Questão de Medicina — Gastroenterologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg726774
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endoscopia
A compreensão e a descrição anatômica do trato digestivo é fundamental para a correta execução de um exame de endoscopia digestiva. Quanto à anatomia endoscópica no trato digestivo superior, é correto afirmar que
Ao bulbo duodenal apresenta quatro paredes: superior, inferior, direita e esquerda.
Bo pinçamento diafragmático se caracteriza pela passagem do estômago pelo hiato diagragmático.
Ca transição esofagogástrica é caracterizada pela diferenciação entre a mucosa escamosa do esôfago e a mucosa colunar do estômago.
Do terço proximal do esôfago compreende a porção entre o músculo cricofaríngeo e a constrição do arco aórtico, medindo entre 25 e 35 cm.
Ea parede posterior do estômago está voltada para a retrocavidade dos epíplons, com relevante relação com o pâncreas.
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GabaritoE — a parede posterior do estômago está voltada para a retrocavidade dos epíplons, com relevante relação com o pâncreas.
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Anatomia endoscópica do trato digestivo superior
Gabarito: letra E. A parede posterior do estômago está, de fato, voltada para a retrocavidade dos epíplons (bolsa omental), estabelecendo relação íntima com o pâncreas — essa é a descrição anatômica correta. As demais alternativas contêm erros: o bulbo duodenal não tem quatro paredes nessa nomenclatura, o pinçamento diafragmático não é a passagem do estômago pelo hiato, a transição esofagogástrica não se define apenas pela diferença de mucosa, e o terço proximal do esôfago não mede entre 25 e 35 cm.
A anatomia do trato digestivo superior é a base para a endoscopia digestiva alta. O esôfago é um tubo muscular que se estende da faringe até o estômago, com cerca de 23 a 25 cm de comprimento, atravessando o diafragma pelo hiato esofágico. Sua mucosa é escamosa estratificada não queratinizada, enquanto o estômago apresenta mucosa colunar — essa diferença histológica marca a transição esofagogástrica, mas ela não se resume a isso: envolve também a junção entre o esfíncter esofágico inferior e a cárdia, com mudança de peristaltismo e de vascularização.
O estômago, por sua vez, é um órgão intraperitoneal com duas curvaturas (menor e maior) e duas faces (anterior e posterior). A face posterior relaciona-se com a retrocavidade dos epíplons, um espaço virtual do peritônio que a separa do pâncreas, do rim esquerdo e da glândula suprarrenal esquerda. Essa relação é clinicamente relevante: úlceras penetrantes da parede posterior do estômago podem atingir o pâncreas, e massas pancreáticas podem comprimir ou invadir o estômago.
O duodeno, primeira porção do intestino delgado, divide-se em quatro partes: superior (ampola ou bulbo), descendente, horizontal e ascendente. O bulbo duodenal é a primeira parte, logo após o piloro, e é a porção mais frequentemente acometida por úlceras pépticas. Na endoscopia, o bulbo é reconhecido por sua mucosa lisa e pela presença de pregas transversais, mas não se descreve como tendo quatro paredes nomeadas como superior, inferior, direita e esquerda — essa nomenclatura não é utilizada na anatomia endoscópica.
O esôfago apresenta três constrições anatômicas: a constrição cervical (no músculo cricofaríngeo), a constrição torácica (no cruzamento com o arco aórtico e o brônquio principal esquerdo) e a constrição diafragmática (na passagem pelo hiato). O terço proximal do esôfago compreende a porção entre o cricofaríngeo e a constrição aórtica, mas sua extensão não é de 25 a 35 cm — esse valor corresponde à distância aproximada da arcada dentária até a junção esofagogástrica em adultos, não ao comprimento do terço proximal.
A hérnia de hiato, por sua vez, ocorre quando parte do estômago é empurrada para cima através do hiato diafragmático, para o tórax. O termo "pinçamento diafragmático" não é usado para descrever essa condição; ele se refere, na verdade, à constrição fisiológica que o diafragma exerce sobre o esôfago durante a inspiração profunda, um fenômeno observado em exames radiológicos e endoscópicos.
A pegadinha central desta questão está na alternativa E: ela parece específica demais para ser verdadeira, mas é exatamente a descrição correta da relação anatômica da parede posterior do estômago com a retrocavidade dos epíplons e o pâncreas. As demais alternativas misturam conceitos parcialmente corretos com erros de nomenclatura ou de medida, tentando induzir o candidato a escolher uma delas.
Anatomia endoscópica do TDS
1Esôfago
23–25 cm
3 constrições
Cricofaríngeo
Arco aórtico
Hiato diafragmático
Terço proximal: cricofaríngeo → arco aórtico
2Transição esofagogástrica
Mucosa escamosa → colunar
Esfíncter esofágico inferior
3Estômago
2 curvaturas (maior/menor)
2 faces
Anterior
Posterior → retrocavidade dos epíplons
Relação com pâncreas
4Duodeno
4 partes
Superior (bulbo)
Descendente
Horizontal
Ascendente
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O bulbo duodenal (parte superior do duodeno) não é descrito como tendo quatro paredes nomeadas superior, inferior, direita e esquerda. Essa nomenclatura não é utilizada na anatomia endoscópica ou cirúrgica do duodeno. O bulbo é uma estrutura curta, com cerca de 2 a 3 cm, que se continua com a parte descendente do duodeno, e sua descrição anatômica se baseia em sua posição e relações, não em paredes individualizadas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O pinçamento diafragmático não se caracteriza pela passagem do estômago pelo hiato diafragmático. Essa passagem é a hérnia de hiato, que ocorre quando parte do estômago é empurrada para cima através de uma fraqueza do diafragma para o tórax. O pinçamento diafragmático, por outro lado, refere-se à constrição fisiológica que o diafragma exerce sobre o esôfago durante a inspiração, um fenômeno normal observado em exames de imagem.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A transição esofagogástrica é caracterizada pela diferenciação entre a mucosa escamosa do esôfago e a mucosa colunar do estômago, mas essa não é a única característica. A junção esofagogástrica envolve também a mudança de peristaltismo, a presença do esfíncter esofágico inferior e a alteração da vascularização. A alternativa está incompleta, pois reduz a transição a apenas um aspecto histológico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O terço proximal do esôfago compreende a porção entre o músculo cricofaríngeo e a constrição do arco aórtico, mas não mede entre 25 e 35 cm. Esse valor corresponde à distância aproximada da arcada dentária até a junção esofagogástrica em adultos, não ao comprimento do terço proximal. O esôfago tem, em média, 23 a 25 cm de comprimento total, e o terço proximal corresponde a cerca de 8 cm.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A parede posterior do estômago está voltada para a retrocavidade dos epíplons (bolsa omental), um espaço virtual do peritônio que a separa do pâncreas, do rim esquerdo e da glândula suprarrenal esquerda. Essa relação é clinicamente relevante: úlceras penetrantes da parede posterior podem atingir o pâncreas, e massas pancreáticas podem comprimir ou invadir o estômago. A descrição está correta e é a única alternativa que apresenta uma afirmação anatomicamente precisa.