produzido normalmente (pico normal ou alto nos testes de estímulo), mas o receptor de GH ou a via de sinalização intracelular (via JAK-STAT) está defeituosa, de modo que o fígado não consegue produzir IGF-1. O resultado é um quadro laboratorial característico: GH normal ou alto, com IGF-1 baixo e IGFBP-3 normal ou reduzido. Essa é a assinatura bioquímica da GHI, que a alternativa B captura com precisão.

A causa mais conhecida de GHI é a síndrome de Laron, uma condição genética rara causada por mutações no gene do receptor de GH (GHR). Nessas crianças, o GH está elevado (por falta de feedback negativo do IGF-1), mas o IGF-1 é baixo, e a IGFBP-3 também costuma estar reduzida. O tratamento não responde ao GH exógeno, justamente porque o defeito está no receptor — o que reforça a importância de distinguir GHI de DGH antes de iniciar terapia.

A pegadinha central desta questão é a inversão do padrão laboratorial: o candidato que memoriza apenas "GH baixo = problema" pode marcar a alternativa A, que descreve o oposto do que ocorre na GHI. A banca explora exatamente a confusão entre DGH e GHI. Guarde o critério decisivo: na GHI, o GH está normal ou alto, mas o IGF-1 está baixo — é a combinação que fecha o diagnóstico, não um valor isolado.

Característica

Deficiência de GH (DGH)

Resistência ao GH (GHI)

Pico de GH em teste de estímulo

Baixo (< 5 ng/mL)

Normal ou alto

IGF-1

Baixo

Baixo

IGFBP-3

Baixo

Normal ou reduzido

Local do defeito

Produção hipofisária de GH

Receptor de GH ou via de sinalização (JAK-STAT)

Exemplo clássico

—

Síndrome de Laron

1Deficiência de GH (DGH)
GH baixo no estímulo
IGF-1 baixo
IGFBP-3 baixa
2Resistência ao GH (GHI)
GH normal ou alto
IGF-1 baixo
IGFBP-3 normal ou reduzida
3Síndrome de Laron
Mutação no receptor de GH
GH alto, IGF-1 baixo
GHBP baixa ou ausente
Eixo GH-IGF-1
LEVELsoulevel.com.br
Eixo GH-IGF-1: Deficiência de GH (DGH) (GH baixo no estímulo, IGF-1 baixo, IGFBP-3 baixa); Resistência ao GH (GHI) (GH normal ou alto, IGF-1 baixo, IGFBP-3 normal ou reduzida); Síndrome de Laron (Mutação no receptor de GH, GH alto, IGF-1 baixo, GHBP baixa ou ausente)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que na GHI o pico de GH é reduzido nos testes de estímulo e o IGF-1 é elevado. Isso inverte completamente o padrão: na GHI, o GH está normal ou alto (não reduzido) e o IGF-1 está baixo (não elevado). Esse padrão descrito na alternativa — GH baixo com IGF-1 alto — não corresponde a nenhum distúrbio clássico do eixo; na verdade, o GH baixo com IGF-1 baixo é típico da DGH, e o GH alto com IGF-1 baixo é típico da GHI. A alternativa mistura os dois quadros de forma incoerente.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve com precisão o padrão laboratorial da resistência ao GH: pico de GH normal ou alto (porque a produção está preservada), IGF-1 baixo (porque o tecido-alvo não responde ao GH para produzi-lo) e IGFBP-3 normal ou reduzido (porque a produção de IGFBP-3 também depende da ação do GH). Essa é a assinatura bioquímica da GHI, exemplificada pela síndrome de Laron. A alternativa espelha exatamente o que se espera encontrar na avaliação laboratorial de uma criança com resistência ao GH.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que na GHI o pico de GH é normal, o IGF-1 é normal e a GHBP é elevada em 90% dos casos. O erro está na GHBP (proteína ligadora do GH): na GHI, a GHBP costuma estar baixa ou ausente, especialmente na síndrome de Laron, onde o defeito no receptor de GH frequentemente afeta a porção extracelular que dá origem à GHBP circulante. Além disso, o IGF-1 na GHI é baixo, não normal. A alternativa erra tanto no IGF-1 quanto na GHBP.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que na GHI o IGF é alto associado a ALS baixa. Isso está incorreto: na GHI, o IGF-1 está baixo, não alto. A ALS (subunidade ácido-lábil) baixa é um achado que pode ocorrer em algumas condições, mas não é o padrão da GHI clássica. A alternativa descreve um quadro que não corresponde à resistência ao GH.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que IGF-1 alto com IGFBP-3 reduzido indica GHI clássico. Isso é contraditório: na GHI, tanto o IGF-1 quanto a IGFBP-3 estão baixos (ou a IGFBP-3 normal/reduzida, mas nunca com IGF-1 alto). A combinação "IGF-1 alto com IGFBP-3 baixo" não é um padrão reconhecido de GHI e não tem respaldo na fisiopatologia da doença. A alternativa erra ao afirmar que o IGF-1 estaria elevado.

Gabarito: letra B — a única alternativa que descreve corretamente o padrão laboratorial da resistência ao GH: GH normal ou alto, IGF-1 baixo e IGFBP-3 normal ou reduzido.

Link permanente: /questoes/qg726738