Questão de Medicina — Epidemiologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Epidemiologia
Código
qg726959
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Infectologia
A paracoccidioidomicose é uma micose sistêmica, geralmente com sintomatologia importante, que pode cutânea cursar com comprometimento pulmonar, lesões ulceradas de pele, mucosas e estomatite. Qual é o modo de transmissão da paracoccidioidomicose?
AIngestão do fungo.
BTransfusão sanguínea.
CInalação do fungo.
DVia parenteral.
EContato sexual.
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GabaritoC — Inalação do fungo.
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Paracoccidioidomicose: transmissão
Gabarito: letra C. A paracoccidioidomicose é transmitida pela inalação de conídios (esporos) do fungo Paracoccidioides sp., que habita o solo — por isso a doença acomete preferencialmente trabalhadores rurais. A infecção primária é geralmente assintomática, mas pode deixar focos latentes e reativar em imunossupressão.
A paracoccidioidomicose (PCM) é a infecção fúngica sistêmica mais prevalente no Brasil, causada por fungos do gênero Paracoccidioides (principalmente P. brasiliensis e P. lutzii). O fungo é um habitante natural do solo, e a infecção humana ocorre quando os conídios (forma infectante) são aerosolizados — por exemplo, durante o preparo do solo para agricultura — e inalados pelo hospedeiro. Nos pulmões, os conídios se convertem na forma leveduriforme (parasitária), que pode se disseminar por via hematogênica/linfática para outros órgãos, explicando o comprometimento pulmonar, as lesões ulceradas de pele e mucosas e a estomatite descritas no enunciado.
A doença não é transmitida de pessoa para pessoa, nem por vetores. O reservatório é o solo, e o homem é um hospedeiro acidental. A maioria dos casos ocorre em trabalhadores rurais, homens entre 30 e 60 anos, mas a forma aguda pode atingir crianças. A forma crônica do adulto é a mais comum, com predomínio do comprometimento pulmonar; a forma aguda/subaguda (tipo juvenil) cursa com linfadenopatia generalizada, febre, perda de peso, anemia e hepatoesplenomegalia.
O diagnóstico é feito pela visualização do fungo em material obtido de linfonodos, escarro ou biópsia de lesões, ou por sorologia específica. O tratamento é feito com antifúngicos (itraconazol é a primeira escolha na maioria dos casos; anfotericina B nas formas graves).
A pegadinha desta questão é justamente a via de transmissão: como a PCM causa lesões de pele e mucosas, o candidato pode ser tentado a associar a transmissão ao contato direto ou à inoculação cutânea — mas a porta de entrada é respiratória, e as lesões cutâneas/mucosas são consequência da disseminação hematogênica, não do ponto de inoculação.
Guarde o critério decisivo: a transmissão da paracoccidioidomicose é por inalação de conídios do fungo presente no solo — é essa a chave para separar as alternativas.
1Fungo no solo (conídios)
2Aerosolização (preparo do solo)
3Inalação dos conídios
4Conversão em levedura no pulmão
5Disseminação (pele, mucosas)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A ingestão do fungo não é a via de transmissão da paracoccidioidomicose. A infecção ocorre por via respiratória, não digestiva. A ingestão de água ou alimentos contaminados não está descrita como mecanismo de transmissão relevante para essa micose.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A transfusão sanguínea não é um mecanismo de transmissão da paracoccidioidomicose. A doença não é transmitida por hemoderivados; a infecção é adquirida pela inalação de conídios do solo.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A transmissão ocorre pela inalação de conídios do fungo Paracoccidioides sp., que habita o solo. Essa é a via de infecção reconhecida: os conídios aerosolizados são inalados e atingem os pulmões, onde se convertem na forma leveduriforme e podem se disseminar. O contexto confirma: "A PCM é a infecção fúngica sistêmica mais prevalente no Brasil, sendo causada por inalação de conídios do gênero Paracoccidioides sp."
Alternativa D — ❌ Incorreta
A via parenteral (inoculação direta na corrente sanguínea, como picada de agulha ou ferimento) não é o modo de transmissão da paracoccidioidomicose. A infecção é adquirida por via respiratória, não por inoculação parenteral.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O contato sexual não é um mecanismo de transmissão da paracoccidioidomicose. A doença não é uma infecção sexualmente transmissível; a transmissão ocorre pela inalação de conídios do solo.
Gabarito: letra C — a transmissão da paracoccidioidomicose se dá pela inalação do fungo.