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Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaOncologia
Código
qg726811
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Genética Médica
Uma mulher de 34 anos é diagnosticada com câncer de mama triplo negativo, sem história pessoal prévia de câncer. Qual achado adicional mais fortalece a suspeita de uma síndrome de predisposição hereditária?
  1. ATumor HER2 positivo com bom prognóstico.
  2. BAvó materna com câncer de pulmão aos 78 anos.
  3. CAusência completa de câncer em familiares de segundo grau.
  4. DCâncer de mama bilateral em idade jovem em parente de primeiro grau.
  5. EDiagnóstico em estágio inicial com resposta completa ao tratamento.
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GabaritoD — Câncer de mama bilateral em idade jovem em parente de primeiro grau.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndromes de predisposição hereditária ao câncer de mama

Gabarito: letra D. O achado que mais fortalece a suspeita de síndrome hereditária é a presença de câncer de mama bilateral em idade jovem em parente de primeiro grau, pois bilateralidade, idade precoce e parentesco de primeiro grau são critérios clássicos de risco hereditário (BRCA1/BRCA2). A paciente já tem um fator de risco adicional — câncer de mama triplo negativo com menos de 60 anos —, e a história familiar bilateral e precoce reforça ainda mais a indicação de aconselhamento genético.

O câncer de mama hereditário corresponde a cerca de 5 a 10% de todos os casos e é causado por mutações germinativas em genes como BRCA1 e BRCA2, que juntos respondem por aproximadamente 60% dos casos hereditários. A identificação dessas pacientes é crucial porque permite medidas de rastreamento intensivo e intervenções preventivas (cirurgias profiláticas, quimioprofilaxia) que reduzem a incidência e a mortalidade.

Os critérios que levantam suspeita de síndrome hereditária incluem: idade precoce (antes dos 50 anos), câncer de mama triplo negativo antes dos 60 anos, dois tumores primários de mama na mesma paciente, câncer de mama bilateral, história familiar de câncer de mama e/ou ovário em parentes de primeiro ou segundo grau, câncer de mama masculino, e ancestralidade judaica asquenaze com história pessoal ou familiar relevante. A presença de múltiplos casos no mesmo ramo familiar, especialmente com diagnóstico precoce, é um forte indicador.

Na prática, a avaliação do risco hereditário começa com uma história familiar detalhada, incluindo grau de parentesco, idade ao diagnóstico, bilateralidade e tipos de câncer associados (mama, ovário, pâncreas, próstata). Modelos de predição de risco (como BRCAPRO, Tyrer-Cuzick) e testes genéticos são ferramentas complementares, mas a suspeita clínica é o primeiro passo.

A pegadinha desta questão está em distinguir fatores que apenas aumentam o risco geral (como história familiar tardia ou em parente de segundo grau) daqueles que indicam fortemente uma síndrome hereditária (bilateralidade, idade jovem, parente de primeiro grau). A alternativa correta combina três critérios de alto valor preditivo.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Tumor HER2 positivo com bom prognóstico não é um indicador de hereditariedade. O status HER2 é um marcador prognóstico e preditivo de resposta à terapia anti-HER2, mas não está associado a síndromes de predisposição hereditária. A suspeita hereditária se baseia em história familiar e características como bilateralidade e idade precoce, não no perfil imuno-histoquímico isolado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Avó materna com câncer de pulmão aos 78 anos não fortalece a suspeita de síndrome hereditária de mama. O câncer de pulmão não faz parte do espectro clássico das síndromes de predisposição ao câncer de mama (BRCA1/BRCA2, TP53, PTEN, etc.), e a idade avançada (78 anos) sugere etiologia esporádica, não hereditária. Além disso, parente de segundo grau com câncer tardio tem baixo valor preditivo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Ausência completa de câncer em familiares de segundo grau não fortalece a suspeita; na verdade, enfraquece. A ausência de história familiar relevante torna menos provável uma síndrome hereditária, embora não a exclua (mutações de novo ou penetrância reduzida). O que fortalece é a presença de múltiplos casos, bilateralidade e idade precoce.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Câncer de mama bilateral em idade jovem em parente de primeiro grau é um dos critérios mais fortes de suspeita de síndrome hereditária. A bilateralidade indica predisposição genética, e a idade jovem (< 50 anos) é um marcador de hereditariedade. Parente de primeiro grau (mãe, irmã, filha) com essas características aumenta significativamente o risco e justifica aconselhamento genético. A paciente já tem triplo negativo com 34 anos, o que por si só já indica avaliação genética; a história familiar bilateral e precoce reforça ainda mais.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Diagnóstico em estágio inicial com resposta completa ao tratamento não tem relação com predisposição hereditária. O estágio e a resposta ao tratamento são fatores prognósticos, não indicadores de etiologia genética. Uma paciente com câncer hereditário pode ter diagnóstico precoce e boa resposta, mas isso não é um critério para suspeitar de síndrome.

Gabarito: letra D — a combinação de bilateralidade, idade jovem e parente de primeiro grau é o achado que mais fortalece a suspeita de síndrome de predisposição hereditária.

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