Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
- Código
- qg726743
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- SES-SC
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Endoscopia
- ATipo V.
- BTipo IV.
- CTipo I.
- DTipo II.
- ETipo III.
GabaritoE — Tipo III.
Gabarito: letra E. A lesão descrita — vegetante, ulcerada, com bordas elevadas e infiltrativas, friável, causando distorção do piloro — corresponde ao Borrmann tipo III, o carcinoma ulcerado infiltrativo, que é o padrão mais comum dos adenocarcinomas gástricos avançados. A classificação de Borrmann divide os tumores gástricos avançados em quatro tipos morfológicos principais (I a IV), e a descrição endoscópica da questão espelha exatamente o tipo III.
A Classificação de Borrmann é um sistema macroscópico de classificação dos carcinomas gástricos avançados, ou seja, tumores que já ultrapassaram a submucosa e invadiram a muscular própria ou além. Ela foi descrita em 1926 e permanece até hoje como a forma mais utilizada para descrever o aspecto macroscópico desses tumores, sendo fundamental para o raciocínio clínico e cirúrgico, embora não substitua o estadiamento TNM. Os quatro tipos clássicos são: Tipo I (polipoide ou vegetante), Tipo II (ulcerado, com bordas elevadas e bem delimitadas, sem infiltração), Tipo III (ulcerado infiltrativo, com bordas elevadas e infiltrativas, sem delimitação nítida) e Tipo IV (difusamente infiltrativo, a chamada linite plástica).
A distinção entre os tipos II e III é o ponto central desta questão. No tipo II, a úlcera tem bordas bem delimitadas, elevadas e nítidas, sem infiltração da parede adjacente — o tumor parece "contido". No tipo III, as bordas são elevadas, mas também infiltrativas, ou seja, há infiltração neoplásica da mucosa e da parede ao redor da úlcera, sem um limite claro entre o tumor e o tecido normal. Essa infiltração é exatamente o que causa a distorção do piloro descrita no enunciado: o tumor não apenas ulcera, mas invade e distorce a arquitetura local, dificultando a passagem do aparelho endoscópico. A friabilidade ao toque do aparelho é outra característica típica dos tumores ulcerados infiltrativos, que sangram com facilidade.
Na prática endoscópica, o Borrmann III é o mais frequente, correspondendo a cerca de 50-60% dos cânceres gástricos avançados. O tipo I é o menos comum (cerca de 5-10%), o tipo II aparece em torno de 20-30%, e o tipo IV, a linite plástica, em cerca de 10-15%. O tipo IV é particularmente traiçoeiro porque infiltra difusamente a parede sem formar uma massa ou úlcera bem definida, deixando o estômago rígido e com aspecto de "garrafa de couro" — e, por isso, muitas vezes não é diagnosticado precocemente pela endoscopia convencional. É importante notar que a classificação de Borrmann não inclui um "tipo V" — essa alternativa é um distrator puro, pois a classificação tem apenas quatro tipos.
A pegadinha que a banca explora aqui é a confusão entre os tipos II e III, ambos ulcerados. O candidato que memoriza apenas "úlcera com bordas elevadas = tipo II" erra a questão, pois não percebe que a palavra infiltrativas no enunciado é o termo-chave que diferencia o tipo III. A distorção do piloro é o dado clínico que confirma a infiltração: um tumor tipo II, bem delimitado, não costuma distorcer estruturas adjacentes dessa forma. Guarde a fronteira: bordas elevadas e bem delimitadas = tipo II; bordas elevadas e infiltrativas = tipo III — é exatamente nesse par de palavras que as alternativas se dividem.
O tipo V não existe na Classificação de Borrmann. A classificação é composta por apenas quatro tipos (I a IV). Essa alternativa é um distrator puro, sem correspondência com a classificação macroscópica dos tumores gástricos avançados.
O tipo IV é o carcinoma difusamente infiltrativo, a linite plástica. Nesse tipo, o tumor infiltra a parede gástrica de forma difusa, sem formar massa ou úlcera bem definida, deixando o estômago rígido e espessado. A descrição do enunciado mostra uma lesão vegetante e ulcerada, o que não corresponde ao aspecto infiltrativo difuso do tipo IV.
O tipo I é o carcinoma polipoide ou vegetante, que cresce como uma massa exofítica para dentro da luz gástrica, geralmente sem ulceração significativa. Embora a lesão do enunciado seja vegetante, ela também é ulcerada e infiltrativa — características que não pertencem ao tipo I, que é tipicamente uma lesão bem delimitada, sem infiltração da parede adjacente.
O tipo II é o carcinoma ulcerado com bordas elevadas e bem delimitadas, sem infiltração da parede adjacente. A lesão descrita tem bordas elevadas, mas também infiltrativas, e causa distorção do piloro — sinais de infiltração que afastam o tipo II. A palavra "infiltrativas" é o termo que separa o tipo II do tipo III.
O tipo III é o carcinoma ulcerado infiltrativo, com bordas elevadas e infiltrativas, sem delimitação nítida entre o tumor e a mucosa adjacente. A descrição endoscópica — lesão vegetante, ulcerada, com bordas elevadas e infiltrativas, friável e causando distorção do piloro — é o retrato clássico desse tipo, que é o mais comum dos cânceres gástricos avançados.
A regra de ouro para a prova: na Classificação de Borrmann, a presença de infiltração nas bordas de uma lesão ulcerada aponta para o tipo III, enquanto bordas bem delimitadas apontam para o tipo II. O tipo IV é o infiltrativo difuso (linite plástica), e o tipo I é o polipoide vegetante.
Gabarito: letra E
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