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Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaOncologia
Código
qg726809
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Genética Médica
Após a confirmação de uma variante germinativa patogênica associada à síndrome de predisposição ao câncer, qual medida apresenta maior impacto em saúde pública, especialmente no contexto do SUS?
  1. ARepetir testes genéticos periodicamente no paciente índice.
  2. BIniciar quimioprofilaxia universal em familiares assintomáticos.
  3. CImplementar rastreamento oportunístico apenas em parentes sintomáticos.
  4. DRealizar testagem em cascata em familiares de risco.
  5. ERestringir a informação genética apenas ao paciente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Realizar testagem em cascata em familiares de risco.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndromes de predisposição ao câncer e testagem em cascata

Gabarito: letra D. Após a confirmação de uma variante germinativa patogênica, a medida de maior impacto em saúde pública — especialmente no SUS — é a testagem em cascata em familiares de risco, pois permite identificar outros portadores assintomáticos da mesma variante e oferecer-lhes medidas de rastreamento intensivo e prevenção, reduzindo a incidência e a mortalidade por câncer na família. Essa estratégia é amplamente recomendada em diretrizes de genética oncológica e se alinha aos princípios de equidade e integralidade do SUS.

A testagem em cascata (ou rastreamento em cascata) é o processo pelo qual, a partir de um caso-índice (probando) com uma variante patogênica identificada, os familiares de risco são testados para a mesma variante. O objetivo é identificar outros portadores que ainda não manifestaram a doença, mas que têm risco aumentado de desenvolvê-la. Essa abordagem é fundamental na prática da oncogenética, pois a identificação precoce de portadores permite a implementação de medidas de vigilância intensificada (como ressonância magnética de mama em portadoras de BRCA1/2), cirurgias profiláticas (mastectomia, ooforectomia, colectomia) e quimioprofilaxia, quando indicadas. O contexto do SUS reforça a importância dessa estratégia, pois ela otimiza recursos ao direcionar o rastreamento e a prevenção para quem realmente tem risco genético, em vez de aplicar medidas universais ou restritas.

A lógica por trás da testagem em cascata é simples: uma variante germinativa patogênica é hereditária, portanto, cada familiar de primeiro grau do probando tem 50% de chance de ser portador. Testar apenas o probando não traz benefício populacional; testar todos os familiares indiscriminadamente seria ineficiente e caro; e restringir a informação genética ao paciente seria eticamente inadequado e desperdiçaria a oportunidade de prevenção. A cascata, portanto, é a abordagem que maximiza o benefício clínico e o custo-efetividade, identificando sistematicamente os familiares em risco e oferecendo-lhes aconselhamento genético e medidas preventivas.

Na prática, o fluxo é: (1) identificar o probando com câncer e suspeita de síndrome hereditária; (2) realizar o teste genético no probando e confirmar a variante patogênica; (3) oferecer aconselhamento genético e testagem preditiva aos familiares de risco (pais, irmãos, filhos); (4) para os familiares que testarem positivo, implementar medidas de rastreamento intensivo e prevenção; (5) repetir o processo nos novos portadores identificados, expandindo a cascata. Esse processo é dinâmico e pode ser comparado a uma árvore genealógica que se expande a cada geração.

A distinção crucial que a questão explora é entre testar o probando (caso-índice) e testar os familiares. O probando é o ponto de partida, mas o impacto em saúde pública vem da extensão do teste aos familiares de risco. As alternativas incorretas falham exatamente nesse ponto: ou repetem testes desnecessários no probando, ou aplicam medidas universais sem base genética, ou restringem o rastreamento a sintomáticos, ou negam o direito à informação genética aos familiares. A testagem em cascata é a única que combina precisão genética, prevenção efetiva e racionalização de recursos — exatamente o que o SUS busca.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o papel do probando e o papel dos familiares. O candidato pode pensar que, após confirmar a variante no probando, o próximo passo é repetir testes nele (alternativa A) ou iniciar quimioprofilaxia em todos os familiares (alternativa B). Mas o correto é usar a variante identificada para testar os familiares de risco — a cascata. Lembre-se: o probando já tem o diagnóstico; o ganho populacional está em encontrar os outros portadores assintomáticos.

  1. 1Identificar probando
  2. 2Confirmar variante patogênica
  3. 3Aconselhar e testar familiares de risco
  4. 4Rastreio intensivo nos portadores
  5. 5Expandir a cascata
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Repetir testes genéticos periodicamente no paciente índice é desnecessário e sem impacto em saúde pública. Uma vez confirmada a variante germinativa patogênica, o resultado não muda ao longo da vida — o teste não precisa ser repetido. O foco deve ser a identificação de novos portadores na família, não a re-testagem do probando.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Iniciar quimioprofilaxia universal em familiares assintomáticos é uma medida extrema e sem base genética. A quimioprofilaxia (como tamoxifeno para risco de mama) só é indicada para portadores confirmados da variante, após avaliação individualizada de risco e benefício. Aplicá-la a todos os familiares, sem saber quem é portador, exporia pessoas sem risco a efeitos colaterais desnecessários e desperdiçaria recursos do SUS.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Implementar rastreamento oportunístico apenas em parentes sintomáticos é uma abordagem reativa e tardia. O objetivo da testagem em cascata é justamente identificar portadores assintomáticos e oferecer prevenção antes do desenvolvimento do câncer. Esperar o aparecimento de sintomas perde a janela de oportunidade para intervenções profiláticas e rastreamento intensivo precoce.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Realizar testagem em cascata em familiares de risco é a medida de maior impacto em saúde pública. A partir da variante patogênica identificada no probando, testa-se sistematicamente os familiares de primeiro grau (e, se positivo, os de segundo grau, e assim por diante), identificando portadores assintomáticos que se beneficiarão de rastreamento intensivo e medidas preventivas. Essa estratégia é custo-efetiva, pois concentra os recursos em quem realmente tem risco, e é eticamente recomendada, pois permite que os familiares tomem decisões informadas sobre sua saúde.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Restringir a informação genética apenas ao paciente é eticamente inadequado e contraria os princípios da genética clínica. A informação genética tem implicações familiares: os parentes de primeiro grau têm risco de 50% de serem portadores. Omitir essa informação priva os familiares do direito de conhecer seu risco e de se beneficiar de medidas preventivas. O aconselhamento genético deve orientar o paciente sobre a importância de comunicar o resultado aos familiares, respeitando sua autonomia, mas sempre incentivando a divulgação.

Gabarito: letra D — a testagem em cascata em familiares de risco é a medida que maximiza o impacto em saúde pública, identificando portadores assintomáticos e permitindo prevenção efetiva no contexto do SUS.

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