Questão de Medicina — Gastroenterologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg726756
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endoscopia
Mulher, 28 anos de idade, após comparecer 3 vezes a um pronto atendimento da cidade por diarreia e ser medicada com antiparasitários e probióticos, procura atendimento com um gastroenterologista por apresentar, nas últimas semanas, sangramento e drenagem de muco associada à diarreia. Relata cerca de 5 evacuações diárias, Bristol tipo 6 e início do quadro há cerca de 2 meses. Nesse período, ficou alguns dias com o olho direito vermelho, procurou o oftalmologista e foi medicada com colírio de corticoide com melhora em poucos dias. Nega doenças, uso de medicamentos, alergias e cirurgias. Queixa-se somente de estresse emocional devido à sobrecarga no trabalho. O especialista solicita uma colonoscopia que descreve um íleo terminal normal, edema, enantema e friabilidade no cólon sigmoide e reto. No reto, também há erosões superficiais.Quanto ao caso descrito, é correto afirmar que
Ao aspecto histológico típico para esse quadro é a distorção das criptas pela formação de abscessos e granulomas não caseosos.
Ba presença de uma dosagem de PCR (proteína C reativa) baixa tem um forte fator preditivo negativo para Retocolite Ulcerativa.
Cde acordo com a classificação de Montreal para Retocolite Ulcerativa, pode-se classificar como tipo E2.
Do escore de Mayo é o mais usado para avaliar a resposta da paciente à terapêutica empregada, pois ele considera o bem-estar geral do paciente, a presença de dor abdominal, o número de evacuações líquidas diárias, a presença de massa abdominal e a presença de complicações.
Ea calprotectina maior que 1000µg/g tem alta especificidade para doença inflamatória intestinal.
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GabaritoC — de acordo com a classificação de Montreal para Retocolite Ulcerativa, pode-se classificar como tipo E2.
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Retocolite Ulcerativa: classificação de Montreal e diagnóstico
Gabarito: letra C. O caso descreve uma paciente com diarreia crônica mucossanguinolenta, acometimento inflamatório contínuo do reto e sigmoide (edema, enantema, friabilidade e erosões) com íleo terminal normal — quadro clássico de Retocolite Ulcerativa (RCU). Pela classificação de Montreal, o comprometimento restrito ao reto e sigmoide (cólon distal) é classificado como E2 (colite esquerda), o que torna a alternativa C correta. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre histologia, marcadores inflamatórios e escores de atividade.
A Retocolite Ulcerativa é uma doença inflamatória intestinal (DII) crônica que acomete exclusivamente o cólon, com inflamação que se inicia no reto e se estende de forma contínua e proximal, sem poupar segmentos. O diagnóstico é firmado pela combinação de quadro clínico (diarreia com sangue e muco, urgência retal, tenesmo), achados endoscópicos (mucosa eritematosa, friável, com perda do padrão vascular, erosões e ulcerações) e histológicos (distorção de criptas, abscessos de criptas, infiltrado inflamatório — sem granulomas). A classificação de Montreal é a mais utilizada para estratificar a extensão da doença, dividindo-a em:
Classificação de Montreal
Extensão
Acometimento
E1
Proctite ulcerativa
Apenas reto
E2
Colite esquerda
Reto até ângulo esplênico
E3
Colite extensa
Proximal ao ângulo esplênico (pancolite)
No caso, a colonoscopia descreve acometimento do cólon sigmoide e reto, com íleo terminal normal — exatamente a definição de colite esquerda (E2). A distinção entre E1, E2 e E3 é crucial porque define a via de administração do tratamento (tópico retal vs. sistêmico) e o risco de neoplasia, que aumenta com a extensão da doença.
A alternativa A erra ao citar granulomas não caseosos, que são característicos da Doença de Crohn, não da RCU. Na RCU, a inflamação é restrita à mucosa e submucosa, com distorção de criptas e abscessos crípticos, mas sem granulomas. A alternativa B erra ao afirmar que PCR baixa tem forte valor preditivo negativo para RCU — a PCR é um marcador inflamatório inespecífico, e sua ausência de elevação não exclui doença ativa, especialmente em casos de atividade leve a moderada. A alternativa D descreve o Índice de Harvey-Bradshaw, utilizado para Doença de Crohn, e não o escore de Mayo, que é o escore clínico-endoscópico mais usado para RCU. A alternativa E erra ao afirmar que calprotectina > 1000 µg/g tem alta especificidade para DII — a calprotectina fecal é um marcador de inflamação intestinal com alta sensibilidade, mas baixa especificidade, pois se eleva em diversas condições inflamatórias, infecciosas e neoplásicas.
A pegadinha central da questão está em associar corretamente a extensão da doença à classificação de Montreal e em não confundir os achados histológicos e os escores de atividade entre RCU e Doença de Crohn. O aluno que domina esses conceitos resolve a questão com segurança.
Classificação de Montreal (RCU): E1 — Proctite (Apenas reto); E2 — Colite esquerda (Reto até ângulo esplênico); E3 — Colite extensa (Proximal ao ângulo esplênico)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa descreve o aspecto histológico típico da Doença de Crohn, não da Retocolite Ulcerativa. Na RCU, os achados histológicos característicos são: distorção das criptas, abscessos de criptas, infiltrado inflamatório linfoplasmocitário na lâmina própria e diminuição das células caliciformes — mas não há granulomas não caseosos. A presença de granulomas não caseosos é um marcador histológico da Doença de Crohn, que cursa com inflamação transmural e descontínua. A banca troca o achado histológico de uma doença pela outra, uma armadilha clássica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A PCR (proteína C reativa) é um marcador inflamatório inespecífico, e sua dosagem baixa não tem forte valor preditivo negativo para Retocolite Ulcerativa. Em casos de atividade leve a moderada, a PCR pode estar normal ou apenas discretamente elevada, mesmo com doença endoscopicamente ativa. O valor preditivo negativo da PCR é limitado, e a decisão diagnóstica e terapêutica não deve se basear isoladamente nesse marcador. A banca explora a falsa ideia de que um marcador inflamatório negativo exclui doença inflamatória intestinal.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A classificação de Montreal para Retocolite Ulcerativa estratifica a extensão da doença em três categorias: E1 (proctite), E2 (colite esquerda) e E3 (colite extensa). O caso descreve acometimento do cólon sigmoide e reto, com íleo terminal normal — exatamente a definição de colite esquerda (E2), que se estende do reto até o ângulo esplênico. A alternativa está correta ao classificar o caso como E2, demonstrando conhecimento da classificação e sua aplicação prática.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O escore descrito na alternativa — que considera bem-estar geral, dor abdominal, número de evacuações líquidas, massa abdominal e complicações — é o Índice de Harvey-Bradshaw, utilizado para avaliar atividade da Doença de Crohn, não da Retocolite Ulcerativa. O escore de Mayo é o mais utilizado para RCU e inclui: frequência de evacuações, sangramento retal, aparência endoscópica da mucosa e avaliação global do médico. A banca troca os escores de atividade entre as duas doenças inflamatórias intestinais.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A calprotectina fecal é um marcador de inflamação intestinal com alta sensibilidade, mas baixa especificidade para doença inflamatória intestinal. Valores elevados (> 1000 µg/g) indicam inflamação intestinal, mas não distinguem DII de outras causas de inflamação, como infecções, isquemia, neoplasias ou uso de anti-inflamatórios. A alternativa inverte o conceito: a calprotectina é útil para afastar doença inflamatória quando normal (alto valor preditivo negativo), mas não tem alta especificidade quando elevada. A banca explora a confusão entre sensibilidade e especificidade.
Gabarito: letra C — a classificação de Montreal para Retocolite Ulcerativa classifica o caso como tipo E2 (colite esquerda).