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Questão de Medicina — Hematologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaHematologia
Código
qg726874
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Hematologia
Segundo os dados atualmente disponíveis no Brasil, até 06/09/2024, estão cadastrados 147 indivíduos para alfa-talassemia com doença da hemoglobina H. Esses pacientes residem principalmente nas regiões Sul (32%).Sobre as talassemias, assinale a alternativa correta.
  1. ASão doenças autossômicas dominantes resultantes da mutação de genes da codificação de cadeias alfa e beta da cadeia da hemoglobina.
  2. BAs talassemias possuem em seu quadro clínico eritropoiese ineficaz e hemólise periférica.
  3. CNo Brasil, estima-se que metade da população seja portadora de traço alfa-talassemia.
  4. DAlfa-talassemia, com doença da hemoglobina H, resulta de deleções nos genes localizados no cromossomo 16 e ocorre pela deficiência severa de cadeias beta.
  5. EMuitos indivíduos que nascem com hidrópsia fetal chegam à vida adulta com problemas relacionados à transfusão crônica.
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GabaritoB — As talassemias possuem em seu quadro clínico eritropoiese ineficaz e hemólise periférica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Talassemias: fisiopatologia e quadro clínico

Gabarito: letra B. As talassemias são doenças hereditárias caracterizadas por síntese diminuída ou ausente de uma ou mais cadeias de globina, o que gera desequilíbrio na formação da hemoglobina, eritropoiese ineficaz e hemólise periférica — exatamente o que afirma a alternativa B. As demais alternativas contêm erros conceituais: não são autossômicas dominantes (são recessivas), a prevalência do traço alfa no Brasil não é de 50%, a hemoglobina H decorre de deficiência de cadeias alfa (não beta) e a hidropsia fetal é letal, não compatível com a vida adulta.

As talassemias formam um grupo heterogêneo de distúrbios hereditários da hemoglobina, resultantes da ausência ou do desequilíbrio na síntese de uma ou mais cadeias de globina (alfa ou beta). A hemoglobina normal é um tetrâmero composto por dois pares de cadeias: duas cadeias alfa e duas cadeias beta (HbA: α2β2). Quando há deficiência de um tipo de cadeia, ocorre acúmulo do outro tipo, formando tetrâmeros anormais e instáveis que precipitam e lesam a membrana eritrocitária.

A fisiopatologia central envolve dois mecanismos principais: eritropoiese ineficaz (destruição intramedular dos precursores eritroides, devido ao excesso de cadeias não pareadas que precipitam) e hemólise periférica (destruição das hemácias maduras na circulação, por fragilidade de membrana). Na talassemia beta, o excesso de cadeias alfa precipita e causa dano de membrana, levando à destruição intramedular e periférica. Na talassemia alfa, o excesso de cadeias beta forma a hemoglobina H (β4), que é instável e precipita, causando hemólise predominantemente periférica.

A herança é autossômica recessiva (ou codominante, dependendo da classificação), nunca dominante. Os genes da globina alfa estão localizados no cromossomo 16 (dois genes por cromossomo, totalizando quatro), enquanto os genes da globina beta estão no cromossomo 11. A gravidade da alfa-talassemia depende do número de genes deletados:

Número de genes alfa deletados

Condição

Quadro clínico

1 gene (−α/αα)

Portador silencioso

Assintomático, hematócrito e VCM normais

2 genes (−−/αα ou −α/−α)

Traço alfa-talassêmico

Anemia microcítica e leve

3 genes (−−/−α)

Doença da hemoglobina H

Anemia hemolítica leve a moderada

4 genes (−−/−−)

Hidropsia fetal

Incompatível com a vida

A doença da hemoglobina H ocorre quando há deleção de três dos quatro genes alfa (genótipo −−/−α), resultando em produção insuficiente de cadeias alfa e excesso relativo de cadeias beta, que formam tetrâmeros β4 (hemoglobina H). Essa hemoglobina é instável e precipita, causando hemólise. Já a hidropsia fetal (deleção dos quatro genes) é letal: o feto não produz hemoglobina funcional, as cadeias gama formam tetrâmeros (hemoglobina Barts) com afinidade extremamente alta por oxigênio, incapazes de liberá-lo aos tecidos, resultando em insuficiência cardíaca congestiva e anasarca — fetos afetados são natimortos ou morrem logo após o parto.

A pegadinha central desta questão está na inversão de cadeias: a banca troca alfa por beta na alternativa D, e explora a confusão entre a doença da hemoglobina H (deficiência de alfa) e a talassemia beta (deficiência de beta). Além disso, a alternativa C exagera a prevalência do traço alfa no Brasil — o dado correto é de cerca de 3%, não 50%. Guarde a fronteira entre a cadeia afetada e o quadro clínico resultante: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

1Herança
Autossômica recessiva
2Mecanismos
Eritropoiese ineficaz
Hemólise periférica
3Alfa (cromossomo 16)
1 gene: silencioso
2 genes: traço
3 genes: Hb H
4 genes: hidropsia fetal
4Beta (cromossomo 11)
Menor
Maior
Talassemias
LEVELsoulevel.com.br
Talassemias: Herança (Autossômica recessiva); Mecanismos (Eritropoiese ineficaz, Hemólise periférica); Alfa (cromossomo 16) (1 gene: silencioso, 2 genes: traço, 3 genes: Hb H, 4 genes: hidropsia fetal); Beta (cromossomo 11) (Menor, Maior)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que as talassemias são autossômicas dominantes. Erro duplo: são doenças autossômicas recessivas (ou codominantes), e a mutação afeta a síntese das cadeias de globina, não a "codificação de cadeias alfa e beta da cadeia da hemoglobina" como se fossem uma coisa só. A hemoglobina é composta por cadeias alfa e beta; a talassemia alfa afeta os genes do cromossomo 16 e a talassemia beta afeta os genes do cromossomo 11. A herança recessiva significa que ambos os alelos precisam estar alterados para manifestar a doença (nas formas graves), e os heterozigotos são portadores assintomáticos ou com anemia leve.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao afirmar que as talassemias apresentam eritropoiese ineficaz e hemólise periférica em seu quadro clínico. A eritropoiese ineficaz ocorre pela destruição intramedular dos precursores eritroides, devido à precipitação das cadeias de globina em excesso (cadeias alfa na beta-talassemia, cadeias beta na alfa-talassemia). A hemólise periférica ocorre pela destruição das hemácias maduras na circulação, por fragilidade de membrana causada pelos precipitados. Esses dois mecanismos são a base fisiopatológica da anemia nas talassemias, distinguindo-as de outras anemias.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que metade da população brasileira é portadora de traço alfa-talassemia. O dado é completamente exagerado. A prevalência do traço alfa-talassêmico (deleção de dois genes) no Brasil é de cerca de 3% na população geral, sendo mais comum em indivíduos de ascendência africana. A confusão provável é com a prevalência do traço falciforme (cerca de 4% no Brasil) ou com a talassemia beta menor (10-20% em algumas regiões), mas nenhuma chega a 50%. O número correto para o traço alfa é de aproximadamente 3%.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a doença da hemoglobina H resulta de deleções nos genes do cromossomo 16 e ocorre por deficiência severa de cadeias beta. Há um erro conceitual grave: a hemoglobina H ocorre por deficiência de cadeias alfa (deleção de três dos quatro genes alfa no cromossomo 16), com excesso relativo de cadeias beta, que formam tetrâmeros β4. A deficiência severa de cadeias beta é característica da beta-talassemia maior, que afeta os genes do cromossomo 11. A banca inverteu as cadeias: na alfa-talassemia, o excesso é de beta; na beta-talassemia, o excesso é de alfa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que muitos indivíduos que nascem com hidropsia fetal chegam à vida adulta. Isso é falso: a hidropsia fetal (deleção dos quatro genes alfa) é incompatível com a vida. Os fetos afetados são natimortos ou morrem logo após o parto, pois não produzem hemoglobina funcional após o desenvolvimento embrionário. A hemoglobina Barts (γ4) formada tem afinidade extremamente alta por oxigênio e não o libera aos tecidos, causando insuficiência cardíaca congestiva grave e anasarca. Não há sobrevivência até a vida adulta, portanto não há problemas relacionados à transfusão crônica nesses pacientes.

Gabarito: letra B

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